[Altos Spoilers]

Eu sei que eu não sou o público alvo de Deadpool, eu sabia disso desde antes de entrar no filme, e eu não tinha expectativas quanto à qualidade do filme, à atuação de Ryan Reynolds ou qualquer outro elemento da adaptação – mas também não esperava tão pouco.

Durante os créditos engraçadinhos do filme os roteiristas são creditados como “os verdadeiros heróis”. Hum, olha. Depende. Se eles tiveram que cortar muitas coisas essenciais para que o filme não parecesse a bagunça que ele é, sim. É realmente de cortar o coração quando o roteiro é despedaçado porque o orçamento não permite ou porque o estúdio resolveu meter o bedelho (olá, Quarteto Fantástico). Se não for esse o caso os roteiristas estão bem longe de serem heróis de qualquer coisa.

Com uma história para lá de clichê “homem precisa salvar ex-namorada e exercer vingança contra o vilão que o fez mal”, o sopro de inovação que aparece vem apenas do fato do herói ser, na verdade, um mercenário e não o seu tradicional bom mocinho estilo Capitão América. Mesmo isso me faz questionar se é inovação mesmo, porque já tivemos 3 filmes da franquia Os Mercenários, teve Velozes e Furiosos, teve Domino, O Profissional… Hollywood adora transformar mercenários em heróis. Sim, esse é o primeiro filme de quadrinho em que o mercenário é o herói da história mas infelizmente só isso não é o suficiente.

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Com personagens que não passam de estereótipos mal construídos, Deadpool parece ignorar a própria premissa de ser “diferente” dos outros filmes. Colossus, que existem para servir como uma possível consciência para Wade desprezar, é apenas um CGI mal feito do Colossus dos quadrinhos, ele serve apenas para mostrar que escrever um personagem que é essencialmente bom pode ser bem feito, como o Finn de Star Wars, ou mal feito e reduzido à um bonachão abobalhado. Sobre Negasonic Teenage Warhead não tem o que dizer. O próprio Deadpool a define no filme como uma adolescente apática que não se importa com nada, e a trama não faz questão de ir além disso em momento nenhum. A verdade é que o roteiro despeja ela e Colossus na história e do mesmo jeito que eles são jogados, eles são retirados. Se eles nunca tivessem sido introduzidos o roteiro do filme ganharia alguma coerência. O mesmo acontece com a personagem da lutadora Gina Carrano, Angel, que existe apenas para que Wade possa alcançar o fósforo que ela por razão que não importa para o filme, fica mastigando na primeira metade da história (o fósforo desaparece depois de perder a utilidade). Qualquer um dos três personagens são absolutamente inúteis para a trama, para o desenvolvimento (?) do personagem central, para a narrativa.

O filme possui ainda dois personagens menores Dopinder, o motorista indiano (óbvio) do Taxi, e Blind Al, a idosa negra boca-suja com quem Wade divide a casa depois que se torna Deadpool. Blind Al é apenas uma figura engraçada na forma de uma idosa durona que sente saudade de cocaína, ela é também a única personagem negra do filme e há de se problematizar uma representação assim. Os dois personagens que incluem um pouco de ~diversidade~ no filme são tão profundos quanto qualquer outro, mas a mensagem de Dopinder é a pior de todas: se a mulher por quem você é apaixonado não é apaixonada por você, sequestre e mate o homem por quem ela é apaixonada e depois a sequestre até que ela goste de você. É muito difícil defender Deadpool.

Mas a pior de todas as personagens com certeza é Vanessa. Eu adoro a Morena Baccarin, acompanho a carreira dela desde Firefly, e ela consegue deixar uma personagem com nenhum tipo de consistência interessante. Vanessa é tão a “cool girl” que dá pra fazer um checklist:

  • Brincalhona Boca Suja (A pior cena de romance já escrita inclui piadas com pedofilia e abuso infantil)
  • Puta (Ela é prostituta e o filme faz questão de frisar o quão “louca” ela é na cama”)
  • Santa (Namorada ideal que cuida de seu homem mesmo ele doente terminal, e o perdoa apesar dele ter sido responsável direto por sua quase morte por asfixia)
  • Virou Nerd pelo seu homem (A piada com Star Wars é a cereja que faltava no bolo da Cool Girl)
  • Donzela em Perigo (Sim, num filme tão cheio de clichês ela ser usada como donzela em perigo nem é tão surpreendente assim.)
Olha, gente. Ela fez suco verde pra ele <3

Olha, gente. Ela fez suco verde pra ele <3

Vanessa, que nos quadrinhos é uma mutante capaz de mudar de aparência (inclusive já tendo se passado por Deadpool), no filme virou a namorada “cool” do personagem. Além de ser, de certa maneira, uma bela mandada para a geladeira na personagem (ela tendo sido diminuída para não tirar espaço do protagonista) o filme não para por aí nos estereótipos e a COLOCA NUM TUBO. Se você não sabe, ficção científica e mulheres em tubos IS A THING. Vanessa não é só a donzela em perigo, ela é a donzela em perigo dentro de um tubo de vidro. Com uma atriz tão interessante como Morena Baccarin no papel, é deprimente que uma personagem com potencial tenha sido reduzida à uma cool girl sem qualquer desenvolvimento

Não é que o filme seja horroroso, eu ri e em momentos me diverti no cinema. Algumas piadas são inteligentes, com auto-referências tanto ao personagem quanto ao universo Marvel da Fox. Essas são, pra mim, as melhores piadas e o ponto forte do filme. Talvez a minha decepção, se é que eu esperava alguma coisa, venha do potencial que não é aproveitado. À cada trinta segundos sai uma piada homofóbica, transfóbica ou machista e mesmo quando eles estão tentando não ser, a piada não consegue ir além, e por mais que você me diga “mas o personagem é isso mesmo”, continua sendo insuficiente. Um filme que pretende ser transgressor fica nas piadas que seus parentes fazem durante a ceia de Natal e te deixam desconfortável. Quais são as piadas que a sociedade acha aceitável? As que caem em cima de minorias e é exatamente isso que Deadpool faz.

Na sequência de sexo do filme, quando eles chegam no “Dia internacional da Mulher”, o filme deixa bem evidente que Vanessa faz sexo anal EM Wade. Isso poderia ser uma maneira de quebrar o espectador preconceituoso, que está rindo de todas as piadas homofóbicas do filme até alí, mostrando Wade tendo prazer, mas não é o acontece. Wade não gosta. OU SEJA, o único momento cômico que poderia cair em cima do espectador “padrão” de Deadpool não funciona e, na minha opinião, rejeita inclusive a questão do personagem ser bissexual/pansexual. Ao que tudo indica a sexualidade do personagem será melhor explorada no próximo filme, espero de verdade que seja feita de uma maneira positiva.

Dentre todas as piadas em Deadpool a que mais me deixou desconfortável, para dizer o mínimo, foi a sequência que deveria ser o momento em que Wade e Vanessa se conhecem e se conectam. Eles entram numa disputa para saber qual dos dois tinha a pior história de vida. Infelizmente a cena que poderia ser divertida descarrilha para piadas sem fim com pedofilia e abuso sexual infantil. É pra lá de desconfortante, e extremamente desnecessária. Nada para mim justifica fazer piada com abuso sexual infantil, principalmente num filme tão cheio de piadas ofensivas, e usá-las no momento em que o casal central do filme se conhece pode parecer uma maneira de mostrar que esses dois personagens não são seus heróis padrão, mas não. Só faz deles dois imbecis mesmo.

