Este último ano foi cheio de mulheres reais e ficcionais que marcaram se espaço no mundo do entretenimento. Fazer uma lista com apenas algumas delas me parece extremamente injusto, mas selecionei algumas das mulheres que me inspiraram em 2015! Com certeza acabei deixando alguma de fora.

Agent Carter

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Agent Carter abriu o ano com uma das séries mais divertidas da Marvel. Peggy começou sua carreira no MCU como interesse romântico, passou à protagonista de curtas e finalmente ganhou o destaque que sempre mereceu: uma série só para ela. Carter é eficiente, chutadora de bundas, feminista, forte, complexa e tudo aquilo que a gente ama numa protagonista bem desenvolvida. Foi um começo de ano perfeito para um 2015 cheio de mulheres poderosas.

Furiosa e as Guerreiras Vulvalinis.

Mad Max: Estrada da Fúria demorou cinco anos de filmagem pra ficar pronto, e se eu tivesse que esperar mais cinco para receber o filme que a gente recebeu esperaria de bom grado. Além de ser um filme de ação esteticamente maravilhoso, Mad Max trouxe Furiosa e as Guerreiras Vulvalini. Mulheres que lutam contra um regime patriarcal extremo, que resgatam outras mulheres e que levaram a representação feminina em filmes de ação para um outro nível. A história dessa mulheres se apoiando mutuamente contra um regime tirano e misógino fez meu sangue vibrar de felicidade. Furiosa não é só uma mulher poderosa, ela é uma mulher deficiente física e as Guerreiras Vulvaline são, em sua maioria, mulheres mais velhas e idosas, desafiando todo tipo de estereótipo feminino em filmes de ação.

Ava Duvarney

A primeira mulher negra a ter um longa-metragem indicado ao Oscar sempre deu declarações tão perfeitamente pontuadas, sem fugir dos questionamentos racistas e machistas e jogando na cara inclusive de diretores consagrados (Tarantino, estou olhando para você) o quão despreparados eles estão para lidar com uma mulher negra e empoderado. Ava começou o ano não sendo indicada ao Oscar e terminou como uma das grandes mulheres inspiradoras de 2015.

Katniss Everdeen

2015 marcou o fim da franquia Jogos Vorazes nos cinemas e Jeniffer Lawrence nos entrou novamente uma atuação incrível. Neste quarto filme vimos Katniss enfrentar uma guerra e tomar a decisão difícil: conseguir vingança ou cortar o mal pela raiz? Por mais dúbia que seja a escolha de matar a Presidente Alma, Katniss fez aquilo que ela sempre fez: colocou o seu bem estar depois do dos outros – nesse caso Panem as crianças da capital. Foi uma despedida muito boa para uma personagem incrível.

Jessica Jones

Considerada por muitos a melhor personagem feminina de 2015, Jessica apresentou um lado completamente diferente das super-heroínas tradicionais. Boca suja, mal-humorada, egoísta e arrogante, Jessica é também sobrevivente de abuso sexual e psicológico, fazendo a sua jornada um alento para tantas mulheres que passaram pelo mesmo. Poucos produtos culturais conseguiram levantar o nível de discussão sobre violência contra a mulher da maneira que Jessica Jones conseguiu.

Amandla Sandberg

Depois de publicar um vídeo na internet em que falava sobre apropriação cultural, Amandla se tornou um símbolo de uma nova geração garotas feministas negras. Ela é involvida com o programa No Kid Hungry, que luta para acabar com a fome de crianças americanas, além disso ela está trabalhando no seu título de estréia como roteirista de quadrinhos. Junto com Sebastian Jones Ashley A. Wood, o título se chamará Niobe: She is Life, sobre uma adolescente negra meio-elfa, profetizada a salvadora de Asunda. Não tem como não acompanhar os passos dessa menina e não ficar inspirada.

Nomi/Jamie Clayton

Aqui eu abro uma excessão e coloca tanto atriz quanto personagem. Nomi pegou na nossa mão e nos ensinou tanta coisa sobre empatia e amor que fez muita gente perder o rumo. Jamie fez exatamente a mesma coisa, discutindo e comentando todo tipo de assunto e dando mais espaço para mulheres trans na grande mídia – além de ser um poço de simpatia sem fim durante sua rápida passagem por São Paulo. São, personagem e atriz, inspirações para que a gente aprenda a amar mais e julgar menos, a entender ao invés de odiar e a simplesmente aceitar que com mais diversidade nós temos uma vida mais completa.

