Durante anos nós vimos histórias de humanos e dinossauros convivendo natural e erroneamente, como se historicamente eles tivesse, de fato, ocupado a terra durante o mesmo período de tempo (ou por causa de viagens no tempo), em o Bom Dinossauro a premissa é outra: E se o meteoro que extinguiu os dinossauros não tivesse caído na terra? E se os dinossauros continuassem vivos quando os humanos começavam a se tornar homo sapiens?

De acordo com o filme os dinossauros seriam fazendeiros e os humanos seriam bichinhos de estimação. Arlo, o protagonista do filme, é o filho mais novo de uma família de fazendeiros de milho preocupados com o inverno. Um apatosauro pequeno e frágil, Arlo tem dificuldades para deixar a sua marca no mundo, algo que a família, apesar de muito amorosa com o caçula, valoriza bastante – ele tem medo de galinhas, o que torna a simples tarefa de alimentá-las numa perigosa aventura.

O Bom Dinossauro bebe mais do que deveria de O Rei Leão. Apesar do filme ter a sua própria história de amizade entre Arlo e Spot (o humano que de peste de plantação de milho evolui para bichinho de estimação), não dá para não ver correlações entre os dois filmes que acabam prejudicando o lançamento. Na trajetória de Arlo buscando o caminho de volta para casa ele encontra não um, mais dois trios de vilões que se assemelham muito às hienas do clássico Disney: a presença de um líder supostamente mais inteligente, uma personagem feminina e o personagem que só sabe morder a pata. Essas semelhanças me fizeram cansar um pouco do segundo ato do filme, a impressão que fica é que mais um tratamento de roteiro teria resolvido esses excessos.

Apesar das falhas da história, o filme entrega momentos verdadeiramente emocionantes – o clássico chorinho Pixar vai acontecer – e bons momentos de comédia também. Destaque para o líder de um dos bandos de vilões do filme, Fulano, que parece ser uma brincadeira com os líderes de cultos religiosos.

O Bom Dinossauro é um deleite para os olhos. A perfeição dos cenários de fundo do filme é tão grande que parece de fato que você está “de volta” ao período Jurássico. O realismo do cenário contrasta com um desenho mais irreverente e estilizado tanto dos dinossauros quanto dos humanos, lembrando ao espectador de que, apesar da qualidade da animação, esse é um mundo fantasioso. Isso não só ajuda a manter a suspensão de descrença como também ajuda a balancear a tragédia na história de Arlo com o tom bem humorado do filme.

Apesar de ter gostado do filme de um modo geral, algumas coisas me chamaram a atenção. O Apatossauro é um dinossauro encontrado na América do Norte, região na qual a população nativa tem cabelos negros e pele escura mas, tanto Spot quanto os outros humanos que aparecem, tem a pele clara. Uma família humana e chega a ser loira do tipo escandinavo. Teria sido muito mais legal vermos uma família de nativo-americanos naquele momento, o mesmo vale para o Spot.

Sempre que vejo esses vários filmes sobre amizade entre duas pessoas (ou animais com personalidades humanas, nesse caso), me pergunto porque uma delas não pode ser uma personagem feminina. A idéia de ter um humano como animal de estimação é muito divertida. Spot é um animal meio selvagem meio domesticado, que demonstra carinho por Arlo e os dois tem uma verdadeira amizade. Não vejo impedimentos para nem Arlo nem Spot serem, pelo menos um deles, uma personagem feminina.

O Bom Dinossauro não é Divertida Mente, mas entrega um filme divertido, emocionante e com imagens espetaculares, contando a história de um garoto dinossauro aprendendo a enfrentar a vida, os seus medos e formando vínculos de amizades inesperados.

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