Acabou a contagem regressiva para o que viria a ser mais um crime sexual dos misóginos da internet: a divulgação sem autorização de fotos nuas da atriz Emma Watson em retaliação ao seu discurso feminista na ONU. Para nossa eterna alegria, o site era uma fraude e nenhuma foto foi divulgada.

Mas o que era então?

Era uma fraude, criada por uma empresa especializada em fraude na internet, que também é uma fraude. Difícil, eu sei. Mas, aparentemente, a intenção era descreditar o 4chan – site onde o vazamento das fotos nuas de 100 famosas aconteceu.

Incrível? Não.

É ótimo que Emma não tenha que ter passado por isso, e que nós não tenhamos que amargar mais essa derrota para o ódio e o machismo online. Mas o tal site criador da contagem regressiva utilizou uma ameaça a uma mulher real para tentar provar que o 4chan é uma merda.

Cara, todo mundo já sabe que o 4chan é uma merda. Mas se você realmente quer colocar as manguinhas de fora e fazer algo para mudar isso, não vitimize as maiores vítimas da merda toda – as mulheres.

Esse tipo de comportamento, em que mulheres são utilizadas como objeto de manobra, acontece todos os dias e a todo momento. Sejam as namoradas que morrem nos filmes para que o herói tenha uma história mais interessante, sejam as duas moças que ficaram tomando banho num evento sobre chuveiros para o deleite machista dos homens que passavam, seja para um site chamar atenção para si – como é o caso.

Usar o oprimido para ferir o opressor é um dos conceitos mais idiotas que existem. Ao invés de mostrar o quão merda é o site, a única coisa que esse evento fraudulento conseguiu foi dar ao 4chan uma narrativa em que ele é a vítima, e não o opressor. Desde quando alguém que oprime do jeito que a internet do ódio oprime se importa com a vítima?

Emma, ainda bem que você não foi a próxima vítima do machismo autoritário da internet, mas eu sinto muito que você tenha que ter passado por essa contagem regressiva e tenha sido vítima do ” machismo justificado”.

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