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Vingadores – A Era de Ultron estreia hoje nos cinemas ao redor do país, e podem se preparar porque o que não falta são explosões, lutas, super-poderes, muito chute de bundas – e problemas também.

Como todo filme com muitos personagens Vingadores sofre um pouco dessa necessidade de tentar fazer caber muita gente dentro de duas horas, não é um problema só em filmes de super-heróis, é um problemas em filmes multiplote de maneira geral. Em vingadores eu acho que, apesar de a gente sempre querer aquele minutinho a mais com nossos personagens preferidos, essa perda não é de toda problemática.

A Marvel vem construindo um Universo Cinemático, ou seja, muito do que está neste segundo filme da equipe foi plantado lá no primeiro Homem de Ferro, é um Universo até surpreendentemente coerente para o tamanho que ele vem tomando com a inclusão dos Guardiões da Galáxia, Agents of Shield e Agent Carter. A história que abre este segundo filme, e toda a história dele de maneira geral, é uma continuação, um pedaço de um arco maior. É muito legal ver os filmes entrelaçarem com Agents of Shield sem alienar o fã que acompanha os filmes mas não a série. Particularmente eu mal posso esperar pelo episódio da semana que vem. 😉

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É interessante ver como o arco de Stark, que antes era só um milionário egocêntrico, evoluiu fazendo uso desse traço de personalidade, mas o mudando, tornando-o um herói desesperado por proteção que não consegue enxergar que ele não só não está sozinho na luta, mas que existem outras opções que não a dele. Não é novidade que os grandes astros desses filmes são Homem de Ferro e Capitão América (que, aliás, me pareceu um pouco apagado neste filme), talvez isso só mude a partir do próximo filme do Capitão, Guerra Civil. Mas essa construção de personagem e de história permite que um filme como Vingadores, com tantos personagens, aconteça de maneira natural.

Mesmo tendo em mente o arco que o MCU vem construíndo o filme ainda tem muitas pontas soltas. A sequência em que Thor vai até o Dr. Selvig para que ele o ajude a entrar num laguinho da caverna perdida me pareceu bem sem sentido. Eu entendo que Thor precisava saber se o que ele viu foi um sonho ou uma visão – e faz sentido que nele, que é asgardiano e não humano, os poderes da Feiticeira Escarlate funcionem de maneira diferente – mas eu ainda não sei porque ele precisava do Dr. Selvig por lá segurando uma caixinha.Talvez para vê-loemergir sexydedentro das águas? Eu imanigo que seja uma cena que faz conexão com o próximo filme do Deus do Trovão. Aliás, vale dizer que Avengers e os filmes da Marvel de maneira geral são uns dos poucos que permitem o female gaze, com várias cenas em que Thor, Capitão América e Tony Stark são mostrados para o puro deleito feminino. Fica também a lembrança de que essas são exeções, nada comparado a quantidade de male gaze que os filmes em geral incluem de personagens femininas – vide a Viúva Negra em Homem de Ferro 2.

Rejoyce, Dr. Selig

Rejoyce, Dr. Selig

Acho que a cena mais MANO ISSO EH MUITO LOUCO do filme, a cena que me fez arrepiar, foi quando eles estavam todos em volta da “máquina do fim do mundo”, em formação e atacando e defendendo. Arrepiei. Foi realmente um daqueles momentos em que você para e pensa “Isso é real. Eu cresci e vivi pra ver esse negócio louco”. Foi lindo. <3