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O filme possui apenas duas cenas de ação, talvez uma indicação do baixo orçamento da produção, e a primeira delas além de ser uma refilmagem aprimorada do teste de cena vazado anos atrás, é entrecortada de forma estranha com flashbacks que contam como Wade se transformou em DeadPool, se alongando por quase metade do tempo do filme. A cena é divertida, Wade conta as balas que gasta e tudo mais, mas esse picadinho de informação, que aproveita e também joga a mansão Xavier no meio, cansa. Talvez uma edição mais linear, mantendo obviamente a quebra da quarta parede, tivesse ajudado a narrativa do filme, já que o tempo dele, quantos anos se passam ou não entre um evento e outro, tivesse ficado mais evidentes. Wade é submetido à fábrica de construção de mutantes e torturado, mas a edição não nos diz se por uma semana, alguns meses ou dois anos. A única dica disso que temos é já nos minutos finais do filme, quando Wade diz que “foram uns anos difíceis” ao se explicar para Vanessa. A fábrica de mutantes, aliás, teria sido uma maneira muito mais orgânica de introduzir os X-Men na história porque bom, eles são mutantes, faz sentido que eles estivessem investigando esse tipo de operação. Uma observação que me fizeram sobre as cenas de ação de Deadpool e que faz muito sentido é que tudo que Deadpool faz e parece inovador, Kick-Ass fez melhor em 2010.

Eu não vou dizer que Deadpool não é um filme engraçado, como eu mesma disse lá em cima, algumas piadas são boas e o clima geral do filme é de comédia. Mas também não consigo não sentir que o filme, e o próprio personagem, tinham potencial para ir além das piadinhas pubescestes e homofóbicas de jantar de família. Acho que para um filme e um personagem que se dispõe à ser mais, a escolha do elemento transgressor foi, pra mim, bastante tradicional. Deadpool pode não ser Capitão América, mas também não é tão inovador como se anuncia.

  • Marcus Vinicius Lima Martins

    As piadas com gays do filme são convidativas para o telespectador gay, de forma que o personagem chama o sujeito para rir junto com ele, e não fica no mesquinho riso “dele”. Ainda que alguns homofóbico irão usar dessas piadas para desmerecer o personagem através da piada, o gay tem capacidade destas mesmas piadas para tirar sarro do hetero que não entendeu o humor.
    Motivo pelo qual adorei todas as piadas com gay do filme, ri delas e ri dos heteros que não as haviam entendido como indiretas ao comportamento heteronormativo.

    • Sara Antolini

      Oi! Eu sou lésbica, vi com minha namorada e outros n amigos LGBT viram e juro que não consegui achar UMA piada de cunho homofóbico! Eu realmente queria saber a qual estão se referindo. Pra ser sincera, a única parte que concordo com o texto é sobre as “guerra de infortúnios” ser desnecessária e até triggering pra uma galera.

  • talitha b.

    Não acho que o filme queria ser transgressor desde o começo, mas diferente do habitual e principalmente extremamente fiel ao próprio Deadpool (somente ele, o personagem). E é isso que foi bom e ruim.

    Foi um medo tão grande de estragar e uma vontade tão grande de enaltercer o personagem que diminuíram todo mundo ao redor de todas as maneiras possíveis, seja em tempo de tela ou relevância narrativa. Não são só as minorias, mas TODOS: os vilões são ruins, os sidekicks são ruins, a mocinha é ruim (em construção de personagem). Tudo é fraco e raso ao redor do Deadpool. E aí tem as piadinhas pesadas características do personagem – que poderiam ter sim sido transgressoras, mas tiveram que entrar na onda do “aceitável” pro grande público e não passaram a linha. Eu tive uma esperança enorme quando apareceu a cena da Vanessa comendo ele… se ali ele tivesse ficado feliz e sentido prazer eu teria relevado muito do resto, já seria uma vitória. Mas né. Ia talvez trincar a fragilidade de certos fãs machinhos do personagem… 🙁

    Se o próprio Ryan Reynolds disse que quer muito que no próximo filme o Deadpool tenha um namorado eu acho que tudo pode melhorar. Nesse primeiro filme eu concordo que eles se mantiveram muito contidos pra fazer ao máximo “dar certo”, ou seja: ter bilheteria num filme +18 de super-heróis. O diretor também é de primeira viagem, sem experiência e coragem, quem sabe no próximo coloquem UMA MULHER badass (isso é sonhar alto haha)? Vamos ter fé.

    PS: caramba, não sabia disso de mulheres em tubos. que horror. o.O

  • Collant Sem Decote

    Ei Marcus!
    Acabei já te respondendo lá no face hahahah
    Mas acho ótimo que você tenha tido uma experiência boa com o filme, eu só realmente não senti que o filme era convidativo, achei que era aquela coisa mais da mesma.

  • Maria Eugênia Rodrigues

    Ele não foi tão fiel assim ao personagem e eu acho que isso foi o que me deixou mais chateada (eu tava preparada pras piadas mega preconceituosas, pq né, deadpool). Mas uma coisa muito importante que faltou, pra mim pelo menos, foi a parte sombria dele. As “boxes”, o disturbio mental, os problemas dele com o corpo dele, e enfim, essa parte sombria, meio depressiva, totalmente sofrida. Por que é com isso que eu, particularmente, me identifico. Em suma, concordo com muito do que tu disse, mas eu acho que o maior problema de eu nao ter curtido tanto o filme tenha sido eu ter esperado TANTO por coisas incriveis. Por que foi isso que venderam.

  • Celso Macedo

    Que curioso Rebeca, mas eu não ví o mesmo filme que você viu.

    • Collant Sem Decote

      Não vimos mesmo, porque eu não tô entendo o hype. Oo

  • Plassede Junior

    Li seu artigo e sou obrigado a defender o filme te dando algumas informações que só quem acompanha o deadpool desde o inicio (quadrinhos) pode te dar:

    1) o deadpool dos quadrinhos tem personalidade multipla… que por razões óbivias não foi colocado no filme, mas que foram sutilmente incorporados pelos dois personagens dos X-Men, ou seja eles realmente não fariam diferença se não estivessem ali.

    2) desde o começo do filme ele mesmo diz que é uma história bem clichê, e em nenhuma história do deadpool a história importa, o que todo fan quer ver é como ele vai fazer para resolver a coisa da pior maneira e com o mais numero de mortos possivel.

    3) a Blind Al, é uma agente da inteligencia britânica que o wade, quando ainda sem poderes, foi contratado para matar mas que por algum motivo que nunca foi contado acabou não matando e em Marvel Now! essa velha bate demais.

    4) ele não é um herói, ele é um anti-herói, o que significa que ele faz o que é certo do jeito errado.

