Não é novidade nenhuma que eu amo Agent Carter, foi amor a primeira vista, eu e a Peggy, já em Capitão América: O Primeiro Vingador. Acho que a série faz em uma temporada o que a Marvel vem falhando em quase uma década de adaptações para o cinema: personagens femininos realmente bem desenvolvidos.

via Cahlart

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Por mais espetacular que Agent Carter seja ainda sim é preciso discutir a diversidade dentro da série. No último episódio, um policial negro que assim que aparece, é morto. Será que eu não notei nenhum outro? Será que passou despercebido ou realmente não existia? A verdade é que não, personagens de outra etnia que não branca praticamente não existem no seriado.

Com a intenção de chamar atenção da Marvel e da ABC, e garantir uma segunda temporada mais etnicamente diversa, fãs criaram a hashtag #DiversifyAgentCarter (diversifique Agent Carter).

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Mas… Por que isso importa?

Porque essa é a nossa realidade agora – e era a realidade nas décadas de 30-40. Os Estados Unidos nunca foram uma nação unicamente branca, então a carta do “é historicamente coerente” exige que a série incorpore ao seu panteão personagens diversificados. Os fãs que participam da hashtag estão compartilhando imagens de pessoas reais, e ficcionais, envolvidas em todo tipo de trabalho e função.

São pessoas negras, latinas, asiáticas, nativo-americanas que lutaram nas guerras, construíram prédios, foram policiais – pessoas diversas que merecem ganhar espaço na tela. É preciso lembrar que o cinema e a televisão sempre foram majoritariamente brancos porque são brancos que sempre estiveram majoritariamente no controle desses meios de comunicação. O que era tabu em 1940 não pode ser tabu em 2015. Todo mundo tem que ter o direito a uma representação positiva e interessante.

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Agent Carter discute com tanta maestria o machismo que Peggy precisa enfrentar constantemente que não é difícil acreditar que a série vai conseguir fazer o mesmo com o racismo – ele que é tão presente hoje, era muito pior sete décadas atrás. A segunda temporada da série pode ser incrível ao continuar a discussão do sexismo naquela época, mas ela pode incorporar ao seu leque de discussão temas que também eram importantes naquela época, que continuam sendo importantes hoje. Imagine o tipo de material de qualidade que personagens de etnias diferentes da branca podem trazer para o desenvolvimento da série e do próprio universo Marvel? O nível de discussões que o show pode implementar? Agent Carter só tem a ganhar.

A verdade é que Agent Carter precisa não só de mais personagens de diferentes etnias – a série precisa de mais mulheres. O principal elemento de sucesso em Peggy é que ela é complexa, é um soldado, uma agente, uma mulher apaixonada tentando superar o luto, precisando lidar com a misoginia, tentando se estabelecer no trabalho e tudo isso enquanto salva o mundo. Quero ver essa complexidade e muito mais em outras personagens femininas, com outras histórias, de outras etnias, com outros backgrounds. Quero ver heroínas, amigas, vilãs. Agent Mei tem sido maravilhosa em Agents of Shield, assim como a vilã Reyna e a inumana Jiaying. Em Agent Carter, desenvolvimento e diversidade de personagens femininas nunca vai ser demais.

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Com a Marvel caminhando cada vez mais para uma maior inclusão de minorias no ranking de seus super-heróis no cinema e nos quadrinhos, e com Agent Carter sendo a série que é, trabalhando o tema que trabalhou, acho que não é pedir demais que a segunda e tão esperada temporada do show traga esses elementos.

Por isso #DiversifyAgentCarter é um dos hashtags mais interessantes, importantes e bonitos do mundo nerd nos últimos tempos. Não são só fãs querendo uma segunda temporada, são fãs dizendo que a série é boa e que querem ela ainda melhor. <3

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