Apesar de ter gostado de Vingadores: Era de Ultron, e partindo da lógica de que eu posso gostar de uma coisa mas ainda sim ver seus erros e criticá-los, não tem como ignorar aquela piada de estupro que Tony Stark faz ao tentar levantar o Miijolnir – e ela pode ter passado despercebido para você. Quando Tony tenta levantar o martelo de Thor ele diz que, caso fosse herdeiro de Asgard ele traria de volta a Prima Noche. A Prima Noche ara uma lei medieval em que toda camponesa que se casava era obrigada a passar sua primeira noite sendo violentada pelo seu Senhor/Rei. E aqui entra um grande problema: Joss Whedon é um cara legal, ele tem personagens femininas animais, e ele está constantemente advogando em pró da causa feminista – mas ele não é perfeito. Se semana passada ele questionou a piada sexista do trailer do Jurassic Park (e pelo caminho acabou expondo um site nerd feminista), nesta semana ele deixou passar uma piada horrorosa que faz menção a uma das épocas em que as mulheres mais sofreram opressão. Eu constantemente me questiono sobre um texto que escrevi sobre homens feministas famosos, mas são momentos como este que me fazem achar que talvez eu realmente tenha razão. Homens são aliados importantes, mas depositar toda a fé neles é ignorar o fato de que eles não passam por tudo que a gente passa – e nunca passarão. Por essa e por um milhão de outras razões, ter mulheres trabalhando por trás das câmeras nas produções é tão importante. O roteiro pode ter mudado muito desde que Nicole Pearlman escreveu, mas é bastante óbvio que o pesa da mão feminina faz de Guardiões da Galáxia o filme que é.

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No primeiro Vingadores deixou-se implícito que havia algum tipo de ligação romântica entre a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro. Com a revelação de que Barton tem uma família inteira perdida no meio de uma fazenda, o tom da cena no filme anterior muda um pouco de direção – mas isso não apaga o fato de que lá trás era exatamente isso que o filme queria que a gente sentisse. Na época me incomodou um pouco a única mulher da equipe ter algum envolvimento amoroso com outro Vingador, sentimento esse que se repetiu em A Era de Ultron. Com um olhar mais estrutural eu até acho que o romance entre Natasha e Banner funciona de uma maneira legal. Natasha é quem vai atrás dele, são delas as investidas, os dois tem uma química legal e as cenas cômicas e românticas não me parece forçadas. Mas isso tudo não elimina o fato de que a personagem feminina mais proeminente PRECISA estar involvida com um outro personagem. É bater numa tecla tão clichê que cansa.

Não bastasse isso tudo, adivinha quem acaba raptada e precisa ser salva? Yep. Natasha. Eu honestamente não vou discorrer sobre o porque mais esse clichê é cansativo. Com tantos Vingadores disponíveis, tenho certeza que dava para escolher um outro caminho, com um outro herói sendo raptado. Mas não. Vamos raptar a mulher. Por razão de: donzela em perigo.

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Estamos constantemente discutindo o uso desses clichês, como eles são prejudiciais ou são só puro e simples machismo mesmo. Mas o problema aqui não é que eles existam, e sim que eles são usados constantemente. Agents of Shield, no episódio da semana passada, apresentou o passado de May – um dos grandes mistérios da série – e ele tem a ver com ela ser mulher e querer ser mãe. Coulson e o resto da equipe estão tentando salvar Sky de algo que eles nem sabem o que é exatamente – donzela em perigo. Natasha tem um interesse romântico. Natasha é raptada. Natasha sofre porque não pode ter filhos. Entende o padrão? Se a gente não vivesse numa realidade em que esse tipo de clichê é predominante, utilizá-los de vez em quando não seria um problema. Mas né. ¬¬

Essa semana o filme fez manchete por causa da falha dos merchandisings em incluir a Viúva Negra e mesmo a Feiticeira Escarate. Foi mais do mesmo, aquela coisa que se repete de novo e de novo e cansa pra caramba. A gente notou inclusive que a Viúva Negra não aparece na maior parte das artes promocionais espalhadas pelos cinemas – ignorando um potencial 50% do público pagante Criamos a #cadeviuvanegra numa tentativa de vocalizar a nossa insatisfação. É tão comum, e tão repetitivo. A Marvel assume uma postura que pode até ser considerada “pró-feminista”, mas erra em tantos níveis que fica difícil levar esse comprometimento com a inclusão a sério. Não basta falar sobre como você apoia a inclusão – é preciso fazer. Agent Carter e o filme solo da Capitã Marvel é um começo, mas ainda precisa de muito mais.