    5) ele é o persongem todo errado da marvel, ele se mata devez enquando para ver sua esposa (que é a própria morte, diga-se de passagem) ele mata inocentes, ele faz piadas de mau gosto o tempo todo, e as faz de todas as formas, porque uma das personalidades dele é uma mulher com sérios problemas mentais, que quando toma o lugar é muito pior do que ele.

    resumindo: eu vi apenas o que já existe de deadpool em história em quadrinhos, nada além, lógico não tem como forçar alguém a gostar do personagem, meu intuito aqui é só explicar que ele é assim mesmo e o filme eu diria que foi uns 89% fiel ao original.

    • Ryuuku will

      Filme simplesmente top, dei muitas gargalhadas assistindo, sem dúvidas é o melhor filme de origem até o momento, minha opinião.

  • Collant Sem Decote

    1) Esse é o filme, não o quadrinho.
    2) Porque os fãs não esperam grande coisa não quer dizer que o roteiro não é ruim. E estar ciente de que o roteiro é ruim não faz do filme bom, só preguiçoso.
    3) Esse é o filme, nada disso é apresentado no filme
    4) Han Solo é um anti-herói, nem por isso você o vê fazendo piada com pedofilia.
    5) Tudo isso são coisas que acontecem nas HQ, nada disso estava no filme.

    Eu não estou analizando o quadrinho, e sim o filme.
    Dica de leitura antes que você enumere o próximo comentário: http://www.brasilpost.com.br/2015/10/05/homens-explicam-demais_n_8235346.html

    • Rodrigo Rosa Santos

      Vc assistiu o filme, não entendeu o personagem. Acho que vc esperava ver um filme de herói e o que encontrou foi um cara totalmente egoísta, pervertido, que não tá nem ai pra nada ao seu redor e que foge do politicamente correto e que muitas vezes o certo pra ele é o errado. Não entendeu nada da essência.

    • Kelves Medea Dos Santos

      Mas para vc analisar o filme vc tem que ter em mente o quadrinho, no quadrinho ele é pior, so faz piadas sujas, misóginas, de baixo calão, ofendendo todo mundo, assim como vc ficou ofendida, esse é o objetivo dele, DeadPool e Han Solo são anti-herois, mas apenas o DeadPool é mercenário, ele mata pessoas, e o que isso tem haver com o fato dele fazer piadas com pedofilia?! Como ja foi dito, o filme foi feito para quem é fan de longa data e ja conhece o personagem e sabe do que ele é capaz, claro que não tem como colocar tudo no filme pela falta de dinheiro, tanto é que nem mostrou como o Wade conheceu os X-men, ate mesmo na “retrospectiva” dele, apenas mostrou ele ganhando os poderes e caçando o Francis, eles não sentiram a necessidade de explicar tudo, ficou clichê? sim, mas desde o inicio do filme ele joga isso na cara de todo mundo.
      E sobre o taxista, não é pq mostra em um filme que vc vai sequestrar e matar pessoas em nome do amor, é um filme, não faça isso em ksa.

  • Camila Gonçalves Abad

    MEU DEUS, SIM!!!!!!!!!!!!!!!! vem cá, me dá um abraço ♥

  • Larissa

    Eu queria muito saber em qual parte do “resgatar a donzela em perigo” se encaixa a parte em que ela se solta sozinha e crava a espada no Ajax. E, ainda, o objetivo do Deadpool era encontrar o cara só pra arrumar o rosto dele, o sequestro da Vanessa veio bem no final. O filme não girou em torno disso. Querer definir o filme por essa situação é generalizar e ser ignorante, desculpa.

    E, ah, qual o problema de a Vanessa ser puta? E de ser louca na cama? Isso é ruim? Ela é menos mulher por causa disso? Ela não pode se apaixonar e ter um relacionamento? E era óbvio que o Deadpool não iria se apaixonar por uma menininha inocente, Wade e Vanessa se completam, cada um com a sua loucura. Aliás, você não falou um AH sobre o fato de o Wade não ligar de ela ser puta, isso não é relevante, né? Agora, aposto que se ele tivesse dito algo do tipo “vou tirar você dessa vida” ia ter chilique sobre isso no post também.

    Por último, acho que eu não entendi muito bem. Quer dizer que pra não ser preconceituoso o cara é obrigado a gostar de receber sexo anal? Ele não pode simplesmente não sentir prazer e não gostar? o.O Isso significa que eu devo ser super preconceituosa porque eu não sou negra e nem gay. Essa sua afirmação não faz o menor sentido, amiga.

    • Collant Sem Decote

      Oi Larissa!

      Então, eu não disse que o filme é sobre isso, apenas que o plot pode ser explicado assim. Disse apenas que é uma pena a Vanessa cair nesse quadrado, sendo que podia ser bem mais do que isso. Teria sido legal vê-la mais ativa como, por exemplo, a Peggy em Capitão América o Primeiro Vingador.

      A questão do Puta-Santa no texto vêm dela ser o estereótipo do “Cool Girl”, que é a garota que sempre concorda com os caras, é louca na cama, mas é boa moça ao mesmo tempo, que toma cerveja do bico e tem boca suja, mas que não tem nenhum tipo de desenvolvimento de personagem, porque ela existe apenas para servir como interesse romântico do protagonista. Wade não merece medalha por não se importar com ela ser Puta, já que prostituição, quando por opção, é só mais uma profissão. Não tem nada de grande mérito no homem que não se importa com a namorada ser prostituta.

      A questão do sexo Anal, como foi dito no texto, é que se ele tivesse gostado a piada teria sido completa, zoando inclusive o cara machista que não aceita a pansexualidade do personagem – coisa que tá cheio por aí. 😉

  • Ana

    A passagem de tempo fica bem evidente num fato: o comprimento do cabelo da Vanessa. Note que no final do filme, quando Wade a reencontra no strip club, o cabelo dela está quase batendo na cintura (quando ele descobriu o câncer, estava na altura dos ombros). Mas lógico que você não ia reparar cabelos, né? Afinal essa é uma estética imposta pela mídia misógina e machista formada pelos “omi” que só fazem “omice”. PS: sou mulher, achei o filme sensacional, ri muito de todas as piadas e adoraria ser como a Vanessa. Ela “me representa” (não é assim que vocês gostam de falar?).

    • Bárbara Prince

      Favor lembrar que Vanessa pode cortar o cabelo/fazer alongamento. O comprimento do cabelo não indica nadinha.

  • Pingback: [CINEMA] Deadpool: o melhor ainda está por vir – DELIRIUM NERD()

  • Gustavo Martins

    Eu não tinha interesse em ver o filme justamente por achar que ele seria muito infantil e voltado para adolescentes que acham que ficar chamando os amiguinhos de “viado” é engraçado.

    Mas depois de me divertir lendo seu texto, me deu vontade de assistir ao filme (que pelo jeito é tão ruim quanto eu achava) só para depois poder ler o seu texto de novo confirmando cada parágrafo.

