Bom, já passou um tempo da estréia da Jessica Jones e podemos falar daquilo, né? Assim, falar abertamente sobre abuso? Não ainda?
Com a proximidade do filme do Esquadrão Suicida, vamos recebendo fotos, reviews. Com a fama da personagem nos quadrinhos, tendo ganhado série própria e tudo o mais, ganhando ares de “Deadpool da DC”, ainda mais publicidade. Na CCXP de 2015 vi muitas meninas e mulheres de cosplay de Arlequina, também. Acho que foi nesse momento que comecei a pensar: “Mas vocês tão ligadas que ela é uma mulher que ficou louca de tanto ser abusada pelo Coringa, certo?”.

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Lá no começo da personagem, no desenho do Batman Animated Series, do Bruce Timm, já víamos várias cenas dela tentando receber afeto e sendo maltratada. Uma cena clássica dela de baby doll e o Coringa a empurrando de cima da mesa não sai da minha cabeça, além da vez que ele a deixou para morrer em seu lugar. Na série existe um desenvolvimento dessa relação, quando ela descobre que ficar com o Coringa a faz mal, através dos conselhos da sua grande amiga Hera Venenosa. E acaba assim se livrando da influência bizarra do cara com quem tinha um relacionamento abusivo. A ajuda e amizade de uma mulher, a sororidade, salvando a vida dela. Eu achei todo aquele arco muito foda, particularmente.

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Mas e depois, o que a DC fez com a Arlequina? Nos jogos da série Arkhan (City, Asylum, Origins) ela continua lá, do lado do Coringa, e cada vez mais sexualizada. Será que não rola falar do abuso que ela sofreu e continua sofrendo?

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“Ah, Ana, não seja chata! Não tem que politizar tudo!”, calma calma, não acho que vão escrever a Arlequina como uma vítima ou um roteiro onde ela lida com tudo que passou ao lado do Puddin. Mas precisa transformar a amizade dela em algo sexualizado também? Apenas para servir de fan service!

Ela não vira namorada da Hera pra falar sobre bissexualidade, elas ficam apenas sensualizando para marmanjo ver.

Não acho que todos os títulos com mulher tem que tratar de abuso, mas vamos lá, ela é a personagem símbolo disso. E se continuarmos a ver tudo isso e não falar nada, vamos continuar ignorando o abuso que é feito todo dia e pior, normalizando e chamando de amor. Abuso não é amor.

Um amigo falou nas redes sociais: “Você sabe que aquela cena final do Coringa, no trailer do Esquadrão, é ele torturando a Arlequina, né?”. Eu não sei se é mesmo, só depois de ver o filme saberei, mas a questão principal é: poderia ser. Nós não sabemos exatamente o que ele fez com ela. Além de abusar fisicamente (já vimos chutes, tentativas de assassinato, tapas) ele abusa psicologicamente dela, a ponto de transformar uma psicóloga em uma psicopata.

SUICIDE SQUAD

Todos nós amamos odiar o Coringa e a Arlequina é o exemplo mais clássico que temos da glamurização do abuso.

Espero que no filme do Esquadrão eles tratem dela se descobrindo independente do homem que a machuca e domina. Sei lá, custa nada sonhar.

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