Hoje, durante a E3, a Nintendo apresentou o lindíssimo trailer do jogo The Legenda of Zelda: Breath of The Wild (A Lenda de Zelda: Sopro do Selvagem/Bravio, em tradução livre). Hoje também o site GameSpot publicou parte de uma conversa com o produtor da Nintendo, Fiji Aonuma, em que ele foi questionado sobre a possibilidade de Link ser uma personagem feminina no novo jogo. Aonuma acabou revelando que houve conversas sobre Zelda como protagonista, mas elas foram descartadas.

“Nós pensamos sobre isso, e decidimos que se nós fossemos ter uma protagonista feminina, era mais fácil que Zelda fosse a personagem principal. Mas se nós tivéssemos a Princesa Zelda como a personagem principal, então o que Link iria fazer? Levando isso em consideração, e também a idéia do equilíbrio da Triforce, achamos melhor manter o modelo original.”

Como bem disse o The Mary Sue, esse comentário inteiro se resume à uma frase: “E os homens?”

Além de ser decepcionante pensar que foi considerada e descartada a idéia de dar o protagonismo de um jogo chamado “A Lenda de Zelda” para, bom, A ZELDA, ver que a justificativa para tal se resume à uma preocupação com o papel masculino no jogo só deixa tudo ainda mais decepcionante. Link foi protagonista de absolutamente todos os jogos da série até aqui e, mesmo quando Zelda ganhou uma participação mais ativa em Ocarina of Time, ainda sim existiu a necessidade de criar um alter-ego masculino para a personagem (Sheik). Mulher pode sentar e esperar ser salva, homem não.

Teria sido incrível ver a Princesa Zelda, que há tantos anos cede o nome para a série, ocupar uma posição mais ativa como protagonista da sua própria história. E teria sido interessante também ver Link ocupar um papel menos tradicionalmente masculino, precisando quem sabe ele ser resgatado pela princesa que ele tantas vezes já resgatou. Além de apontar para o fato de que o personagem que fica esperando socorro normalmente não é tão bem trabalhado quanto o herói, o comentário de Aonuma também mostra quase uma preguiça criativa de construir uma narrativa que seja interessante para Link, mesmo ele não sendo o herói da história.

“A mais a triforce” – não seria alterada caso Link fosse o resgatado, nem caso o Link fosse na verdade, A Link.

Link não é exatamente um personagem “másculo”, não dentro dos padrões de heróis fortões de video games, e nada em sua narrativa que diga que o herói da história não poderia ser uma personagem feminina. “Link” também não é exatamente um nome masculino e, a simples decisão poder escolher o gênero do personagem, já teria aberto grandes caminhos para uma representação de gênero mais ampla.

É uma pena que os desenvolvedores pareçam ainda se prender à velha estrutura de “garoto salva garota”.

 

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