O Gavião Arqueiro ganhou uma família surpresa, mais desenvolvimento de personagem e foi bem bacana. Só espero que esse tipo de desenvolvimento, nesse nível, só não tenha acontecido com a Viúva Negra porque vai sair um filme solo da personagem. Sonhar a gente pode.

Sabe como é, ninguém vai querer um Action Figure da Viúva Negra. ¬¬

Sabe como é, ninguém vai querer um Action Figure da Viúva Negra. ¬¬

Os Vingadores ganharam três novos personagens: Feiticeira Escarlate, Pietro e Visão. Acho que a morte de Pietro pegou todo mundo de surpresa, não dava pra esperar que eles fossem colocar um personagem de peso como ele e mata-lo logo na primeira missão. Acho que isso talvez faça parte de um plot em que a Feiticeira Escarlate enlouquece de vez, já que nos quadrinhos sanidade mental não é lá o seu grande forte, mas aí já é especulação. Os dois irmãos, de maneira geral, não foram vitais para o desenvolvimento do plot, foi mais uma apresentação com algum desenvolvimento de personagem – a mudança de lado deles acontece de maneira razoavelmente natural. Eles são dois órfãos desorientados que, ao perderem um líder, procuram por outro, o chato é que o outro líder é tão ruim quanto o primeiro. Ao se darem conta do plano de Ultron, eles mudam de lado. É legal, é interessante, é esperar para ver qual vai ser o papel da Feiticeira nos próximos filmes.

De maneira geral Vingadores: Era de Ultron é divertido, com personagens legais, que erra na mão na quantidade exagerada de humor (o Ultron perde muito do tom ameaçador lá pela metade do caminho, quando começa a fazer piadinhas demais), tem uns fios soltos que provavelmente vão se fechar em outras produções, mas é um bom filme. Com a bendita piada de estupro, e todos os cliches machistas, o filme também é um reflexo da atual fase das HQ’s e das adaptações: tenta-se fazer melhoras, mas ainda há muita coisa sendo feita da maneira errada. Essa mesma sensação, mas num tom mais positivo, fica com o final quando, no melhor clima Academia Xavier para Alunos Super-Dotados, o Capitão América e a Viúva Negra recepcionam os novos Vingadores: Visão, Feiticeira Escarlate, Maquina de Guerra e Falcão. A gente ainda tem muito chão até chegar ao mundo mágico da representação de gênero, etnia e sexualidade – mas parece que estamos no caminho certo.

Vamos todos observar a lindeza que é esse enquadrameto.

Vamos todos observar a lindeza que é esse enquadrameto.

Avante, Vingadores.

 o/

Comentários rapidinhos:

  1. O Visão estava menos pior no filme do que nas fotos de divulgação – o magenta da pele não me incomodou tanto quanto eu esperava. Mas eu também não fiquei muito eufórica com a participação dele.
  2. Como não amar os sotaques Russos?
  3. Eu honestamente tinha esquecido que o Homem de Ferro e o Hulk brigam. A cena é desnecessariamente longa e, ao invés de desenvolver a trama, parece estar lá só para exibir os novos brinquedos do Stark.
  4. Porque quando a voz é masculina ela tem um nome, e Vanessa vira “Friday”? WTF?
  5. Cansei do Thanos. Pode mudar as cenas de fim de filme?
  6. Olha, Wakanda.
  7. Tô achando cada vez mais que o Homem de Ferro vai aparecer nos próximos Guardiões da Galáxia. É um feeling.
  8. Não entendi o porque das luzes no cabelo da Feiticeira no fim do filme, mas ok.
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