Acho que já é hora de você saber. É verdade, fui eu que estraguei a sua infância.

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Não foi de caso pensado nem nada, mas aconteceu. Era uma quarta-feira de tarde, chovia, eu estava entediada e resolvi dar um google em “D.I.Y. – Como montar uma máquina do tempo”. Demorou um pouco, mas consegui recolher todas as peças e fazer a montagem. Foi nesse ponto que decidi que queria uma vítima, alguém com quem brincar com o passado.

Vasculhei os comentários de sites e páginas nerds no facebook. Não foi nada altamente planejado, mas queria alguém assim, exatamente como você. Eu queria te dizer que foi especial, que eu queria você esse tempo todo, mas a verdade é que o seu nome é o mesmo do meu vizinho chato e achei essa coincidência legal. Desculpa.

Com uma stalkeada básica no seu perfil descobri sua idade e calculei quando você estaria passando pela infância, um momento em que a gente constrói memórias e amizades, em que a gente se apaixona platonicamente por personagens divertidos. Era essa infância que eu queria destruir. Coloquei o meu capacete de proteção temporal, ele evita que meu cérebro frite, e voltei no tempo.

A primeira parada foi recentemente, 2011, durante as filmagens de Bridesmaid. Consegui um emprego como moça do café e, num dia não muito especial, escrevi na espuma do cappuccino de Melissa McCartney e Paul Fieg: “Ghostbusters… All Female.”

De 2011 fui direto para 1984, noite de abertura de Os Caça-Fantasmas original. Depois da exibição, todo mundo já mais para lá do que para cá, me aproximei de Bill Murray e falei “Se um dia fizerem um reboto só com mulheres, apoie”. Bill é um cara divertido, principalmente quando está bêbado.

Já que era 1984 e Nova York, resolvi procurar JJ Abrahms. No auge dos seus 23 anos eu fui até ele durante uma exibição de filmes universitários, foi até engraçado. Fiz questão de parar na frente dele na fila da pipoca e puxei conversa. Falamos sobre os projetos futuros dele e perguntei se ele tinha vontade de dirigir Star Wars. Os olhos brilharam, foi quando eu joguei a informação “Se acontecer, devia ser uma protagonista mulher e um negro. Você devia fazer isso.” Dei minha pipoca pra ele, um token de agradecimento – mesmo ele não sabendo pelo que.

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Pulei para 1985 e encontrei Kathleen Kennedy no lançamento de De Volta Para o Futuro. Foi tudo muito rápido então eu não sabia se ia funcionar mas, enquanto a gente descia no mesmo elevador, eu olhei para ela e disse “Você já imaginou se Rogue One, aquele do Episódio V, fosse uma mulher?” A porta do elevador se abriu eu sorri e fui embora. Sim, isso também fui eu. Por minha culpa você vai ter que assistir o segundo filme de Star Wars seguido com uma protagonista feminina.

Foi mais ou menos nessa época que eu encontrei George Miller e sussurrei no seu ouvido enquanto esperávamos na fila do restaurante “Furiosa”.

Eu ainda dei uma paradinha num Karaokê em 2013, só para garantir que Bill ainda se lembrava do que eu tinha dito. Ele é um cara divertido quando está num karaokê.

Então é isso. Essa é a minha confissão mais secreta. Eu não tenho vergonha. Na verdade foi uma experiência muito divertida e tem sido muito engraçado ver as lágrimas que você destila na internet enquanto sofre nada silenciosamente sobre a infância que eu ajudei a destruir.

Saboreie com gosto as lembranças que você ainda guarda, porque a minha lista ainda não acabou: De Volta Para o Futuro, Duro de Matar, James (Ou seria Jamie) Bond e Indiana Jones. Digamos que eu tomei gosto por arruinar a sua infância, eu vou continuar.

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*PS: Não, eu não tive nada a ver com os prequels de Star Wars, aquilo eles fizeram sozinhos. =\


Este é um texto ficcional de humor.

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