O queridinho dos críticos finalmente está em cartaz nos cinemas brasileiros. La La Land já ganhou sete prêmios no Globo de Ouro, incluindo a categoria Melhor Filme de Comédia/Musical. Obviamente todas essas premiações criam uma hype ao redor do longa, o que já o tornou um dos preferidos de muitos.

La La Land, dirigido por Damien Chazelle, é um musical que faz uma homenagem ao jazz e também à Hollywood. O filme conta a história de Mia (Emma Stone), uma moça que está tentando seguir a carreira de atriz, e Sebastian (Ryan Gosling), um cara completamente apaixonado por jazz.

Marcando o tempo com as estações do ano, La La Land mostra como Mia e Sebastian se conhecem. Inicialmente eles não se gostam, mas a história vai caminhando e mostrando como os sentimentos deles vão mudando. Emma Stone e Ryan Gosling entregam atuações divertidas e interpretam seus papéis muito bem. Ambos os personagens são bem construídos, sabemos seus conflitos e o que eles querem da vida, portanto é divertido e até tenso ver esses dois personagens tentando conquistar seus sonhos. O roteiro também sabe balancear as cenas que trabalham a relação entre os dois protagonistas com as cenas focadas nos objetivos pessoais de cada um.

A história em geral funciona bem e tem um ritmo bom. Não há momentos excessivamente arrastados, há uma variação boa de problemas e conquistas que mantém o roteiro bem dinâmico. Eu consigo pensar em apenas uma cena que me pareceu escapar do clima que estava sendo criado. O longa também sabe colocar as cenas de música e dança nas horas certas, apesar de que particularmente achei que poderia ter mais cenas com os atores cantando.

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City of Stars, a música que mais marcou o filme, é uma daquelas que fica tocando na sua cabeça depois que saímos do cinema, mas infelizmente ela é uma das únicas que possui esse efeito. As músicas de La La Land são legais, mas não são tão marcantes quanto as músicas de outros musicais. Há também pessoas que reclamaram das vozes da Emma Stone e do Ryan Gosling cantando. Eu sinceramente não vi muito problema nisso, alguns poucos momentos o estilo de Ryan Gosling me incomodou, mas nada que atrapalhe o filme.

A fotografia e a arte do são muito bonitas, as cores combinam bastante e chamam a atenção, lembrando bem a época do cinema e da música que o filme busca homenagear. Durante as performances, a fotografia abusa de planos abertos e sem cortes para mostrar as coreografias por completo. Por mais que a parte artística esteja toda bem feita e até combinando, cria-se uma atmosfera que em alguns momentos quase esquecemos que a história se passa nos tempos atuais.

La La Land cumpre seu papel como filme. É competente, diverte, possui vários elementos legais dos musicais e passa a história e a mensagem que pretende sem problemas. É um filme bom, divertido e que vai atingir várias pessoas que assistirem. Dito isso, a hype me parece um pouco excessiva. Sai feliz do cinema, mas não é nada novo e parte do charme do filme é a nostalgia que ele causa nas pessoas. Aliás, em alguns aspectos La La Land é até muito tradicional, o que talvez explique porque tantos críticos internacionais adotaram o filme como “O Melhor de 2016”.

Os críticos de cinema dos EUA amam um filme que enalteça Hollywood e o “passado da arte”, de certa forma, e é exatamente isso que La La Land faz. Não que seja qualquer problema falar sobre isso, nem que isso faça o filme ser ruim, porque não é, mas dificilmente é algo inovador. Por mais que no personagem de Sebastian esteja mais estampado esse amor pelo “tradicional”, isso também aparece na história pessoal de Mia. Hollywood ama falar sobre como sua história é maravilhosa, mas falha em se reinventar em vários sentidos.

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Outra observação que várias pessoas fizeram é que, por mais que o filme fale sobre jazz, há poucos personagens negros e nenhum deles são tão importante quanto os protagonistas brancos. Isso é outra coisa que Hollywood insiste em repetir, inclusive o próprio Chazelle já fez isso em Whisplash.

Em 2016 tivemos filmes bons, muitos deles de alguma forma quebraram alguns padrões e tentaram trazer histórias novas com elementos mais atuais, então me parece um pouco esquisito que La La Land seja encarado como o melhor filme do ano. Como já mencionei antes, o filme é bom e a amante de musicais em mim já sabe cantarolar parte de City of Stars, mas não sei se La La Land realmente está no ponto de ganhar sete globos de ouro. Apesar de que é importante lembrar que essa premiação separa os filmes de comédia dos de drama, então talvez perto de filmes de outros gêneros, La La Land não ganhe tantos prêmios.

Apesar de em muitos sentidos o filme ser previsível, o que não necessariamente é um problema, o desfecho final me surpreendeu positivamente. Em uma história romântica que fala sobre alcançar seus sonhos, o filme entrega uma mensagem bem pé no chão e que é construída sem forçar nada. Ao mesmo tempo em que essa escolha de conclusão tenha relação com os musicais clássicos que o filme homenageia, em La La Land isso é feito de uma forma muito mais atual e menos idealizada, o que pra mim é um dos grandes pontos positivos.

Eu fico um pouco cansada de ver filmes que continuam um padrão tradicional, não tenho muita paciência para essa Hollywood que insiste em se exaltar e falar como a sua época de ouro era maravilhosa. Mas mesmo com essas ressalvas, acredito que La La Land seja um filme que vale a pena, divertido e bem feito, principalmente se você gosta de musicais ou jazz. Não é o melhor filme de 2016 e a hype dos críticos dos EUA me parece mais saudosismo do que qualquer outra coisa, mas La La Land é sim um filme bom.

Originalmente postado em Ideias em Roxo

La La Land - Cantando Estações | Crítica
70%Pontuação geral
Há pelo menos duas personagens femininas?100%
Elas conversam entre si sobre algo que não um homem?100%
Ela(s) é(são) importante(s) para a trama central?100%
Ela(s) é(são) desnecessariamente hiper-sexualizada(s)?100%
Ela(s) é(são) está(ão) presa(s) aos tropos/clichês de personagens femininas?100%
Número de personagens femininas em relação ao número de personagens masculinos.50%
Há diversidade entre as personagens femininas?0%
Participação feminina na equipe criativa central do filme.11%
Votação do leitor 10 Votos
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