  • Rodrigo Assis Mesquita

    Concordo com praticamente tudo que você disse no artigo. Ri de algumas piadas, mas, no geral, achei o filme arrastado, como se fosse uma colagem de sketches ligados por um fiapo narrativo. Adoro a Morena Baccarin, ela é ótima atriz, mas destruíram o personagem dela. Um ponto positivo, para mim, foi a violência, adoraria ver um filme do Wolverine sem as amarras da censura.
    Sei que o Deadpool tem a personalidade ultra-extrovertida, praticamente um Maskara, mas a frequência das piadinhas e a necessidade constante de colocá-lo em destaque me lembrou daqueles meninos do colégio que tinham uma necessidade absurda de chamar a atenção, a ponto de ficar chato.
    Gosto de filmes transgressores, desde Pineapple Express até os antigos Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu. Mas, no fim, senti como se tivesse assistido a um Zorra Total americano, ou a um episódio estendido do finado The Man Show, em que o ápice do humor era o momento em que uma garota de peitos grandes pulava em uma cama elástica.
    Pelo menos essa foi a minha experiência.

  • extra skater

    Você criticou o filme no quesito inovação. Acha mesmo que em algum momento a produção tentou fazer algo “inovador”, ainda mais se tratando da FOX? É só um filão para lucrar com um personagem barato e menos conhecido, como aconteceu com o Marvel Studios e Guardiões da Galáxia, que se tornou um fenômeno. A preocupação foi apenas fazer um “filme de quadrinhos/herói/antiherói” que explorasse um personagem de senso de humor patético/escrachado. Para isso, qualquer estória clichê serviria — assim como, por exemplo, Avatar tem uma estória totalmente clichê, uma vez que a preocupação era apenas com efeitos visuais e tecnologia, o enredo poderia ser qualquer coisa. Concordo que o filme e o personagem não têm potencial para ir além de piadinhas patéticas, mas, de novo, não acredito que esse potencial seja ambição dos produtores etc. Muito pelo contrário, é exatamente isso que querem entregar, um filme bobo de um personagem besta que faz piadas tolas. O resultado: uma produção barata, se comparada a outros filmes do gênero, com um excelente retorno de bilheteria e público satisfeito. Tanto é que está com boas avaliações de público no IMDB e de público e crítica (sempre exigente) no Rotten Tomatoes.
    Nem sempre quem vai ao cinema ver filme de personagem de quadrinhos espera tramas cósmicas mirabolantes, conceitos inovadores, situações que abram discussões sobre papeis e modelos… muitas, o espectador busca apenas diversão, e o filme cumpre com essa tarefa. O que anda incomodando os mais críticos é o fato do filme não “quebrar conceitos e preconceitos” e apresentar uma trama e personagem mantenedores do chamado status quo. Se o filme fosse exatamente isso que é, uma trama bestinha com um personagem pateta, mas no final, entregasse uma mensagem de tom reflexivo para com pautas de minorias e de direitos, com certeza estaria sendo aplaudido por muita gente que tem torcido o nariz.

    • Collant Sem Decote

      Cara, acho que o filme queria trazer inovação sim, ele ficou anos em pré-produção por falta de coragem do estúdio de encarar um personagem como o Deadpool. Eu mesma torcia pra ele ser feito, ia ser uma chance legal do Ryan Reynolds conseguir fazer o personagem do jeito que ele queria mesmo. Entretenimento por entretenimento é legal, eu curto, Acho que o personagem tinha potencial pra fazer piadas melhores, no final é isso. Como eu disse no texto eu ri de muita coisa no filme, mas infelizmente o filme que deveria ser diferente acaba caindo nos mesmos clichês. Ele estar fazendo sucesso no IMDB e no Rotten Tomatoes só significa que esses críticos e espectadores tem uma opinião diferente da minha. Se o filme tivesse as piadas que tem hoje, mas tivesse um roteiro melhor, com menos buracos e mais interessante, talvez eu tivesse achado o filme um pouco melhor.

      • extra skater

        Aliás, um comentário maldoso que tá rolando por aí: o filme está indo bem porque o Ryan Reynolds passa a maior parte dele sem mostrar a cara… crueldade.

  • Ian Margalhon

    Eu assisti o Deadpool e foi o que eu esperava. Até me surpreendi pelo personagem está bem menos insuportável do que é de costume. Eu concordo que a trama é clichê e é recheada de cenas de sexo, palavrões, piadas, quebra da quarta parede e violência desenfreada, só para fazer juz a classificação etária e a mitologia do personagem. Além disso, foi extremamente desnecessário usar um romancezinho como a motivação da história, sendo que o personagem não precisava disso.

    No entanto tenho que discorda de algo, pois eu achei o Colossus muito bem caracterizado tanto na aparência e na personalidade. O Piotr sempre foi um pacifista e faz muito sentido ele agir daquela forma. Já que o próprio Deadpool diz que não é um filme tradicional de Super-Herói, o personagem foi utilizado como a representação do que é ser um Super-Herói sempre dando aqueles discursos motivacionais, morais e blablablá apenas para servir de piada para o Wade. Sem mais delongas, acho que querendo ou não esse filme acabou por ser um frescor para esse universo confuso e desgastado que é a franquia dos Fox-Men por sair daquela trama habitual quando envolve os mutantes, só espero que o próximo filme tenha uma história um pouco mais elaborada.

  • Creissonino

    Cheguei a fazer várias colocações antes de descobrir esse texto lindo e me surpreendi quando li como tudo bate, principalmente quando eu falei que Kick-Ass já tinha feito tudo isso.

    A questão é que o filme é copy/paste dos quadrinhos. E isso é ótimo para os fãs, mas muito ruim pra mim, por exemplo, que já vê o Deadpool original das HQ’s como um personagem sem graça e que geralmente estreia histórias sobre absolutamente nada, como foi esse filme. Um filme sobre nada.

  • Collant Sem Decote

    Olha, eu entendi o personagem que me foi apresentado no filme. Eu não esperava nada, na real. Fui torcendo para que as piadas fossem além das pubescestes e ofensivas – e em alguns momentos ele realmente vai além disso – mas o conjunto de clichês num personagem com tantas possibilidades quanto o Deadpool caiu no caminho mais fácil e, pra mim, ficou desinteressante e várias vezes ofensivo. Tem diversas maneiras de mostrar que o personagem faz o errado achando que faz o certo, mas nem nisso o filme tem êxito, já que se olharmos para a moral que o filme constrói com a personalidade do personagem ele pode dizer o quanto quiser que não é um herói, mas um anti-herói tb é herói. Nos quadrinhos o Deadpool pode ir e vir entre Anti-herói e vilão, mas isso não acontece no filme. Com um pouco mais de desenvolvimento do personagem talvez tudo isso tivesse espaço para de fato existir no filme.

    • Gui Andrade

      Apesar de não concordar com muita coisa é uma excelente resenha , parabéns .
      Mas o grande brilho do filme, é que diferente da maioria das adaptações para o cinema, deadpool foi feito pra agradar quem já é fã do personagem . E eu vi muitas criticas ao enredo clichê, mas sinceramente, EU não me importo muito com enredo em um filme que é focado no humor . A historia é só uma justificativa pra aquilo tudo que esta acontecendo, não se pode esperar um enredo super elaborado, uma trama cheia de reviravolta e surpresas de um personagem que frequentemente “quebra a quarta parede”, é como exigir boa historia de um filme do pernalonga . O filme é um filme de humor, e humor negro do mais sujo possível, e o que ele se propõe a fazer, faz muitíssimo bem .

