Se você ainda não assistiu Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros e se importa com spoilers, acho melhor voltar aqui depois de ver o filme! 😉 Se você não se importa com alguns spoilers, eu fiz um Review em CINCO Minutos do filme, onde falo um pouco mais sobre a estrutura e os temas.

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Jurassic Park estreou em 1993 e eu fui assistir ao filme com minha família. Eu mas tinha meus 7-8 anos eu ainda não tinha estômago para a tensão que o filme construía, o que acarretou em eu trocar a sessão de dinossauros famintos por Aladdin. Assisti ao filme alguns anos mais tarde e adorei cada minuto, reassisti novamente na semana passada e de novo senti a aflição e a tensão do suspense do filme. Spielberg é gênio nesse quesito.

Um dos elementos mais legais do filme de 1993 é que ele tinha Dra. Ellie Satler, uma cientista que chutava bundas de dinossauros enquanto o seu companheiro passava pela transformação de “aprender a ser pai”. Eu lembro de achar a personagem de Laura Dearn muito legal, e adorar como ela enfrenta o Velociraptor. O mesmo com Lex, a adolescente do filme, que se coloca em perigo para salvar o irmão mais novo e era uma gênia do computador. Elas, apesar de minoria em relação à quantidade de protagonistas masculinos, eram duas representações muito positivas e divertidas. Como esquecer de Ellie dizendo “Dinossauros comem homens. Mulheres herdam a Terra.” <3 Haha

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Antes de entrarmos de vez nas personagens femininas, quero fazer um comentário sobre os dois irmãos de Jurassic World e os dois irmãos de Jurassic Park. Além da óbvia decisão de tornar a dupla apenas de garotos (talvez porque meninas não gostam de dinossauro OBEVEO), Gray, o mais novo não chega nem perto de ser tão legal quanto Tim, e em nenhum momento o incrível conhecimento que o filme diz que o menino tem sobre dinossauros aparece de fato na tela. Enquanto Lex deu reboot no parque inteiro sozinha, Zach é um adolescente pretensioso, péssimo irmão e machista. Se ao menos eles tivessem feito ele lembrar da namorada durante o resto do filme, aquela primeira cena em que ele só demonstra desdém pareceria apenas “coisa de adolescente”. Pra mim, temos dois machistinhas em construção. A tia deles salva o dia, mas o namorado dela é mais legal. Ao meu ver esses dois personagens só estão em Jurassic World por dois motivos: espelhar Tim e Lex, e auxiliar a motivação da mudança na personagem principal – o que está longe de ser legal.

Um dos maiores problemas de Jurassic World, de maneira geral, é que ele tenta o tempo todo te dizer que é um filme diferente do primeiro, mas está o tempo todo batendo nos mesmos beats de ação, só que ele esquece de desenvolver os personagens, se distancia tematicamente do filme e, nessa tentativa de se afastar, acaba acumulando um monte de clichês de representação feminina que Jurassic Park tão gloriosamente consegue quebrar.

Estreia Jurassic World e nós somos apresentados à protagonista do filme, Claire, interpretada pela subutilizada Bryce Dallas Howard.

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O filme inteiro possui quatro “personagens” femininas. Claire, sua irmã Karen (Judy Greer, de Arested Development), Vivian (Lauren Lapkus, de Orange is The New Black) e Zara (Katie McGrath, de Merlin). Se você não se lembra de todas elas, não se sinta mal, já que elas todas são boas atrizes mas subutilizadas.

Vivian é a cientista (ou controladora, quem sabe o que ela faz??) que trabalha ao lado de Claire na sala de comando. Sua cena mais memorável foi quando seu colega de trabalho Lowery (Jake Johnson, de New Girl) decide que tem o direito de beijá-la apenas porque ele decidiu ficar para trás. Quando isso acontece ela se esquiva e avisa que tem namorado, ele retruca dizendo que achava que não era sério, e ela precisa confirmar que é sério sim. Isso não te traz lembranças para toda aquelas vezes em que um babaca quis te beijar e você disse não, e ele não aceitou e aí você teve que puxar o “eu tenho namorado” para só então ele se afastar – porque você já tem dono? Eu queria que ela tivesse acertado um soco no nariz de Lowery, pelo menos assim o filme teria acertado uma vez. Essa pequena cena é um dos pontos em que Jurassic World erra tentando acertar. Eles provavelmente acharam super divertido o fora que Lowery levou, mas não se esforçaram para mudar o modo como o humor acontece.

Zara é a assistente de Claire que fica incumbida de cuidar dos sobrinhos da chefe e que desde o começo é maltratada pelos adolescentes. Além de ter uma pose de superior (o que, numa personagem feminina quer automaticamente dizer que ela é chata e arrogante), Zara está falando no telefone sobre a festa de despedida de solteiro do noivo quando os dois meninos fogem e ela os perde de vista – mulher só fala de casamento, heim? Mas não se preocupe, ela foi punida com a morte mais horrorosa de todo o filme, pior inclusive do que a do GRANDE vilão. Zara é pega por um pterodátilo, depois ela cai na piscina do dinossauro marinho, ela é recapturada pelo pterodátilo, arremessada no ar, o pterodátilo a pega de novo, e ele e ela são então engolido pelo dinossauro marinho. Eu talvez tenha descrito um ou dois momentos fora de ordem, mas quem consegue se lembrar de tudo quando uma morte é tão gráfica? Praticamente o pornô das mortes por dinossauro – o filme se diverte demais com isso e é revoltante. Zara é, basicamente, isca de peixe. ¬¬

Em algum lugar por aí, Zara morre.

Em algum lugar por aí, Zara morre.

Karen, irmã de Claire, é a mãe dos dois adolescentes do filme e meu deus ela é a representação da mãe histérica. Honestamente, eu só me dei conta de que ela e o marido estavam passando por uma separação quando Gray, o filho mais novo, começa a chorar DO NADA dentro do trenzinho. Eu acho realmente que esse filme acredita estar em 1984, porque olha, separação dos pais como tema para “motivação” de filho adolescente é tão ultrapassado quanto mãe histérica dizendo para a irmã que “um dia ela vai encontrar alguém e deixar essa vida doida”. Aliás, sobre isso.

Chegamos a Claire, a única personagem feminina a realmente ser algo como uma personagem. Para não ser completamente injusta, todos os personagens do filme são estereótipo e passam por zero ou praticamente zero transformações ao longo do filme. A única coisa diferente em Owen (Chris Pratt), por exemplo, quando chegamos no final do filme é que agora ele tem uma mina, a Claire. Owen também não parece se importar por três dos seus quatro velociraptors terem sido mortos. Mas ninguém tá punindo ele pela falta de compaixão. Só dizendo.

Claire é a administradora geral do parque, sob o seu comando estão milhares de funcionários, e sob o seu zelo estão outros milhares de turistas. Ela é uma mulher poderosa, com muita responsabilidade, e o filme não te deixa esquecer isso. Ele bate tanto nessa tecla que fica QUASE IMPOSSIVEL se afeiçoar à essa incompetente que é responsável pela morte de pessoas comidas por pterodátilos.

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O filme não poupa cenas para deixar muito evidente que Claire precisa estar em controle de todas as situações da sua vida, seja no trabalho ou com sua vida pessoal. No quesito profissional Claire é tão controladora que ela miraculosamente prevê que Lowery vai derrubar o refrigerante no chão e posiciona a lixeira exatamente onde o refrigerante vai cair! E você achando que recriar dinossauros de um mosquito era incrível enquanto a mina PREVE O FUTURO GENTE. Piadinhas à parte, no quesito pessoal temos aquela mal fadada e sexista cena que gerou polêmica com Joss Whedon no twitter – newsflash: ela não é melhor dentro do contexto do filme, na verdade ela fica ainda pior. Pra piorar, essa é a única piada que Chris Pratt possui NO FILME INTEIRO.

O filme está recheado de momentos em que Claire é apresentada como tudo que há de errado com o parque. Seu chefe, o playboy milionário Simon Masrani (Irrfan Khan, de O Espetacular Homem-Aranha) lembra Clair que ela pode sim saber como está o nível de satisfação dos animais – é só olhar nos olhos deles. Veja só, ela não se importa com os animais, para ela eles são penas números. Ela não tem sentimentos. Owen diz para Clair que ela precisa relaxar e questiona o modo como ela administra o parque um milhão de vezes, Lowery também faz questão de ser espertinho com a chefe e discursar sobre como os animais são mágicos e não são só números. Claire passa o filme inteiro sendo o punchline da piada dos personagens masculinos, com piadinhas muito sexistas que reforçam a minha sensação de que esse filme é na verdade um prequel que acontece em 1984. Você também fica se perguntando porque Owen nunca foi demitido por assédio sexual. Claire é a representação de tudo que há de errado no filme e boa parte do primeiro ato se destina a estabelecer que ela é culpada pelos problemas do parque e, honestamente, eu acho que o filme nem se dá conta que está fazendo isso.