Viola Davis

Além de viver a fabulosa Annalise, uma das personagens femininas mais complexas que eu vi na televisão nos últimos anos, com tantas facetas e tantas camadas de personalidade que deixam o meu coração de roteirista chorando sangue querendo saber como conseguem desenvolver essa maravilha, Viola ainda deu um discurso incrivelmente empoderado e verdadeiro na entra dos Emmy. Num daqueles momentos que me fazem engasgar só de lembrar, ela lembrou a todos que assim como ela outras mulheres negras podem chegar até onde ela está, mas que é preciso criar oportunidades para isso. Um chute de maravilhoso nos que acreditam na meritocracia, e uma inspiração para quem quer abrir essas oportunidades e para as mulheres negras que procuram essas mudanças.

Supergirl/Melissa Benoist

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Uma das coisas mais legais da série é o quanto a atriz está absolutamente no clima dos fãs e da representação feminina positiva. Melissa e Supergirl são uma visão diferente das outras heroínas que vimos por aqui. Apesar de forte e de estar se mostrando uma personagem complexa, Kara é também o ápice do girl power: fofa e delicada. Transformando o que poderia ser uma representação falha em empoderamento de um monte de meninas, Supergirl vem marcando presença com muito êxito no meio dos super-heróis da televisão.

Lana Wachawski

Diretora e criadora de Sense8 Lana, junto com seu irmão, criou a série mais inspiradora de 2015, uma série que fala e discute sobre empatia o tempo todo, mostrando que todos somos um só, uma única humanidade com diversos tipos diferentes de pessoas e personalidades. <3

Kaol Porfírio

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Não tem como não amar os desenhos e o discurso inspirador dessa ilustradora e game designer brasileira. Com um trabalho que inspirou milhares de garotas, o Fight Like a Girl, Kaol procura mostrar todo tipo de personagem feminina, fazendo o que muitas pessoas se recusam a fazer: pesquisar e procurar saber sobre aquilo que não conhece. Caminhar em eventos nerds, ou simplesmente pela rua num dia normal, e ver meninas e mulheres caminhando por aí com as camisetas de seu trabalho reafirma que o nosso caminho é longo mas vai continuar constante. o/

Samie Carvalho

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Essa quadrinista incrível, responsável pela Sasha, The Lioness e pela Amanda, a Garota Cientista, foi uma das mulheres que mais me fizeram pensar sobre os meus próprios privilégios – além de ela super geekout comigo também! Maior ainda foi a minha felicidade quando ela topou participar comigo do Que Diferença Faz. Se você ainda não acompanha o trabalho dela, acompanhe já! \o

Marcela Nogueira

Todos os jovens que permaneceram nas escolas Ocupadas de São Paulo lutando por um futuro melhor, pelo direito à uma educação de qualidade merecem palmas, abraços e todo o nosso apoio. Mas Marcela virou um símbolo. Seja na imagem de punho levantado ou segurando a cadeira escolar que o policial tenta levar embora, Marcela gritava palavras de ordem numa aula no meio da avenida. São essas meninas (e meninos) que vão fazer do nosso futuro um lugar melhor, e eu sei que soa clichê, mas é isso mesmo. Vê-los lutando por esses direitos me faz acreditar que vamos em frente.

Jarid Arraes

Escritora e jornalista, Jarid Arraes me chamou atenção para um tipo de literatura tão pouco apreciada pelo grande público, os cordéis. Foi através de seus comentários em posts de conhecidos, através dos textos no Brasil Post e dos cordéis que eu fui me educando cada vez mais sobre a realidade da mulher negra tanto no mundo real, quanto na fantasia. Ela lançou As Lendas de Dandara esse ano, um livro que mistura fantasia com a história de Dandara. Jarid é um talento nacional a se acompanhar, uma inspiração para qualquer escritora e jornalista.

Rey

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Já falamos loucamente sobre o quão maravilhosa a Rey é. Essa semana teve gente dizendo que ela era uma Mary Sue (termo usado para definir personagens unidimensionais que são bons em tudo – mas que só é utilizado quando a personagem é feminina), então vamos relembrar mais uma vez porque Rey é a heroína de Star Wars (e do sci-fi) que a gente tanto precisava, nas palavras da Clarice: “Ela não é o interesse romântico, ela não é a coadjuvante, ela não passa por situações machistas para o desenvolvimento de nenhum outro personagem. Rey é Rey, e é isso que ela precisa ser, não uma mulher que se encaixe em um padrão específico, ela é uma personagem que foge dos estereótipos, uma protagonista em um gênero com muitos fãs machistas e poucos espaços para mulheres.”

Essa foi a minha lista, nunca completamente perfeita porque num ano com tanta mina incrível é impossível. E aí? Quais mulheres foram inspiradoras para vocês em 2015?

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