    • Gabriel Alencar

      Peço que mesmo que pareça igual aos outros comentarios que discordam de vc que leia ate o final pois acredito que irei apresentar ideias ainda nao apresentadas pelo que li nos outros comentarios ( leia por favorzinho resumindo msm que nao esteja com muita vontade , levou um bom tempo pra escrever)Mas acho que vc nao entendeu ( se entendeu desculpa) que nao é so a questão dele fazer o certo do jeito errado. Ele é ofensivo e o personagem desde sua criação é assim, retirar isso seria retirar a essência do personagem. Seria melhor criar então um personagem parecido que não fosse ofensivo so para os filmes. A questão do potencial desperdiçado é que eles sabem disso. E isso faz parte tb. Eles poderiam usar as piadas pra criticar e tentar atingir de forma sutil e bem humorada os pensamentos do espectador mas isso tambem iria contra o Deadpool como personagem. Agradaria a mim e a muitos pq ver a desigualdade sendo combatida é sempre algo que alegra, mas que se faça isso em outro filme onde tal tipo de intenção não ira contra a proposta original. Isso seria inclusive burrice da parte da Fox pois Deadpool foi claramente um filme feito para os fãs dos quadrinhos e pleo hype desses mesmos fãs o filme acabou tendo grande sucesso. Não sei se voce esta familiarizado com o Deadpool de Wolverine origens mas a fox buscava se redimir. Após um deadpool totalmente caracterizado eles precisavam de um material fiel para agradar os fãs ja decepcionados, não so com a aparição do mercenario mas tambem com filmes como Quarteto Fantastico. Espero então que voce chegue nas mesma conclusão que eu de que muito do que voce esta cobrando do filme era inviável, e não te culpo, afinal seu trabalho é criticar os filmes como as artes que eles são, nao considerar o contexto por trás, mas acredito que seria interessante voce apresentar no seu review tambem os dois lados da moeda, de modo que as pessoas que diferente de mim não estão cientes dos ” bastidores” do filme ficarão com uma impressão totalmente errada do porque do filme ser do jeito que é, achando que ele é somente uma comedia ofensiva, cliche e sem nexo somente por descaso da Fox e por desejo de arrecadar mais dinheiro nas bilheterias. Devo ressaltar tambem que apesar de discordar de varias coisas que você disse achei uma otima review em questão de critica e analise geral do filme( a primeira vez que leio uma publicação sua) e o parabenizo pelo trabalho! Abraço.

  • Collant Sem Decote

    Oi ana.
    Que bom que você gostou do filme e da Vanessa, cada um tem uma visão diferente. O texto não está te obrigando a concordar com ele. Infelizmente corte de cabelo não quer dizer muita coisa do ponto de vista do tempo cinematográfico. O cabelo da Vanessa, inclusive, já estava comprido quando Wade descobre o câncer, ele só está curto no começo do relacionamento dele. Se fossemos usar o cabelo dela como parâmetro então não teríamos mesmo como saber quanto tempo se passou entre ele sumir e eles se reencontrarem. Para que isso de fato funcionasse a diferença deveria ser muito maior mas, ainda sim, não iria querer dizer muita coisa.
    E sobre eu reparar em cabelos olha, de fato me preocupo em curtir outros aspectos de um filme no lugar do cabelo das atrizes, mas eu mesma adoro mudar o meu próprio cabelo. É bem divertido.

  • Collant Sem Decote

    Ei Ian!
    Cara, o meu problema com o Colossus é que ele foi over. Ele realmente é um cara bom e pacifista, mas achei muito exagerado o modo como eles trabalharam isso no personagem. O Deadpool já é anti-herói o suficiente, acho que não precisava exagerar tanto no Colossus pra deixar evidente a diferença.
    Apesar de eu adorar X-Men eu gostei bastante do modo como ele tira sarro com a piração cronológica que é a saga deles no cinema. haha

    • Ian Margalhon

      Eu entendo, teve algumas cenas que forçaram a barra, mas levei isso como piada já que se tratava de um filme do Deadpool. huashuas

  • Guria, adorei tua resenha! O pessoal tá num hype louco só por causa das piadas. Eu confesso que ri muito durante o filme, adorei as referências à cultura pop. Mas nem de longe é o melhor filme de super-heróis.

  • Beto Magnun

    O hype cega e o fanboyzismo não deixa as pessoas questionarem o que estão assistindo. O filme é basicamente isso:

  • Thomas, The Pink Lantern

    Sei que apresentar credenciais antes de debater é uma bosta, mas o farei apenas pra você não pensar que está falando com um machistinha qualquer:
    Eu sou um nerd, gay, mestiço, ativista e membro de um podcast que foca em questões inclusivas (Bichasnerd, mas não falo em nome deles), e gostaria de expor minha discordância:
    1º) Deadpool é um filme errado. Essa premissa está bem clara na hora que a história é apresentada, logo, sabemos que ele possui problemas mentais e que sua história é um grande (e bem amarrado) clichê.
    2º) A namorada dele não é a personagem dos quadrinhos (você mesma usou esse argumento ai embaixo na resposta a um leitor), logo, é sim normal que ela passe por situações de donzela em perigo, uma vez que os amados dos mocinhos são constantemente usados nesses filmes para expor os mesmos, e Deadpool não fala, (lá no comecinho, lembra?) que a história dele é cheia de clichês?
    3º) Quando um personagem com sérios problemas psicológicos deixa claro que concorda com as decisões do taxista, isso é evidentemente uma mensagem oposta, pois sabemos que ele é um Anti-herói, ou seja, que faz as coisas erradas.
    4º) Porra, ele mata o vilão apenas por vingança, fica claro que ele não é padrão de nada!
    5º) Apesar de tudo isso, o filme não se baseia nos clichês de histórias a lá american pie e não fica fazendo piadas machistas, racistas ou homofóbicas, todo o humor é situacional e ele zoa muito mais o mais forte (como o estúdio, por exemplo) que o mais fraco.
    6) se quisermos, podemos problematizar ad infinitum em cinemas desse gênero, mas, você está esquecendo do contexto e da premissa da história. Ela pode não ser pra você, mas está longe de ter os defeitos que você apontou.

