Seja no ambiente corporativo, seja em mesas de discussões, em eventos ou mesmo na internet, as mulheres sempre são interrompidas. E pode parece inofensivo, e você pode dizer que caras também interrompem caras e mulheres também interrompem mulheres. Mas não é a mesma coisa.

Porque quando nós falamos há sempre a dúvida de que estamos certas. Quando um homem fala, todos acreditam. A mulher é culturalmente desacreditada e silenciada.

Alguns anos atrás o showrunner da série The Shield, Glen Mazzara, notou que, quando a mesa de roteiristas se reunia para discutir os episódios da temporada, as roteiristas mulheres ficavam estranhamente quietas. Quando ele as questionou em particular sobre isso elas disseram para ele observar o que acontecia quando elas falavam. Quase todas as vezes em que uma delas falava, elas eram interrompidas, descreditadas e impedidas de terminarem a sua apresentação. Quando uma tinha uma boa idéia um roteirista homem passava por cima e se apropriava da ideia.

Infelizmente isso se repete em quase todos os espaços. Acontece bastante inclusive quando a gente fala sobre feminismo: uma mulher fala e a reação é “exagero”, “feminazi” ou mesmo nenhum tipo de reação. Um homem fala e a reação é “grande cara”, “corretíssimo”.

Manterrupting no seu melhor momento.

Manterrupting no seu melhor momento.

Nós, mulheres, temos a tendência a nos silenciarmos também, somos mais tímidas e apreensivas sobre como nossas ideias vão ser entendidas e aceitas. Num artigo do New York Times, Sheryl Sandberg e Adam Grant falam sobre isso. As críticas, quando direcionadas ao trabalho feminino, costumam ser muito mais duras e ridicularizantes, somos muitas vezes desacreditadas apenas por sermos mulheres. Com isso nós nos retraímos, ficamos com medo de falar de novo e, muitas vezes, simplesmente abrimos mão dos nossos créditos. Entramos numa espiral de dúvida e baixa estima. E se questionamos o que aconteceu, muitas vezes achamos que estamos paranoicas.

Então se um cara interrompe uma mulher no meio da sua fala, chamamos de manterrupting ou, numa tradução livre, homenterrupção. Se além de interromper, ou mesmo sem interromper, um homem se apropria da ideia de uma mulher, chamamos de bropropriation ou, em tradução livre, homempropriação.

Não estou dizendo que todo cara faz isso de propósito, eu gosto de pensar que não temos tanto babacas soltos por aí. Mas isso é uma prática comum que vem carregada por anos de silenciamento, e de desconfiança da mulher. Eu posso ser formada em Cinema, ter especialização em Roteiro e, ainda sim, a opinião de um cara qualquer da internet vai muitas vezes ter mais peso do que a minha – única e exclusivamente por ele ser homem.

Baseada no gráfico que rolou semana passada sobre Mansplaning (ou homenxplicação), fiz esse, explicando para os caras como não ser esse tipo de babaca. 😉

Guia prático

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