Ontem de noite eu li Quando Tudo Começou, da Bruna Vieira e da Lu Caffagi e, como bem disse o moço na Livraria Cultura “os desenhos parecem feitos de algodão doce”. Fofo é pouco para descrever o quão perfeito é o traço da Lu.

Não sei dizer se é bem um quadrinho ou alguma outra forma de contar histórias que fica entre literatura, livros interativos e a nona arte, mas Quando Tudo Começou me lembrou um pouco animes Shoujo Slice of Life. Em parte por causa do desenho do quarto de Bruna (um quesito bastante abstrato, eu sei), em parte porque o livro não chega a ser uma história fechada, é mais um relato desse primeiro pedaço da vida de uma garota do interior.

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Eu cresci numa cidade pequena (5000 habitantes não é muito, né?), troquei de escolar aos quinze, mas, diferentemente da Bruna, eu mudei de escolar com alguns amigos – além disso, minha irmã tinha acabado de sair dessa nova escolar para a faculdade. E digamos que a minha irmã sabe deixar a presença dela na memória das pessoas (de uma maneira positiva, sempre.) Mas fica aquela pressãozinha de “o que as pessoas vão pensar de mim”- o tipo de sensação que acompanha a gente mesmo quando já somos adultas.

Quando Tudo Começou é um retrato honesto e delicado sobre como a gente deixa a nossa insegurança bater mesmo quando estamos fazendo algo que queremos muito, algo que temos certeza ser o melhor para nós mesmas. Mudar nunca é fácil, e quando isso vem numa época como a adolescência tudo parece ainda mais difícil e assustador (alô todos aqueles sonhos em que você chega na escola e alguém te avisa que você está nua na frente de todos os seus colegas o/ – no meu caso quem me avisou foi o Pernalonga, o sonho aconteceu logo depois de assistir Space Jam no cinema. Longa história…).

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Se você gosta de histórias sobre momentos da nossa vida, daquele tipo que na hora é a maior coisa do mundo e você sente como se fosse se desmanchar, mas que depois entende que é parte de crescer, eu te aconselho a ler Quando Tudo Começou. O livro conta a história do momento em que Bruna começou a escrever, mas podia ter sido tantos outros momentos de tantas outras adolescências. Fofo, delicado, honesto e acolhedor.

PS: Para as meninas que gostam de desenhar quadrinhos, no finalzinho do livro tem uma parte em que a Lu Caffagi mostra um pouco dos desenhos iniciais para o projeto.

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