Esta semana, enquanto esperava a sessão de Guardiões da Galáxia Vol. II começar, eu comentei que precisava ficar de olho na cabine da Mulher-Maravilha – taí uma cabine que eu não quero perder. Me perguntei que dia o filme lançava e, com isso, me dei conta que quase não vejo promoção do filme por aí. Hoje de manhã me deparei com esse texto do The Mary Sue e minhas dúvidas foram respondidas: eu não sou a única que está querendo saber porque diabos o marketing de Mulher Maravilha está quase inexistente.

Vivian Kane, no The Mary Sue, aponta algumas diferenças bem gritantes:

Olha o canal da Warner Bros no Youtube. A página de Batman v Superman tem 30 vídeos, aproximadamente metade deles tinha saído antes do fim do mês anterior ao lançamento do filme. Quase dois meses antes de Esquadrão Suicida sair, a sua página já tinha quatro comerciais de TV diferentes.

Um mês antes do seu lançamento, Mulher-Maravilha tem cinco vídeos no seu canal de Youtube. Dois deles são trailers do ano passado, e dois são experiências Google VR sobre a arte. Gal Gador está na capa da Empire Magazine com o uniforme completo , a na revista W vestida normalmente.

Desde a publicação da matéria pelo The Mary Sue, a Warner adicionou mais três vídeos ao youtube da MM, somando um total de 8. Eu sei que todo mundo fica cansado da quantidade de vídeos, fotos e todo tipo de imagem promocional dos filmes, mas a questão é exatamente essa. Ninguém aguentava mais escutar sobre todas os impropérios que o Jared Letto fez a equipe de Esquadrão Suicida passar, tinham tantos comerciais de TV que a sensação era de não precisar ir ver o filme no cinema, Batman v Superman bateu tanto na briga dos heróis que quando ela veio no filme foi quase decepcionante. Eu tenho visto mais sobre Liga da Justiça, que sai só no final do ano, do que sobre a MM.

Tem que ter coragem pra ser protagonista feminina em universo dominado por homem.

Alguns meses atrás a BoxOffice Pro fez a primeira expectativa de público do primeiro fim de semana da Mulher-Maravilha: 83 Milhões de dólares – bem menos do que a previsão de outros filmes do DCU. Homem de Aço tinha 116.6 Milhões, Esquadrão Suicida tinha 133.6 Milhões e Batman v Superman tinha 166 Milhões. Tem algumas coisas para serem levadas em consideração aqui.

O DCU está longe de ser considerado um universo de qualidade – apesar dos ganhos imensos na bilheteria os filmes fizeram menos do que se gostaria, e foram destruídos pela crítica especializada. Mulher Maravilha vai ser o quarto filme da DC, o quarto do mesmo universo já tão problemático, é de se esperar que os números sejam menores.

Dito isso, eu não consigo achar que essa diferença de 33 Milhões entre MM e Homem de Aço, um filme de 2013, não tem a ver com o fato de Mulher Maravilha ser um filme de protagonismo feminino. O mesmo pode ser dito sobre a falta de marketing com que o filme vem sofrendo há um mês do seu lançamento. Estamos em 2017, depois de Star Wars: Force Awakens, depois de Rogue One, depois de Mad Max e de todos os Jogos Vorazes, você esperaria que Hollywood tivesse entendido que filmes com mulheres protagonistas fazem dinheiro. Não foram os bonecos da Rey que encalharam nas lojas, foram os bonecos do Kylo.

A tão sonhada adaptação da Mulher Maravilha para o cinema sofre com a desculpa esfarrapada de que é “um filme difícil de se fazer, complicado” desde antes da DC pensar em criar um Universo Cinematográfico como o atual. Parece que a mesma retórica machista, sustentada numa lenda de que mulheres não curtem super-heróis e de que homens não vão ir ao cinema assistir um filme de protagonismo feminino, agora sustenta a falta de marketing do filme. Será mesmo que eles não sabem como fazer o marketing para o filme da super-heroína mais conhecida do mundo? Será mesmo que eles não sabem vender uma das integrantes da droga da tríade dos quadrinhos?

Patty Jenkins e Gal Gadot tem se esforçado para falar o tempo todo sobre Mulher Maravilha, é muito legal ver o quão empolgadas com o filme elas estão, com a diretora inclusive já tecendo considerações sobre o que ela gostaria de ver numa sequência dele. Gal publica fotos com camisetas da MM, fala sobre o filme, sobre como a personagem é uma inspiração. Patty ficou, inclusive, rodeada de cosplayers da MM e foi puro amor. Existe uma promoção para que um fã vá ao tapete vermelho do filme – mas onde está o resto?

Se você acompanha o Collant você sabe que por mais animada que eu esteja com o filme da Mulher Maravilha, eu também estou receosa. Patty Jenkins é uma diretora muito competente, mas qualquer coisa que tenha o dedo do Snyder me faz tremer de medo de ser ruim. Dizem que MM vai ser o primeiro filme realmente bom do DCU, e eu espero muito que isso seja verdade. Inclusive acho que um dos pontos de marketing que está faltando é exatamente usar o filme como um recomeço, uma fase 2, que seja, dos filmes da DC. Vou estar lá, ingressos comprados pra pré-estréia, fazendo fila em cabine e provavelmente gastando dinheiro em suvenir.

Mas nada disso vai adiantar se a Warner não acordar e não der à MM o mesmo tipo de campanha de marketing que Esquadrão Suicida ou Batman V Superman teve. Porque eu sou o público que vai sempre ver esses filmes – eu sou o público garantido. E se tem uma coisa que quem trabalha com cinema sabe, é que se você não colocar dinheiro na divulgação do filme (muitos filmes tem quase o mesmo orçamento de produção para o marketing), então só um milagre dos deuses pra fazer seu filme estourar. Eu acho que Mulher Maravilha tem potencial para superar as mais otimistas projeções do Box Office, mas pra isso a Warner precisa fazer a parte dela. Depois não me venham dizer que filme com protagonismo feminino não vende, que diversidade não vende. Por Hera que eu chuta a cabeça de quem falar isso.

Mulher Maravilha estréia dia 2 de Junho no Brasil.

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