    Abaixo deixo minha visão, menos problematizada e nem por isso desatenta, do filme

    http://www.superamiches.com/deadpool-por-tom-grotto/

  • Cati Vaz

    Poxa, que pena que você não gostou do filme. Especialmente por que parece estar acompanhando a saga da Marvel de perto. (pelas citações dos outros filmes). Porém acho meio compreensivo já que esse filme tem uma proposta, de fato, um pouco diferente dos outros. Deadpool de fato não é um herói no qual queremos que crianças se espelhem, mas acho que a Marvel acertou em cheio na criação desse anti-herói para adultos. Verdade sim, que não é m filme inovador por ter um anti-herói como protagonista, porém é inovador para o universo da Marvel. O personagem é tão profundo quanto ele pode se mostrar. Não entendo por que a necessidade que o personagem seja politicamente correto, que ele seja profundo, que os personagens ao redor dele seja mais caracterizados. O filme é sobre Deadpool e se ele é protagonista do filme qualquer personagem além dele que esteja no filme servirá somente para ajudar a contar a história dele. Você pode colocar a história difícil da infância dele, fazer o personagem encarar sua vaidade, seus pactos de vingança e mesmo assim papai e vilão por mais profundos que sejam, só estarão lá pra contar a história dele. Acho também que a profundidade do personagem pode sim ser investigada no filme. As piadas “ofensivas” e as escolhas do personagem na verdade falam muito de quem ele é. O personagem faz piada de tudo, das minorias, das maiorias, de si mesmo, até da gente que está assistindo e isso é uma maneira brilhante de fazer com que o filme seja leve, divertido e engraçado (que posso dizer que com certeza foi a intençāo das pessoas por trás do filme). Achei Deadpool um ótimo anti-herói pois ele toma atitudes de moral duvidosa porém é um amigo fiel, um homem fiel, um cara mente aberta, sem preconceitos, sem programas sociais, apesar de ser vaidoso, vingativo e orgulhoso, e como Jane Austen diria “O egoísmo deve ser sempre perdoado sabe, porque não há nenhuma esperança de uma cura”. O filme na verdade, só dá a chance das pessoas, se quiserem, perceber a complexidade do protagonista, mas está nas entre-linhas. Além de achar que você está diminuindo muito o filme quando diz q a historia gira em torno de um cara salvando a garota. A garota estava longe de precisar ser salva (afinal é ele quem está morrendo, e depois é salvo por ela). Os personagens são sim bem estereotípicos mas acho que isso faz parte desse tipo de comédia, a sátira. E quanto ao enrredo “quebrado” do filme, me desculpa mas não era preciso ser gênio nem estar prestando muita atenção no filme pra conseguir seguir. Achei a maneira q a história foi contada dinâmica e fluente. Imagina se filmes como “The Last 5 Years”, “Memento”, ou “Irreversible” tivessem seguido a fórmula cronologica comum que você pede desse filme? Você fala diversas vezes que esse é um filme preguiçoso, que eles poderiam ter ido além, pois flor, foi exatamente o que eu senti da sua crítica, um pouco puritana e bem preguiçosa. Não me leva a mal tá? a intenção não é ofender e sim participar do debate.

  • Isa

    MANA ME ABRAÇA! Voce transcreveu tudo o que eu senti vendo o filme!! Confesso que meu nivel de descontruçao nao me permitiu me incomodar com o momento em que eles se conheceram, o que me deixou chateada por nao ter reparado e se incomodado, mas na questao das cenas de sexo, todos perto de mim perceberam a minha enorme decepçao ao mostrar ele principalmente nao gostando da questao do sexo anal (uma vez que todos saberiam que ele é pansexual) Sem contar na pobreza de detalhes dos personagens secundários e PRINCIPALMENTE OS ESTERIÓTIPOS ESCROTOS, como o taxista indiano (cara, tem até um EPISÓDIO INTEIRO SOBRE ISSO da série “Master of None” o qual eu recomendo fortemente). Fico feliz com essa expressividade no texto, coisa que eu (e muita gente) nao consigo/consegue. Tá de parabéns MESMO, arrazou, TEXTO SENSACIONAL SEM TIRAR NEM POR <3

  • Collant Sem Decote

    Oi Cati!
    Não é uma questão de puritanismo, ligar uma crítica à representação feminina à um puritanismo é ingenuidade, já que não identifica os mecanismos que causam o tipo de representação feminina estereotipada.
    Em momento nenhum eu disse que o filme era para ser para crianças, na verdade o que eu falo é que as piadas poderiam ter ido além do lugar comum, mas acabaram ficando no mesmo de sempre.
    Construir um universo mais complexo ao redor de um personagem central em nada diminui o personagem, na verdade adiciona complexidade e deixa a história dele mesmo mais interessante. Particularmente eu preferiria ter visto uma história além da de origem do Deadpool, teria sido mais interessante vê-lo fora desse momento de criação, mas ok.
    Sobre a questão cronológica do filme eu apenas comentei que acho que o modo como foi feito neste filme acabou o deixando repetitivo. Memento, Last 5 Years e Irreversível são filmes em anda similares à Deadpool, então não entendo a comparação que você faz, já que eu não comentei sobre todos os filmes já feitos, apenas sobre esse em específico. Meu comentário sobre o filme foi sobre como deixar mais evidente o tempo que se passou teria ajudado a estrutura narrativa do mesmo.
    As piadas do Deadpool, ao meu ver, não faz piada do principal público do filme: o cara branco padrão. Talvez se ele tivesse ido lá teria sido mais interessante.
    E olha, eu não tô te levando a mal, mas seu tom de condescendência me faz questionar se você não está querendo mesmo me ofender. O que, pra mim, não faz sentido, já que isso é uma crítica ao filme e não aos fãs do filme.

    • Bru

      O machismo tá tão enraizado na sociedade que criticar a sexualidade de uma mulher, mesmo que essa seja apenas para agradar aos homens, é visto como puritanismo e errado. Triste. Estamos em uma época em que as mulheres TEM que ser liberais, TEM que achar legal fazer sexo da forma mais pornográfica possível (mesmo que isso signifique apenas o prazer do homem, o sexo em torno do pênis) e qualquer crítica a isso é errada e tentativa de castração. Não pode criticar a geração atual de jeito nenhum.
      A crítica é justamente que o filme é considerado o máximo por ser feito com piadinhas previsíveis, batidas, preconceituosas e as pessoas ainda acham isso LEVE, afinal, um homem branco que nunca sofreu nenhum preconceito está rindo dele mesmo também, então ok.
      O problema é que a maioria dos filmes faz isso: mulheres que são legais (diferentes, melhores, praticamente homens) justamente pq acham todas as piadas e brincadeiras engraçadas(mesmo que seja piada sobre como elas(ou todas as mulheres, menos elas) são inferiores), curtem muito sexo (satisfazer seu homem na cama), que arrotem e peidem (sem cheiro), mas claro, sendo a boa moça delicada, bonita e donzela como uma mulher deve ser para que um homem a respeite.
      E não teria problema algum se ele fosse visto realmente como o anti herói que é, mas no fim ele é um cara legal, um cara que os espectadores querem ter como amigo, namorado ou até querem ser. No fim ele é admirado justamente por ser um cidadão médio que faz um monte de cagada mas passa sempre safo por ser um homem branco. No fim ele é descrito como subversivo, como “pode fazer merda pq é anti herói”, mas é só uma representação da nossa cultura atual, que diz que se pode fazer piada de tudo e usa e abusa da falsa simetria. No fim ele não é nada além do mais do mesmo sendo vendido como original.

      PS: Como você aguentou tanto mansplanning nesses comentários? Fizeram questão de não entender sua crítica para poder te explicar o que vc obviamente já sabia.

  • Thomas, The Pink Lantern

    Todos meus comentários apagados/recusados… gostaria de saber se falei algo ofensivo ou quebrei alguma regra desconhecida… bom, beijo pra quem não curte opiniões contrárias.