Simon Masrani tem MUITA culpa no cartório, mas em momento nenhum o filme o apresenta como vilão. Ele tem lá a sua discussão com Dr. Wu sobre “mais dentes, monstro maior”- mas só. Ele até pega um helicóptero para tentar parar a Indominus Rex. Talvez seja o medo de usar um dos seus únicos personagens não-brancos como vilão, algo que poderia ter sido resolvido se tivessem mais etnias no filme ou se o personagem fosse bem construído. Dr. Wu tem seu ataque de “vilanice” no final do filme e banca o Dr. Frankstein, mas a verdade é que o filme não responsabiliza nenhum dos dois pelas mortes dos clientes e funcionários comidos por dinossauros. Não passa nem perto disso. O personagem de Vicent D’anofrio é apresentado como um vilão caricatural mas está muito evidente desde o começo que ele não é único culpado por toda a merda que aconteceu. Na verdade ele só tira proveito do que ocorre.

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Sobre o ˜MARAVILHOSO˜ plot dos Velociraptors como máquinas de guerra, vamos fazer um exercício: tirem essa trama do filme. O que fica? O parque está aberto, a Indominus Rex é muito mais poderosa do que se imaginava e. OH MEU DEUS. Ela escapou e está correndo em direção ao parque onde MILHARES DE TURISTAS DESINFORMADOS ESTAO SE DIVERTINDO. Não sei vocês, mas pra mim funciona melhor. 😉

Voltando para Claire. Em uma determinada cena, ela está procurando os sobrinhos perto da cachoeira e Owen diz para que ela volte, ele vai procurar sozinho pelos sobrinhos dela. Claire então desabotoa a camisa, a amarra na cintura e arregaça as mangas, querendo dizer que está pronta para continuar a busca – tudo isso com um ar de birra infantil. Essa cena se encaixaria perfeitamente em Tudo Por Uma Esmeralda, FILME DE 1984 em que Kathleen Turner é uma romancista que se envolve em altas enrascadas ao lado de Michael Douglas. EU SABIA! JURASSIC WORLD EH UM PREQUEL NUM UNIVERSO PARALELO! HORRAY.

Brinks.

Mas sério, o filme, Tudo por uma Esmeralda, é bastante divertido. Talvez tão sexista quanto Jurassic World, mas melhor escrito.

Assistam esse filme.

Assistam esse filme.

Lembra como Claire é maníaca por controle? O filme não te deixa esquecer disso em momento nenhum. Então, ela é administradora do parque, e ainda assim ela não se importou e nem quis saber que tipo de dinossauro eles estavam criando dentro do laboratório ao custo de vinte e seis milhões de dólares. Nenhum. Sentido. Com a personagem. E ao se recusar a realmente acusar Simon ou Wu pelas mortes e pela confusão toda de maneira geral, o filme não me deixa outra opção, já que ele passa tanto tempo concentrado nisso, a não ser culpar Claire por toda a destruição e todas as mortes. Além de ser controladora e incompetente, ela também não consegue se importar emocionalmente nem com os animais e nem com os turistas.

Se você assistiu ao filme, sabe a cena em que Claire chega ao local onde os turistas estão sendo atacados por pterodátilos? Lembra como Claire, Owen e as crianças entram dentro de um carro e começa a dar ré, se escondendo do ataque e não colocando mais pessoas dentro de um carro que obviamente podia abrigar pelo menos mais umas seis pessoas? Selo “você é uma péssima pessoa de aprovação”. Vingadores, mesmo o Era de Ultron, não nos deixa esquecer que pessoas estão morrendo, ele trabalha o dano colateral de uma maneira que Jurassic World não faz a menor questão. O filme de Colin Treverow não tem só uma visão do que é ser feminino ultrapassada, mas ele opera dentro de uma lógica de filmes que funcionam apenas para o espetáculo, fingindo que todos as pessoas que foram levadas embora pelos pterodátilo não morreram. É tipo a destruição de Metrópolis pelo Superman em Homem de Aço – não importa.

