Algumas semanas atrás eu recebi a coletânea das tirinhas Anderson Lauro: Meninos nåo choram, mas… Ficam passados! Criado pelo cartunista Denilson Albano, as tirinhas do garotinho de sete anos que tenta transitar sua infância numa sociedade dividida entre certo e errado, de menino e de menina tem uma abordagem de humor aos momentos de incertezas e rebeldia do garoto.

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Anderson não entende porque não pode dizer que ama o coleguinha Felipe, com quem chega a planejar uma fuga. Ele também não entende porque não pode usar roupas que são consideradas “de menina”, e nem porque o pai dele fica irritado com seu desejo de aprender a cozinhar.

O mais legal da antologia é exatamente essa dúvida do garoto, o modo como os adultos impõe comportamentos padronizados na criança que tenta crescer e ser ela mesma – seja lá quem ela for. É interessante que, apesar de toda a violência que ele enfrenta Anderson continua tentando ser quem ele quiser. A violência que eu digo aqui não é a física, mas a psicológica mesmo, já que os adultos a sua volta insistem em “coloca-lo no seu lugar de homem”, Anderson não desiste e tirinha após tirinha volta a questionar esse padrão de masculino que a gente enfia na cabeças das crianças desde muito novo.

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Em temos de #MasculinitySoFragil, a masculinidade é vista como algo tão ~frágil~ na nossa sociedade que a gente ainda reprime meninos que querem aprender a fazer bolo. =\

A coletânea, no entanto, é também um pouco confusa. Fiquei por horas me perguntando se esse é um menino gay, trans, crossdresser ou se ele realmente é só um garoto que se recusa a se enquadrar dentro dos estereótipos de gênero. Esse questionamento veio, talvez, porque os quadrinhos abordam muitos estereótipos sobre sexualidade e gênero que são considerados clichês. Pode ser uma opção do criador não rotular uma criança tão nova, e é uma preocupação muito válida, mas parte de mim gostaria que isso tivesse ficado mais evidente no quadrinho

De maneira geral o quadrinho é divertido e levanta questionamentos interessantes sempre de maneira bem humorada sobre o modo como a sociedade nos educa para vivermos dentro desse espectro bizarro do que é “de menina” e o que é “de menino”.

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