    • Collant Sem Decote

      Cara, acabei de responder teu comentário, o maior. E lá respondi o resto dos comentários que você foi jogando pelo post. Se você leu a política de comentários que está disponível vai ver que eu não respondo ou aprovo comentários no momento que o autor os faz, já que eu tenho uma vida além do blog. Obrigada.

  • Collant Sem Decote

    Oi Thomas!
    Que bom que a sua experiência com o filme foi mais positiva que a minha.
    1) O filme pode ser ~errado~ mas em momento nenhum a informação de que o personagem tem problemas mentais é apresentado NO FILME. No quadrinho, sim, mas essa é uma informação que o filme não te dá, então não tem como eu incluí-lo na minha discussão de como o personagem é apresentado no filme.
    2) Porque uma representação é normalizada não quer dizer que ela não é preguiçosa ou boa. Personagens femininas são constantemente diminuídas e colocadas de lado em filmes com protagonismo masculino. Esperar que um filme que tem a pretensão de ser transgressor do gênero de filmes de quadrinhos também quebrasse esse estereótipo não era pedir demais. Ele dizer que o filme é cheio de clichês não exime o filme de seus erros. Já respondendo ao seu outro comentário, sim, eu falei que Vanessa nos quadrinhos é uma personagem mais interessante, mas como uma maneira de mostrar o quão simples seria transformar um estereótipo bobo em uma personagem interessante como, por exemplo, a Peggy Carter em Capitão América O Primeiro Vingador.
    3) De novo, em momento nenhum o filme dá a informação de que Wade tem problemas psicológicos, apenas que ele funciona no limiar entre o herói e o vilão.
    4) Eu não sei do que exatamente você está falando, mas sim ele mata o vilão. E eu não pedi para Deadpool ser o padrão de nada.
    5) Olha, você pode não ter achado as piadas homofóbicas, porém eu vi muito machismo nas piadas sim. Zoar a própria franquia de filmes não é a mesma coisa que zoar um sistema de poder, como poderia ter sido caso ele tivesse ido além do lugar comum. Respondendo ao seu outro comentário sobre a cena de sexo anal, acho muito positivo que você não tenha a visto de maneira ofensiva, e eu sei que existem passivos e ativos, mas minha questão com ela é que ela podia ter sido o momento perfeito para quebrar as pernas do fã machistinha que ficou chorando quando Ryan Reynolds disse que o personagem ia ser pansexual no próximo filme. Teria sido o ir além que eu falei.
    6) A premissa da história e o contexto estão dentro do filme, e a minha opinião é que é uma premissa que podia ser interessante mas é mal executada, clichê e lugar comum. Você não precisa concordar comigo, mas eu continua achando que o filme tem os defeitos que ele tem.

    Em momento nenhum eu disse que qualquer outra visão do filme é menos desatenta que a minha. A minha análise do filme é uma análise feita usando o meu ponto de vista, imagino que a sua é feita com o seu ponto de vista.

    • Thomas, The Pink Lantern

      Olha… se o filme não deixou claro pra vc que ele tinha problemas mentais (de origem emocional, com a história dos assassinatos na guerra e a tortura na fábrica de mutantes) acho que é percepção seletiva de sua parte.
      Ah, e quandl o Deadpool fica conversando conosco que, teoricamente, não existimos para o unoverso do filme, acho evidente que ele é louco… ah, e ele se masturba com um unicórnio… sei lá, ele é maluco mesmo, não precisa de uma tarja do ministério da saúde.

      • Collant Sem Decote

        Olha, quebrar a quarta parede é um artifício até bastante usado no cinema. A Grande Aposta, que está em cartaz, também quebra a quarta parede e isso não indica em nada que os personagens tem problemas psicológicos, é apenas um artifício de roteiro de metaliguagem.
        Ele se masturbar com um unicórnio apenas quer dizer que ele tem preferências sexuais fora do comum, eu não costumo ligar fetiches sexuais com problemas mentais.

      • Collant Sem Decote

        E em nada foi explorado a questão dos assassinatos de guerra, eles são apenas mencionados como parte do passado duvidoso do personagem. E ele entra e sai da fábrica de mutantes com o mesmo senso de humor, não há uma tentativa de evidenciar danos emocionais que o personagem poderia ter sofrido.

  • Bruno Amorim De Sá

    Adorei seu review. Dividimos a mesma opinião. =]

  • Castello

    to querendo MUITO que escolham a Keira Knightley pra fazer o Cable! hahahaha seria muito bom.

  • Paula Kerner

    Eu entendi a proposta do filme, e gelei em algumas piadas contra minorias e de abuso infantil. Não entendi porque as pessoas riram (deu vontade de perguntar: “por favor, me explique porque é engraçado? Não entendi” e ver algumas pessoas explodirem). Mas honestamente… O que se esperar?

    Digo de antemão que não leio os quadrinhos pra não esquentar a cabeça. Mas não é de hoje que vejo os próprios fãs não entenderem as premissas de seus personagens e se atentarem aos mais ínfimos detalhes de suas construções de persona (racista/homofóbico/machista que é fã de X-Men, por exemplo. Ou aquela vez em que chamaram o Capitão América de esquerdinha caviar comunista do capeta na Fox News)

    A intenção talvez pode ter sido mostrar o quão incorreta é a conduta do Dead Pool. Mas sabe, lembra de Tropa de Elite? Teve gente falando sobre o quão macho era o Capitão Nascimento e o quanto que TODOS os policiais deveriam torturar pessoas negras aleatórias que tem em comum o endereço e classe econômica. Tiveram que fazer um segundo filme pra tentar tornar mais óbvia a intenção do roteirista e do diretor. Muitas vezes o estúdio não torna sua mensagem à prova de erro de interpretação e muita gente cai dentro.

    Inclusive, adoro citar como exemplo Jogos Vorazes: ninguém entendeu a brutalidade do evento transmitido e teve gente que COMEMOROU as mortes de algumas personagens só porque eram ‘chatas’. Acharam ótimo um garoto enorme (negro, porque todos os negros são brutos né) esmagar com uma pedra o crânio de uma pré-adolescente que tava lutando pra sobreviver. Ninguém entendeu a premissa da obra; os estúdios falharam em tornar isso óbvio, porque é desafiador adaptar um livro em primeira pessoa com uma protagonista introspectiva e tímida, e várias críticas mt interessantes e personagens brilhantes entraram num limbo.

    Pra mim, muito disso é culpa de não ter pessoas não brancas, mulheres e pessoas de diferentes classes sociais nesses espaços; os personagens que saem do espectro branco, homem, hétero e “macho” normalmente são fracamente desenvolvidos porque não se tem alguém pra apontar e falar “está uma merda, faz de novo.”

    • Bru

      Amei o que você disse!!
      Só que infelizmente essa culpa dos filmes de não traduzir a mensagem corretamente é dolosa, eles fazem justamente pra vender e pra aumentar a aceitação com o público padrão, e claro, aumentar o amor pelos protagonistas.

  • Z é

    Tá, é até interessante alguns dos seus pontos. O problema é que tudo o que você argumenta se baseia em conhecimento de quadrinhos. O produto cinematográfico tem de ser independente das hqs(para a compreensão geral do filme), podendo ter alguns poucas(ou muitas) referências extras.