Entramos então na questão do arco de personagem de Claire. Uma mulher bem sucedida profissionalmente, mas que precisa aprender uma coisa ou outra sobre ser uma mulher de verdade – ela precisa aprender a escutar o seu instinto maternal. É óbvio que Jurassic World não ia deixar de culpar uma mulher bem sucedida profissionalmente por ter colocado a carreira na frente da família. É incrível como Hollywood não se cansa desse clichê. Veja bem, Claire é a chefona de um Parque de Diversões com Dinossauros – eu não sei quão difícil é administrar a Disney, mas eu imagino que ter dinossauros de verdade é o nível Hard no game de megadrive do Rei Leão (em que você tem só duas vidas e zero continues), enquanto controlar o parque do Mickey fica no nível Easy (com oito vidas e dez continues).

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Não é só Owen que faz questão de dizer que Claire é uma péssima tia, os sobrinhos também fazem isso e a própria irmã dela faz isso. Olha, eu não posso discordar que não saber a idade dos seus sobrinhos e não vê-los à sete anos sendo que você aparentemente tem uma condição financeira legal é ruim, mas o filme faz essa crítica à personagem sempre ligando ela a sua carreira. A irmã de Claire chega ao ridículo de dizer que “Uma hora você vai se acomodar”, como se essa vida bem sucedida que Claire construiu para ela fosse passageira, como se em algum momento ela fosse se dar conta do seu lugar e irá assumir o seu papel de mãe – é acreditar que o único lugar para onde uma mulher evolui é a maternidade.

Leslie Coffin, do The Mary Sue, fala muito bem sobre isso.

“Se você de alguma maneira superou os três primeiros filmes antes de Jurassic World, você sabe o destino de Ellie (personagem de Laura Dern no primeiro e no terceiro), ela deixa o trabalho para trás e se torna uma mãe em tempo integral – o que não é uma traição com a personagem porque fica bem óbvio que é uma opção pessoal dela. E Ellie acaba confirmando que a decisão de Grant (personagem de Sam Neil) por não ter filhos (um dos temas do primeiro filme) foi uma decisão dele, uma decisão que ele tinha o direito de fazer e que ninguém diz que é uma grande falha que ele precisa resolver”. E isso é o que é tão diferente aqui, no quarto e mais sexista filme da franquia. Enquanto Ellie e Grant “discutiram” se filhos seriam parte do seu futuro, Claire está sendo informada que ela quer filhos, que há algo de errado com ela por não se sentir daquela maneira.”

O filme insiste em ligar a falta de instintos maternos de Claire ao seu sucesso profissional, mostrando que boas profissionais não são boas mães, e que mães são criaturas perfeitas, e se você não quer ser mãe então você é defeituosa. Pode parecer um exagero, mas não é. Olha toda a construção que o filme estabeleceu para Claire, olha como os pontos que o filme estabelece como negativos da personagem (não ter sentimentos pelos dinossauros, não ser uma boa tia) estão sempre em contraposição à sua carreira.

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Colin Treverow respondeu ao io9 sobre as críticas que o filme recebeu por causa dos papéis de gênero e do sexismo vindo do personagem Owen em relação à Claire, e deu uma resposta típica de homem hetero cis.

Quer dizer, ele é condescendente em alguns momentos. E isso, pra mim, foi feito para colocar o foco na nossa protagonista, que é a Bryce Dallas Howard. Quer dizer, ela é a heroína do filme, e ela é a que passa por transformações. Ela passa por um arco bem grande, de ser a mulher no comando de uma empresa, com uma mentalidade corporativa, e suas necessidades estarem ligadas à essa corporação, à alguém que se livrou de todas as amarras e se tornou uma só com seu animal interior – e com o mundo natural. Ela reconhece que via esses animais como bens materiais, como números, e que eles são na verdade seres vivos que respiram. Eu acho que é um filme sobre ela encontrando a sua humanidade. E eu sempre o vi dessa maneira.

Considerar Owen “condescendente em alguns momentos” é ser muito legal com o personagem que passa o filme inteiro julgando o seu interesse romântico. Dizer que ele é condescendente como mecanismo para dar destaque à Claire funcionaria se de fato existisse uma discussão aí no meio, mas ela não existe. Não há o momento em que Claire cala a boca de Owen de maneira eficiente, há o momento em que os sobrinhos de Claire dizem para a tia “o seu namorado é muito legal”, validando o comportamento “macho” de Owen. Aliás, ele é o “alfa” da matinha de velociraptors. Say whaaaaaaat?

Se a inteção de Treverow era mostrar que Claire entrou em sintonia com seu animal interior quanto ela se deixa perseguir pelo tiranossauro mais lerdo do mundo, na tentativa de salvar os sobrinhos, ele podia não ter feito ela cair no chão e SEM NENHUMA RAZAO APARENTE fica deitada no chão com a saia rasgada só o suficiente para deixa-la sexy.

