A primeira vez que escutei falar sobre Rat Queens não foi pelo melhor dos motivos. Logo no começo da elogiada revista um dos seus desenhistas, Roc Upchurch, foi preso por agressão contra a esposa. Diferente do que normalmente acontece, Upchurch foi desligado do título e o criador do título, Kurtz Wibie, reiterou o seu desejo de “escrever histórias sobre mulheres que eu vejo no meu dia-a-dia. Sobre amizade e fazer quadrinhos que incluam e abracem diversidade”. Em um universo como os quadrinhos norte-americanos, onde colocar panos quentes em acusações de assédio são tão comuns, eu fiquei contente em ver que pelo menos dessa vez os atos desse babaca lhe custaram alguma coisa. E fiquei contente também em saber que Rat Queens continuaria.

Rat Queens acompanha uma equipe de mercenárias que gosta de: violência, sexo, drogas e álcool – não necessariamente nessa ordem. Cada uma das personagens tem uma personalidade diferente, armas diferentes e personalidades complexas e distintas. É difícil ver uma revista em quadrinhos em que a sexualidade das personagens seja tão bem trabalhada, sem cair constantemente para o fetichismo e para a objetificação. O único elemento que me incomodou de verdade foram as poses em que algumas das personagens estão ao longo da história. Bundas empinadas e pernas abertas que são claramente resquício do modo machista com que os quadrinistas estão acostumados à retratar personagens femininas.

Pelo que pude notar das edições que li, cada uma das personagens parece estar em busca de alguma coisa, respostas para dúvidas sobre si mesmas e sobre o mundo, então me parece que ao mesmo tempo que nós vamos ter muito humor e lutas, vamos ter também uma jornada de descoberta e talvez auto-conhecimento para cada uma delas.

É difícil ver personagens femininas serem retratadas da maneira cm que Rat Queens faz, elas não são só diversas em personalidade, elas são autênticas e diversas em sexualidade e etnia. Nenhuma das Rats parecem ou soam como esteriótipos ou variações de uma cool girl. A sensação de ler essas personagens é um tipo de liberdade narrativa que pouco se vê quando vemos a representação feminina nos quadrinhos (ou em qualquer outro meio), aqui elas podem ser violentas, apaixonadas, loucas por sexo, aventureiras, feiticeiras, guerreiras e, acima de tudo, pessoas. E nenhum desses traços é definido pelo homem com quem elas talvez se relacionem.

A série foi indicada em 2014 ao prêmio Eisner como Melhor Série Nova e ganhou o GLAAD Award (premiação da Gay & Lesbian Alliance Against Defamation, que homenageia representações justas da comunidade LGBT) de “Outstanding Comic Book” (Álbum de Quadrinhos de Destaque) em 2015.

A boa notícia é que a Jambô Editora  anunciou o lançamento do encadernado de Rat Queens para o Brasil, em edição capa dura que vai reunir os cinco primeiros volume do quadrinho! Você pode conferir aqui na galeria um preview de onze páginas da revista e conhecer um pouco mais das personagens. Ficamos na espera! \o/

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