Quando fui assistir O Jogo da Imitação no cinema, fui esperando um filme cientifico, mais técnico sobre a descoberta de Alan Turning (Benedict Cumberbatch), que criaria uma maquina que desvendaria os códigos dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas me impressionei, já que o filme não é inteiramente técnico e há muito mais envolvido do que apenas isso. Descobre-se, mais tarde no filme, que Alan Turning é homossexual, o que era considerado uma obscenidade no Reino Unido desde o século XIX (e se estendeu ate meados de 1960).

Benedict Cumberbatch como Alan Turning

Benedict Cumberbatch como Alan Turning

O personagem que Cumberbatch interpreta me lembrou um pouco de Sherlock. Incrivelmente inteligente, não muito bom ao lidar com outros da equipe, muitas vezes arrogante. Mas o interessante é o fato de que Alan ser gay não interfere em sua descoberta e ele parecia ter muito medo por sua condição, já que ele poderia ser preso por ela.

Turning cria a maquina para desvendar a Enigma (complexa maquina de códigos dos nazistas) e consegue trazer muitas vitorias para os Aliados. Ele cria a máquina com a ajuda da inteligentíssima Joan Clarke (Keira Knightley) que, apesar de não poder oficialmente fazer parte da equipe por ser uma mulher, ajuda Turning em muitos aspectos. Joan é destemida e se coloca em pé de igualdade com seus colegas por ser tão inteligente quanto. Ela foi a única mulher na pesquisa e é tão importante quanto Turning na descoberta, apesar de ter sido esquecida ao contrário do protagonista.

As personagens Joan Clarke (Keira Knightley) e Alan Turning (Benedict Cumberbatch)

As personagens Joan Clarke (Keira Knightley) e Alan Turning (Benedict Cumberbatch)

Mesmo com a gloria que ele proporcionou aos Aliados, Turning foi submetido a julgamento e condenado com algo chamado “esterilização química”, para “curar” sua homossexualidade.

É como uma querida professora disse: “Quando o mundo privilegia a sexualidade em detrimento de uma mente brilhante, quem perde é a humanidade”.

O medo que Alan sentia era completamente legítimo. E isso me leva a pensar nos dias de hoje e no deputado Jair Bolsonaro. A cura gay não traz nada de bom para a sociedade, vide o fim de Turning e, mesmo assim, senhores como o deputado ainda querem trazê-la para o século XXI, como se a humanidade já não tivesse perdido o suficiente.

Numa das partes finais do filme, em que Turning, após a guerra, sofre com a castração química.

Numa das partes finais do filme, em que Turning, após a guerra, sofre com a esterilização química.

Graças a sua mente brilhante e seu trabalho, serviu de base para a criação do computador moderno. Escrevo e publico aqui por causa dele, e o fato dele ter sofrido tanto pelas estupidas leis homofóbicas impostas contra ele me deixa incrivelmente triste. Turning criou a “arma” que ajudou a acabar com a Segunda Guerra Mundial e, ainda assim, o fato de sua sexualidade ter sido mais importante que seu trabalho é terrível.

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