Montagem via Fusion

Montagem via Fusion

Para terminar, Treverow também disse:

Honestamente, eu acho que isso é um testemunho da minha própria ignorância sobre como as coisas podem ser percebidas – eu realmente nunca vi dessa maneira (o arco de Claire). Eu realmente não a vi como uma personagem que estava aprendendo a ter filhos. E isso nem me ocorreu. Talvez porque eu não a vejo indo embora ter filhos ao final do filme – isso não parece ser o que ela vai fazer. Mas eu escutei este argumento.

Olha, a única coisa que eu espero que aconteça com Claire ao final do filme é que ela vá presa pelo FBI pelo assassinado culposo das pessoas que morreram comidas no parque. Não é sobre o filme ser “feminista” ou não. É sobre construir uma personagem direito. Ela pode ser incompetente, ela pode ter defeitos, mas vamos não transformá-la em um grande estereótipo. Está bem evidente que Treverow não tinha a menor ideia de que quando você critica uma mulher por ter uma carreira, e mostra que ela precisa entrar em contato com o seu lado maternal para só daí salvar o dia, você está sim batendo na tecla do estereótipo.

Boa sorte da próxima vez, Treverow.

  • Puxa, concordo em partes com a crítica. Certamente a história e os personagens são muito clichês, todos personagens são rasos, muita coisa acontece porque precisa acontecer pra dar seguimento no filme, mas eu acho que assisti ele com os mesmos olhos maravilhados que eu assisti o primeiro no cinema. =) Não prestei muita atenção nessas coisas durante o filme, só depois que ele terminou eu comecei a analisá-lo e talvez por isso tenha gostado e me divertido bastante.
    Mas mesmo depois dessa análise mais bem pensada, eu ainda não acho que fica claro que a culpada é a Clair… a confusão começou com o guarda que abriu o portão da jaula da Indominus, aí que começou a caca. A Clair meio que não teve ação desse momento em diante sobre os acontecimentos. E na real eu não entendi que ela seria a responsável por tudo que acontecia no parque, tem uma parte de segurança (representada por aquele esquadrão de caça) que claramente não estava abaixo dela e sim do dono do parque.
    Enfim, visões diferentes sobre uma mesma história. 😉
    Aproveito pra falar que estou acompanhando o site há pouco tempo e estou gostando bastante, parabéns.

  • Não vi Clair (?) – que eu jurava se escrever Claire – como culpada. Não me afeiçoei a ela, mas não porque TUDO NO MUNDO ACONTECEU POR CAUSA DELA, e sim porque ela não quis aceitar ajuda, mesmo sem ter controle de tudo e coisas que ela não conhecia tão bem quanto Owen.
    No fim, está tudo bem para mim, Claire não parece do tipo que vai correr e fazer filhos, mas aprender a valorizar o que, de fato, é mais importante.
    Olha, sou do tipo de mulher que não sonha em casar e ter filhos, mas acho que, mesmo para um homem, a família ainda é mais importante. Concordo com Treverow, a mudança que Claire, a personagem principal, sofreu no filme, foi encontrar sua humanidade.
    Apenas deixando meu ponto de vista e respeitando o seu.
    Beijos!

    • Oi Mônica, valeu pela dica! É Claire mesmo! 😉

  • Osvaldo Junior

    Eu não entendi sinceramente o final!
    De onde surge aquele novo Dinossauro, e se ele já existia porque ele não foi solto antes?
    Gostaria de uma explicação, kkkk

    • jovem… era o T-Rex. De fato, escondem ele o filme todo, talvez para fazer a aparição mais épica (aí me colocam uma minha correndo dele de salto alto e estragam todo o impacto da cena).

      Tipo, ele era o vilão do primeiro filme. Não soltaram, porque bem, soltar dinossauros na esperança que eles se matem é algo bem arriscado… E o nosso bom amigo vilão-caricato-militar estava interessado nos raptores.

  • Você foi absolutamente precisa com relação a Zara. Ela morrer daquele jeito bizarramente cruel – na frente dos meninos – e ninguém pronunciar uma única palavra de lamento para morte dele é de um desleixo de roteiro imperdoável.

    Agora, com relação ao resto, acho que tem alguns exageros. Que os meninos são menos carismáticos que a dupla do primeiro filme é fato – mas até aí, os raptores do primeiro filme também são mais legais!

    São só garotos normais, com alguma complexidade e uma relação infinitamente mais bem construída do que a do casal de adultos. O mais novo é o empolgado e sentimental, o mais velho é o mini-adulto que tenta ficar indiferente a tudo que está acontecendo. Não é preciso voltar para 1984 para encontrar crianças (sim, porque o mais novo tem no máximo 12 anos, talvez menos) chateadas com o divorcio do pais. E não tinha como saber disso antes do menino falar, porque o filme não colocou isso. Aliais, a introdução do tema divorcio talvez tenha sido uma das melhores sacadas de roteiro do filme: quando os pais estão se despedindo dos filhos, o pai “que otimo ultimo cafe da manha em familia hein?”, pro espectador parece uma daquelas “profecias”, mas na verdade era ele só comentando sobre o divorcio mesmo. Quanto a mãe, não vi nada de abusivo no comportamento dela. Ela sugeriu a Claire que ainda vai querer filhos, a Claire falou “não obrigada” e a vida segue daí. Personagens são diferentes e ela nem chega a ser histérica, liga uma vez pros filhos, uma para irmã é bem razoável para uma mãe que está mandando os filhos prum parque potencialmente perigoso (para que possa seguir o tramite do divorcio sem perturbar os filhos).

    Quanto a cientista ajudante da Claire, é um personagem sem destaque mesmo com apenas uma boa fala. poderia ter mais destaque? Poderia. Poderia nem ter existido? Poderia. Cai no limbo dos personagens secundários.

    Quanto a Claire, de inicio somos apresentadas a uma personagem complexa, que tem que se equilibrar entre os caprichos do excêntrico dono parque, a dificuldade em gerenciar o parque (o que inclui lidar com informações confidencias) e a opiniões de seus subordinados. Ela ser controladora, não saber ao certo o que fazer com as crianças, contribuíam para dar profundidade a personagem. O dialogo dela com o dono do parque sobre os animais, para mim demonstra mais o quanto que o dono do parque era alienado e pouco confiável do que que a Claire era insensível (e a cena contribui para ser uma critica a ele já que ele está pilotando o helicóptero sem nem ter licença mesmo diante do desconforto dos demais, ou seja, o cara é um babaca sem noção).

    A Claire toma a única decisão acertada do filme, que é fechar todas as atrações próximas da área de ataque do dinossauro. De resto, todas as decisões erradas foram dos homens. Quem viu uns arranhões na parede e decidiu que o dinossauro fugiu pelo alto? O bonitão do Owen. Quem decidiu entrar na jaula para dar uma sondada antes de confirmar a posição do dinossauro pelo rastreador? O bonitão do Owen (o guarda gordinho certamente preferiria ficar sentado comendo o sanduiche se dessem a ele essa opção). Quem decidiu pilotar um helicóptero sem ter treinamento adequado para isso e jogar o dinossauro contra o aviário piorando muito uma situação que já estava ruim? O dono do parque. Quem decide usar raptores numa das missões mais desorganizadas de todos os tempos? O cara da Ingen.

    Se há algo que incomoda na personagem é justamente ela não tomar mais nenhuma decisão (ou seja, dane-se o perfil controlador) a partir do momento que começa a interagir com o Owen. Mas o filme não trata a Claire como vilã, nem mesmo como omissa (vide a decisão dela de desligar as atrações). Na verdade, a partir do momento que o indominus escapa, o filme para de se preocupar com o roteiro e passa simplesmente a se preocupar só com as cenas de ação. Fica tudo muito infantil, muito raso. O que é uma pena, porque poderiam realmente ter feito um filme épico (mas acabou saindo só um filme legalzinho). Mas isso atinge todos os personagens, quer dizer, o personagem do Owen é realmente muito ruim, ele é o cara que treina raptores e… e… e… e ponto. Não tem mais nada. Um vácuo completo. E apesar do plot amoroso patético entre os dois personagens, não vi uma Claire ovulando louca para ter filhos. Então sei lá… Atribuiria o filme o rótulo de roteiro ruim e não necessariamente de machismo.

  • Thaís

    Sim. Exagerou em grande parte, mas tem lá seus fundamentos. Deve ser difícil assistir um filme onde procurar por pontos sexistas supera a leveza de apenas curtir o filme. Não tiro suas razões. Muitas coisas são claras que a gente nem precisa de processar, aquela cena dela amarando a camisa me deu vergonha alheia. Concordo que existam diferentes pontos de vista. Eu não avisa percebido muitas coisas que você destacou e agora percebo, algumas concordo, outras acho que você se contradiz.

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