Teve uma época que cinema e pipoca custavam centavos. Meus pais sempre comentam como juntavam dinheiro para ir ao cinema no fim de semana – eles não nasceram classe media, como eu nasci. Meus avós foram professores, por parte de pai imigraram da espanha, por parte de mãe, meu avô foi o primeiro da família a ir para a universidade. Se o cinema custasse na época os 25 reais que uma inteira custa hoje, talvez meu pai nunca tivesse assistido Daniel Boone, talvez eu não me chamasse Rebeca e talvez ele não tivesse desenvolvido o gosto por história que desenvolveu.

Essa semana o Haddad, prefeito de São Paulo, lançou um programa que vai levar salas de cinema a periferia. Eu lembro na época da mobilização para não desativarem o Belas Artes, e posteriormente quando ele foi reativado, que rolou uma discussão entre meus amigos se era necessário mesmo ou não. Um dos argumentos mais forte foi que toda a renda que foi usada para reestabelecer um cinema de arte na região da paulista (que já conta com três), podia ter sido usada para abrir sala(s) de cinema na periferia.

Eu sei que a imagem é clichê. Mas né.

Eu sei que a imagem é clichê. Mas né.

Cinema é arte, e arte educa.

Mas a gente sabe que o cinema de arte, por mais legal que possa ser, não é o tipo de cinema que atrai a maioria das pessoas – incluindo essa que escreve. A intenção com esse projeto da prefeitura de São Paulo não é criar redutos ou guetos, é colocar cinema ao alcance financeiro de todos. Cinema é caro, o ingresso é caro. Tudo que envolve cinema é caro.

O cinema não é só pra você.

O cinema não é só pra você.

Redes como o Cinemark fazem promoções em que colocam o ingresso à 1 ou 2 reais, chamando um público que normalmente não teria condições de frequentar seus cinemas, já que assistir ao filme não é só entrar na sala, envolve transporte e muitas vezes alimentação. Esse tipo de iniciativa tem que ser celebrada porque mesmo que o filme seja Zarabelle XXII, entrar em contato com cinema é uma coisa positiva, é uma experiência que pode ajudar a mudar perspectivas. Quando é um festival de cinema nacional, latino americano ou infantil então, não tem melhor jeito de fomentar o consumo interno de cinema e cultivar uma geração interessada pela arte cinematográfica.

O que falta ao cinema agora é criar mais personagens que refletem a periferia e a pobreza sem se basear nos estereótipos negativos que se repetem ad infinitum tanto no cinema de arte, quanto no cinema mainstream.

Cinema não deve ser uma coisa relegada à classe A e B, cinema tem que ter alcance em todas as classes sociais. E quando ele alcança a gente devia estar comemorando, não ficando com medo.

%d blogueiros gostam disto: