Estudos recentes mostram que a maioria dos gamers são mulheres. Por mais que ainda exista muita gente que insista em não acreditar nisso, dá para ver que algumas partes da indústria estão mudando para satisfazer essa parte do público. Ainda é pouco e temos muito o que melhorar, mas agora também vemos mais mulheres exigindo que as empresas de jogos pensem nelas quando criarem seus jogos.

Então se você tá afim de jogar alguma coisa que tenha uma mulher como protagonista, aí vão algumas sugestões de jogos recentes (sem spoilers!):

  • Transistor

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Transistor é um RPG da Supergiant Games lançado em 2014, disponível para PC, Mac e PS4. A protagonista Red, uma cantora da cidade Cloudbank, é atacada por robôs que servem um grupo chamado Camerata. Red consegue escapar e fica com uma espada, Transistor, que guarda partes das pessoas que foram mortas pela espada. O plano era que Red fosse eliminada com essa arma, mas não funciona e Transistor é enterrada no peito de um homem desconhecido. Ele morre e a espada absorve parte desse homem, junto com a voz de Red. O grupo Camerata quer a espada de volta e Red precisa enfrentá-los.

Como Red é uma protagonista muda, as falas do jogo ficam por conta da voz do homem dentro da espada. Isso poderia ter dado errado, mas Transistor consegue criar não só uma protagonista muito boa, como uma relação muito interessante entre o objeto e Red. Quando temos um protagonista mudo, normalmente suas ações, o falta de, são o que definem a personalidade do personagem e Transistor sabe usar isso bem.

Além de Red ser o centro da trama, o jogo é muito divertido, o universo é interessante e a história deixa pontos abertos para a interpretação do jogador. Nem todo mundo é fã disso, mas nesse jogo essa abordagem parece encaixar bem.

  • Child of Light

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Child of Light é um RPG da Ubisoft lançado em 2014, disponível para PC, PS4, PS3, Wii U, Xbox 360 e Xbox One. O jogo é uma espécie de conto de fadas que conta a história de Aurora, uma menina da Áustria em 1895, que um dia acorda em um continente fantástico chamado Lemuria. Seu principal objetivo é voltar para casa, mas para isso precisará ajudar o povo de Lemuria a derrotar a Rainha da Noite, que roubou o sol, a lua e as estrelas.

Esse é com certeza um dos jogos mais lindos que já joguei. A história é tratada com uma delicadeza que vai conquistando o jogador aos poucos. Aurora encaixa muito bem como protagonista, ao mesmo tempo em que ela funciona bem no contexto de contos de fadas, ela não é uma princesa indefesa. Ela é uma criança que vai amadurecendo e aprendendo a se defender, o arco de personagem dela é muito bem feito.

Aurora é uma personagem muito legal, mas todo o jogo é povoado por personagens cativantes e com seus próprios arcos, o que enriquece a experiência do jogo. Child of Light tem uma história divertida e cheia de reviravoltas, recomendo muito esse jogo.

  • Beyond: Two Souls

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Beyond: Two Souls é um jogo de ação/aventura da Quantic Dreams lançado em 2013, disponível para PS3 e agora tem uma versão remasterizada para PS4. O jogador acompanha 15 anos da vida da protagonista, Jodie, que está conectada a uma entidade sobrenatural chamada Aiden. Ao longo dos eventos do jogo, que não estão em ordem cronológica, Jodie vai descobrindo vários mistérios do sobrenatural.

Os jogos da Quantic Dream costumam dividir opiniões, eu particularmente adoro. Eles lidam de forma diferente com as ações do protagonista, quase como se o jogador estivesse assistindo um filme interativo. Uma das coisas mais legais de Beyond: Two Souls é ver como Jodie lida com todas as coisas estranhas ao seu redor, desde criança até a fase adulta da vida. O jogador se conecta com a personagem e o drama que ela passa tendo que dividir o corpo com Aiden.

Não é um jogo muito longo e algumas coisas não são bem acabadas, mas é uma experiência de videogame bem interessante com uma personagem bem desenvolvida, sem contar que o futuro de Jodie depende das escolhas do jogador.

  • Mirror’s Edge Catalyst

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Mirror’s Edge Catalyst é um jogo de ação/aventura em primeira pessoa da EA, lançado em 2016, disponível para PC, PS4 e Xbox One. A história acontece em uma cidade chamada Glass, no meio de um mundo distópico. O Conglomerado é um grupo de empresas que controlam a vida das pessoas naquela sociedade, mas há um grupo rebelde que vai contra os mais poderosos. Faith, a protagonista, acaba entrando na história quando encontra uma série de informações muito importantes para o Conglomerado.

Apesar de mulheres terem começado a serem o foco de distopias, isso ainda não acontece muito em videogames, e esse gênero futurista ainda pode ser muito dominado por homens, então é interessante ver Faith como a protagonista desse cenário, que corre pelos prédios, luta e faz as coisas acontecerem. Ao invés de ser uma continuação do primeiro jogo, Mirror’s Edge Catalyst busca mostrar as origens de Faith.

Apesar de muitas pessoas dizerem que o Catalyst não é tão bom quanto o primeiro título da franquia, ainda assim é um jogo interessante para quem curte o gênero, principalmente aqueles que preferem a primeira pessoa.

  • Life is Strange

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Life is Strange é um jogo de aventura dividido por episódios da Dontnod Entertainment, lançado em 2015, disponível para PC, PS4, PS3, Xbox 360 e Xbox One. A história começa quando Max, uma garota que atualmente está na faculdade, tenta impedir a morte de uma moça no banheiro e assim descobre que tem o poder de voltar no tempo. Mais tarde, Max descobre que essa moça, Chloe, é a sua melhor amiga de infância e juntas elas começam a ver as consequências de brincar com o tempo.

Já rolou crítica aqui do jogo, mas uma das coisas mais legais da história é Max como protagonista. Ela não sabe lutar e não está totalmente preparada para o que precisa enfrentar, ela é uma moça que quando percebeu, tinha um poder incrível na mão e acabou tendo que lidar com consequências que nem imaginava que existiriam. Ao longo do jogo, o jogador passa a se importar com Max e as pessoas ao seu redor, principalmente Chloe. Aliás, uma das coisas mais interessantes do jogo é a relação entre as duas.

Não só a protagonista é uma mulher bem construída, mas há muitas personagens femininas ao redor que fazem o jogo valer a pena. Não tem muita ação, mas a história e as escolhas do jogo fazem as pessoas quererem jogar cinco capítulos de uma vez.

  • Rise of the Tomb Raider (e todos os outros da série)

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Rise of the Tomb Raider é um jogo de ação/aventura da Crystal Dinamics lançado em 2015 para Xbox 360 e Xbox One, no começo de 2016 saiu para PC e ainda esse ano veremos uma versão para PS4. Nesse novo capítulo de Tomb Raider, Lara Croft procura pela cidade mítica Kitej, que de acordo com as lendas, possui segredos para a imortalidade. O jogo foi recebido muito bem pela crítica.

Lara Croft é um dos grandes ícones femininos do universo dos videogames. Os jogos da série Tomb Raider estão aí há anos, os capítulos mais recentes da franquia procuraram não só melhorar a mecânica do jogo, mas também certos aspectos da representação de Lara. Ela é uma protagonista que dispensa apresentações: passa por várias aventuras, é muito inteligente, descobre segredos antigos, enfrenta todo o tipo de vilão típico de jogos de aventura e ação… Lara Croft é sensacional.

Os jogos da franquia Tomb Raider são muito amados pelos fãs do gênero e é uma grande recomendação, não só pela personagem, mas pela jogabilidade e história. Ah, e sim, nada de “Nathan Drake ficaria orgulhoso” porque Lara Croft já estava chutando bundas muito antes dele aparecer.

As protagonistas mulheres ainda estão longe de serem maioria, mas há outros lançamentos no mundo dos jogos que deixa as fãs gamers esperançosas. Horizon: Zero Dawn, que será lançado em 2017, parece ter tudo para ser um jogo muito bom e a personagem principal é uma mulher. Há também jogos com protagonistas homens, mas com personagens mulheres muito interessantes, como é o caso de The Last of Us e os jogos da série The Walking Dead. Outro exemplo bom é Overwatch, que tem um grupo bem diverso de personagens para o jogador escolher e várias mulheres interessantes entre as opções.

Não coloquei na lista, mas também não podemos esquecer que existem jogos que permitem que o jogador escolha com que personagem jogar. O tão esperado Dishonored 2 dá a opção das pessoas jogarem com Emily Kaldwin, que inclusive é uma das personagens que mais aparece nos materiais promocionais do jogo que foram lançados até agora. Assassin’s Creed Syndicate, que também já falei aqui, apesar de alguns defeitos, também deixa as pessoas jogarem com Evie Frye.

Além desses jogos, existem aqueles que deixam o jogador montar o seu próprio protagonista, o que inclui escolher o gênero. Aqui temos alguns famosos, como a franquia The Elder Scrolls, Fallout e os meus queridinhos (que obviamente eu ia mencionar, ou você achou que não?) Dragon Age e Mass Effect. Aqui vou aproveitar e dizer que não só a Bioware dá a opção de jogar como mulher, mas a empresa tem apresentado ao longo dos anos personagens femininas incríveis.

É óbvio que a representatividade das mulheres nos jogos ainda precisa melhorar muito, por exemplo, o número de mulheres negras e LGBT+ em jogos é muito pequeno. Para que isso melhore,  é importante que continuemos cobrando, não só a representação na tela, como em mulheres participando das produções de jogos. Mas para você, que quer procurar alguma coisa mais inclusiva agora, essas são algumas sugestões que podem agradar.

Originalmente postado em Ideias em Roxo.

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