Eu sempre tive paixonite por vilões. Sou especialista neles. Deus sabe quantos posters do Vegeta de DBZ eu tive na parede do meu quarto. E a fanfic que escrevi onde eu e Draco Malfoy nos apaixonávamos perdidamente? E quantos fanarts do Sasuke eu colecionei, desperdiçando espaço do computador da família? E quem não quis casar com o Zuko de Avatar que atire a primeira pedra. Animes são o que mais preenchem a lista: Ikki de Cavaleiros, Hiei de Yuyu Hakushô, metade do elenco masculino de Rurouni Kenshin, todos os personagens masculinos heterossexuais do CLAMP.

 

Meu primeiro crush. 6 anos de idade e já tinha dedo podre.

Meu primeiro crush. 6 anos de idade e já tinha dedo podre.

Durante minha adolescência, eu alimentei crush por todos esses personagens. Achava-os charmosos, misteriosos, e “adorava a cara de mau”; e como eu ficava comovida ao ver eles “mudarem” para caras legais ao serem unidos com seus pares românticos. Vegeta e Bulma então, quase chorei de emoção. Mas, onde que isso é um relacionamento feliz e saudável? Quem realmente quer ser tratada assim?

Aos 12 anos, eu acharia essa cena “fofa”, interpretando que o Vegeta não sabe como entrar em contato com seus sentimentos em relação à Bulma e por isso a afasta.

“Mas no fundo ele ama ela!”.

Atualmente, apenas acho que ela não merece esse tratamento e pode ficar muito bem sem ele. 

E essa noção absolutamente ilusória de que o comportamento dele com a mina “é diferente porque ela é especial”, é porta para o relacionamento abusivo. Muito mais provável e realista que o temperamento caótico de Vegeta resultasse em uma fatalidade para a pobre da Bulma.

E agora, Kilgrave. Parece haver uma romantização desse personagem egoísta e psicótico, e inclusive, há relatos da internet afora de fãs “shippando” ele e Jessica. Fãs compreensivelmente fascinadas pelo charme de David Tennant. Mas o Doctor tá aí pra isso, minha gente. Esse sim tem os dois Bs: Bonito e do Bem.

Não há nada de errado em valorizar Kilgrave como um vilão bem escrito, divertido e cativante. Mas desejá-lo como um companheiro são outros quinhentos. E shippar a protagonista com seu estuprador: tem que verificar esse rolê aí.

Nope.

Nope.

Tenho dois recados:

Roteristas, se querem dar complexidade e profundidade para seus antagonistas, ótimo. Passado trágico vale, assim como sentimento de não pertencimento e inadequação. Mas não façam com que eles do nada virem “do bem” através do poder do amor. Já deu dessa bagaça irrealista.

Meninas, apenas parem e reflitam. Eu sei que é divertido imaginar, fantasiar, mas garanto que  na vida real, homens assim são verdadeiras ameaças. Fomos ensinadas que podemos mudar um homem, que se doarmos nosso carinho e amor, receberemos ainda mais de volta. Que devemos nos sacrificar pelo bem de um relacionamento, que devemos lutar pelo amor, porque com isso, do dia pra noite, ele será o cara mais bacana do mundo. E né, mais fácil reunir as esferas do dragão espalhadas por São Paulo pra esse milagre acontecer.

 

 

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