Quando eu saí do cinema a primeira vez que assisti Mulher-Maravilha (eu tô indo pra terceira hoje mesmo), saí com uma pulga atrás da orelha: o que diabos o personagem Chefe (Eugene Brave Rock) tinha dito para Diana quando os dois se encontraram. Ele não fala inglês, mas ela responde em inglês. Eu não sabia que a resposta seria uma coisa tão legal.

Vincent Schiling, no Indian Coutry Today, um site que procura promover e celebrar as nações Nativo Americanas dos Estados Unidods, publicou sobre Mulher-Maravilha e o personagem Chefe. É muito legal ver a preocupação que a produção teve com os detalhes dessa representação, tantas vezes ridicularizada, e a liberdade que foi dada ao ator para construir seu personagem. E é muito legal ver o impacto que os detalhes podem ter.

O que eu não esperava era ser acometido de emoção quando o personagem de Eugene Brave Rock, Chefe, conhece a Mulher Maravilha, que é espetacularmente interpretada por Gal Gadot. Por que? Suas primeiras palavras para ela foram em Blackfoot. Ainda melhor, ele se apresentou como Napi, o semi-deus Blackfoot que é conhecido por ser um trickster e contador de histórias.

Eu tinha visto algumas pessoas reclamando que “não tinha razão pra ter aquele índio lá”, que ele só estava lá pra usar o sinal de fumaça. Mas é incrível como a representação mora nos detalhes, e é incrível como é importante pesquisar antes de falar besteira.

Vincent continua:

Esse garoto nativo que ama quadrinhos transformado em Nerd nativo, raramente viu uma representação bem feita no mundo dos quadrinhos. Mas aqui estava Eugene Brave Rock em 3D, 20 pés de altura, sua voz enchendo o cinema IMAX. Eu estava impressionado.

Eugene Brave Rock é um ator e stunt veterano, com diversas passagens por filmes de Hollywood. Em outra oportunidade, ele já havia contado sobre como Patty Jenkins, e a equipe criativa do filme, havia dado liberdade e respeito para o ator no set.

A DC realmente me deixou ter uma voz. normalmente filmes tem muitos “faça isso, não faça isso”e eles dizem que você tem que fazer algumas coisas de uma certa maneira. Mas nesse caso, até o guarda roupa, foi incrível. No final eles me deixara decidir bastante sobre o meu personagem. Anteriormente, filmes me diziam até como eu tinha que trançar o meu cabelo, e você não tem uma escolha – mas esse não foi o caso.

Eu sempre vou querer que esses personagens estejam cada vez mais nos centros das histórias, então acredito que ainda existe um longo caminho até que nós fujamos do padrão branco de protagonista. Mas vou deixar o próprio Vincent Schiling falar sobre a importância do Chefe no filme.

Eu estava cheio de orgulho e lágrimas de felicidade enquanto assistia ele [Eugene Brave Rock] atuar de uma maneira que ia trazer admiração e respeito para seus fãs, seu povo e as culturas do Indian Country. Seu personagem podia ter saí de cena naquele momento e eu já teria ido embora feliz.

Aí algo mágico aconteceu: Brave Rock continuou a ter um papel significante no filme. Eu assisti admirado como uma pessoa do meu povo continua a atuar heroicamente em um filme incrível.

Até mais!

 

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