Ontem nós tivemos a estréia do trailer MARAVILHOSO de Rogue One, o próximo filme do universo Star Wars que estréia em dezembro. Foi lindo, eu vi o meu futuro, sentada na sala de cinema, água nos olhos novamente. A mesma sensação que tive com Star Wars: O Despertar da Força e Mad Max – Estrada da Fúria.

Enquanto eu celebrava dançando uma dancinha imaginária no escritório, uzomi choravam na internet.

Esse moço marcou um monte de gente. Ele precisava que a internet soubesse o quão frágil era a sua masculinidade.

Esse moço saiu marcaando um monte de gente. Ele precisava que a internet soubesse o quão frágil era a sua masculinidade.

Não será a vaidade masculina que está fragilizada pela presença feminina?

Não será a vaidade masculina que está fragilizada pela presença feminina?

O choro é livre.

O choro é livre.

Mas não, não foram só os uzomi americanos que choraram. Os brasileiros, obviamente, precisaram dividir com o mundo a dor de ser homem e gostar de Star Wars.

Imagem maravilhosa via Firehawk.

Imagem maravilhosa via Firehawk.

Já escrevemos exaustivamente sobre porque as protagonistas de Star Wars são importantes, sobre como você achar que Rey é uma Mary Sue não diminui a importância dela, e sobre como nós vamos, basicamente, dominar geral. Então, honestamente, eu estava meio cansada demais para desenhar para os homens machistinhas porque Rogue One não veio para acabar com os sonhos nerds deles, mas para ajudar a tornar o universo nerd mais equilibrado.

Poucas horas depois a Daniela Rigon, colega querida, me enviou essa pesquisa que é, basicamente, o desenho do porque Rogue One, Star Wars: O Despertar da Força, Mulher-Maravilha e os próximos filmes centrados em personagens femininos são tão importantes: mesmo quando somos as personagens centrais do filme, ainda sim, temos menos falas do que os personagens secundários masculinos.

A pesquisa inteira, em inglês, você encontra aqui. A metodologia da pesquisa é básica: os pesquisadores ligaram cada personagem com pelo menos 100 palavras, em mais de 2000 roteiros, às páginas do IMDB que identificam esses personagens e cruzaram essas informações com o gênero desses personagens. Os roteiros estudados estão dentro da lista de 2500 filmes de maior sucesso de bilheteria nos EUA. Ou seja, todos blockbusters.

Na esperança de fazer um desenho ainda mais evidente do problema da representação feminina nos filmes ligados à cultura pop/nerd/geek, eu fiz uma tabela com os principais filmes que estão relacionados ao mundo nerd/geek cujas informações estão na lista. Uma tentativa de mostrar para vocês como o medo DA DOMINAÇÃO FEMINAZISTA é ridícula. A gente só quer espaço e, como as empresas começam a se dar conta, estamos dispostas a gastar dinheiro para conseguirmos.

Em Vermelho: Filmes com menos de 10% de falas femininas. Em Amarelo: O único filme com maioria de falas masculinas.

Em Vermelho: Filmes com menos de 10% de falas femininas.
Em Amarelo: O único filme com maioria de falas femininas.

Escrevendo essa lista ficou ainda mais evidente o quão silenciadas nós somos no cinema (e na literatura/quadrinhos). Ver que nós não tivemos sequer 5% de falas em DOIS dos filmes do Senhor dos Anéis, e o modo como somos minoria mesmo em franquias que são suportdas no protagonismo feminino, como Alien e Exterminador do Futuro, chega a dar um desânimo. Vale destacar também que é incrivelmente sintomático que em um filme como O Cavaleiro das Trevas, que explode a geladeira aonde joga a única personagem feminina do filme, nós tenhamos conseguido míseros 10% das falas. O acalento vem da franquia Superman que, pelo menos até Snyder assumir, possuía a melhor porcentagem de falas de personagens femininas de todas as franquias apresentadas, com Superman II como o único filme com a maioria de falas feminina.

Mas vamos dar um zoom na franquia que está causando o alvoroço no momento.

Rogue One - Franquias

Não só TODOS os filmes de Star Wars até agora tem uma maioria esmagadora de falas para personagens masculinos, como o Episódio VII, que tantos homens choram por ter uma protagonista feminina, deu a maior parte das falas para personagens masculinos. E isso provavelmente não vai mudar em Rogue One.

Além de mostrar o quão absurdas são as reclamações e os medos dos fãs que machistas, esses dados apontam para um outro problema dessa nova leva de filmes: o protagonismo feminino solitário. Em O Despertar da Força Rey é a única mulher que está no centro da ação do filme. Ela é rodeada por Finn, Chewie e Han durante a maioria do tempo. Leia é general e líder dos rebeldes, mas sua participação no plot central do filme é muito reduzido e com pouco tempo de tela.

Em Rogue One, apesar do elenco etnicamente diverso, nós temos novamente uma única mulher e, por mais legal que seja ver uma mulher como uma guerreira rebelde meio loba-solitária, isso mostra que Hollywood ainda precisa aprender a preencher os personagens secundários com outras vozes que não as masculinas. Não é só colocar a Viúva Negra e a Mulher Maravilha dentro de um grupo com outros cinco caras, é preciso equilibrar de maneira real a divisão de gênero, dando mais relevância para personagens femininas. Dando mais falas também.

Apesar do que os homens machistas nerds gostam de gritar e chorar na internet, mulheres estão longe de ser a maioria nos filmes. Na verdade nós somos apenas 22% do protagonismo em filmes de Hollywood. Então, por favor, parem que tá pra lá de feio.

Se a pesquisa tivesse feito um recorte de etnia e sexualidade dentro da representação desses gêneros binário teríamos dados ainda mais assustadores. Rogue One possui diversidade étnica… Masculina. O trailer mostra apenas duas mulheres, e as duas são brancas. Está mais do que na hora de Hollywood começar a abrir espaço também para a representação feminina não-branca. Rogue One vai ser incrível, mas teria sido muito mais incrível se tivéssemos uma protagonista feminina negra, por exemplo.

Então da próxima vez que você, homem machista chato, for chorar na internet sobre COMO AS FEMINAZI ESTAO ACABANDO COM O NOSSO [inclua aqui a franquia desejada], vem dar uma olhada nessa pesquisa e entenda como nós fomos silenciadas pelos filmes e franquias que gostamos durante tanto tempo.

Não seremos mais ignoradas. Não seremos mais silenciadas.

rogue one - i rebel

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