Há uns 7-8 anos atrás eu parei de comprar quadrinhos de super heróis. Na época eu tinha amado a capa da Mulher-Maravilha em Crise de Identidade e detestado o estupro e posterior morte da esposa do Homem-Elástico. “DC se aproxima do realismo”, era o que os sites especializados comentavam sobre o plot audacioso do estupro dentro da Liga da Justiça. Pra mim, apesar de ainda não estar inteirada sobre o clichê das mulheres da geladeira e mesmo no feminismo, já me soava estupidez pura. Na mesma época eu estava querendo o pescoço do Chris Claramont por conta do que ele fez com a Vampira na sua última passagem pelos X-Men. Eu acabei parando de comprar quadrinhos de super-heróis.

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Pulamos para 2014.

Apesar de não comprar mais quadrinhos eu continuava acompanhando de longe em que pé as histórias estavam, apesar de não ler é sempre difícil abandonar aqueles personagens com os quais você cresceu. Fiquei afastada até o anúncio da nova Thor, Miss Marvel e Capitã Marvel – aí eu resolvi voltar a gastar dinheiro com super-heróis.

Depois de anos sem pagar por uma revistinha, e nem baixar nenhuma ilegalmente, eu assinei Thor na Comixology. Mais tarde veio a nova Batgirl. Capitã Marvel eu compro os encadernados que saem por aqui e ainda estou devendo me atualizar na Miss Marvel. Um movimento das editoras tão simples como dar importância e relevância à personagens femininas bem desenvolvidas me fez abrir a carteira na hora. Assim como eu, várias outras mulheres e garotas responderam bem ao se verem melhor representadas. Isso trouxe, obviamente, a revolta dos fãs mais apegados ao status quo dos super-heróis.

Hoje saiu a notícia (e eu inclusive compartilhei na fanpage do blog) que a revista da Thor feminista (como não amar esse adjetivo) está vendendo mais do que quando o Filho de Odin carregava o martelo. A estreia da antiga revista “Thor: God of Thunder” vendeu 65,513 mil cópias, enquanto a estréia da nova “Thor” bateu 150,862 mil. Além disso a revista atual tem vendido mensalmente cerca de 20,000 cópias a mais do que a anterior – mantendo a mesma equipe criativa, aliás.

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Não há um dado que diga que mulheres passaram a comprar mais a revista da nova Thor, mas julgando pelo mar de male tears que inundou a internet quando da notícia da troca do possuidor do martelo, acho que dá pra considerar que o título ganhou algumas fãs femininas sim e provavelmente perdeu alguns marmanjos chatos.

O que podemos tirar disso tudo? Primeiro que com histórias bem contadas e valorizando as personagens femininas o alcance das edições e títulos será muito maior, com representatividade maior mais pessoas estarão dispostas a gastar dinheiro por uma história que as represente e entretenha. Segundo que as editoras estão finalmente entendendo que nós somos um mercado pagante e exigente – os números só fortalecem o nosso discurso.

A revista, infelizmente, já está marcada para terminar durante a próxima Guerra Secreta que vai atingir o Universo Marvel, mas ao que tudo indica vai retornar após os eventos terem se encerrado. Thor com certeza tem números (e qualidade) para isso.

Thor ❤

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