    • Collant Sem Decote

      A única coisa que eu falo baseada no quadrinho é que a personagem Vanessa foi diminuída do que ela normalmente é nos quadrinhos. Oo não entendi o seu comentário!

      • Z é

        Normalmente, em filmes(em especial os baseados em hqs), eu faço duas análises do produto cinematográfico que consumo: A primeira é em relação aos pontos fortes e fracos no campo da mídia cinema(na minha visão de espectador limitado); A segunda é em relação a obra da qual o filme foi adaptado(os pontos na qual o filme pecou e os que adaptou bem).

        Não há nada de errado em apontar uma má adaptação do filme(como o caso da Vanessa, que mudou até de cor). Vejo problema em querer justificar diversos deslizes do filme com informação que estão restritas nas hqs, que por sinal a pessoa que vai ao cinema não necessariamente deve conhecer para compreender o básico do filme(esse é o erro que eu acho que o Junior comete mais acima nos comentários)

    • Rodolfo Oliveira

      Mas justamente esse filme foi feito pra quem lê os quadrinhos. Diferente dos outros filmes de heróis que são bastante independentes, esse não tentou agradar um público maior. Tanto é que quando o Rated R e as proibições em países eles não alteraram uma cena do filme, se o filme quisesse fazer sucesso com que não conhecia o personagem antes eles teriam feito de tudo pra tirar o Rated R.

      • Z é

        Em poucas palavras: Quadrinho é quadrinho, e cinema é cinema! Por mais que um filme tenha referência de outra mídia(no caso hq), isso não isenta o produto cinematográfico do compromisso com a própria mídia do cinema. Ou seja: Sendo para um público restrito ou abrangente, a história de um filme tem que bastar por si só, sendo necessário para entendê-la somente o ato de assistir o filme.

        O conhecimento do quadrinho é um algo extra, que serve(ou deveria servir) para suplementar o filme, não criando nenhuma dependência de conhecimento prévio para quem for assistir o filme(e quiser compreendê-lo)!

  • Bárbara Prince

    Senti que as piadas desse filme, na maioria, foram feitas para pré-adolescentes. Sinceramente, não vejo graça em rimar com vagina, nem em soltar pum. Mas o que mais me chocou foi que não achei que em pleno século XXI a Marvel ainda fosse fazer tantas piadas preconceituosas.

    Além disso, eu não conhecia o personagem e o achei um escroto fútil – aliás, a trama só existe por ele ser um escroto fútil. Li nos comentários que é isso mesmo, que a HQ é assim, então bom saber: já sei qual HQ não ler.

  • Collant Sem Decote

    Hum, não. O filme é uma obra separada do quadrinho, ele não existe no mesmo universo do quadrinho. O filme pode ter sido feito para os fãs do quadrinho, mas isso não o exime de precisar apresentar o personagem e o seu universo, e nada do que foi comentado aqui, sobre os problemas psicológicos de Wade, por exemplo, estão no filme. Ou seja, esse fato não importa para o entendimento do filme.

    • Ian Ribeiro

      cara, Deadpool é definitivamente O filme pra nao se levar a sério. Quem é fã do personagem, ADOROU. E esse era o objetivo do filme

  • Collant Sem Decote

    Olha, o filme pode ter sido feito com o objetivo de agradar os fãs dos quadrinhos, mas isso não quer dizer que ele atinge só eles. Também não quer dizer que ele existe dentro do universo dos quadrinhos, que também não é o caso. Por isso ele precisa criar um universo que seja auto-sustentável, que ele até fez, mas que em momento nenhum mostrou elementos como, por exemplo, os problemas psicológicos de Wade. Se uma informação existe no quadrinho mas não existe no filme, então não faz parte da história e do universo do filme.

  • Fefa Contreiras

    Bom eu conheço o DeadPool muito por alto por conta dos meus irmãos, mas uma coisa que eu notei que voce comentou sobre como a Vanessa foi diminuída, bem que eu me lembre quando ela conheceu e teve um relacionamento com o Wade ela ainda não tinha se descoberto mutante, que eu me lembre seus poderes se revelam somente depois… mas como disse meu conhecimento é superficial e minha cronologia pode estar errada, mas que eu me lembre era isso, sendo assim pode ser que num proximo filme a vanessa desempenhe um personagem mas ao estilo que vc acha que ela deveria ser…

  • Igor

    Não sei se ainda está disposta à discussão, mas achei interessante tudo o que disse e queria adentrar no debate. Sim, é um filme muito fiel às HQS e direcionado para os fãs, mas um filme deve ser uma mídia pronta para àquelas que não conhecem os quadrinhos de fato, nisso eu concordo. Porém, isso deve ser levado em conta na sua crítica sobre as cenas serem contadas de “forma estranha com flashbacks que contam como Wade se transformou em DeadPool, se alongando por quase metade do tempo do filme”, pois isso foi feito justamente para apresentar o passado do personagem a quem não conhecia e até mesmo é dito ao final dessas cenas pelo deadpool “pronto, tudo contado”. Mas, se não gostar desses estilo de cortes foi sua crítica, então entendo, mas foi algo necessário. Deadpool não é uma representação heroica, ao menos não devia ser, então ele incentivar o Dopinder a sequestrar a mulher e matar seu romance não pode ser dito como uma má influência, por em termos de morte, deadpool não tem limites. Porém, o próprio colossus que ficou com uma atitude de “o que é isso que estão falando ai, deadpool?” se demonstra como a entidade a se seguir na cena, o certo.Devo concordar contigo sobre a cena do sexo anal, poderia ser totalmente bem aproveitada no filme e ter tido êxito na imagem que passa. Entendo (não defendo) o estúdio que tinha receio em jogar um personagem novo no cinema (ou quase) com todas as quebras de paradigmas que muitos dos machistas não gostariam. Entendo, mas não concordo. Os esteriótipos são sátiras dele mesmo, é algo dos quadrinhos, então para mim não acredito que estejam mal feitos. Sobre o que disse das “piadas” sobre pedofilia e abuso infantil, também não concordo em fazer piadas de pontos assim, mas no filme me passou uma imagem mais de ironia e um instinto de defesa dos personagens do que uma piada de mau gosto sobre algo assim, não sei, posso estar errado, mas uma pessoa rir da própria desgraça não é algo que deva ser totalmente levado como só uma piada abusiva. Eu não me lembro de piada transfóbica no filme, não digo que não tem, só não me lembro e seria mais interessante se você citasse elas. E eu concordo plenamente sobre o que disse sobre a Wanessa, pois nas hqs ela é uma personagem muito foda que não foi aproveitada e só despejada como interesse romântico mesmo. Nos trailer havia uma fala como “nao faço o tipo de donzela em perigo, wade” e foi exatamente o que ela foi, não entendi. E sobre o que diz de personagens inúteis para a trama deve se entender, agora que conhece o personagens, que tudo e todos são colocados na frente do deadpool para que ele se aproveite disso em forma de humor. Mas não, não foram inúteis, pois foi nos x-men’s dos quadrinhos a primeira aparição do deadpool e sempre o tentam recrutar mesmo e isso pode ser indício de um universo compartilhado nos cinemas no futuro. Então, era necessário apresentar os personagens. Enfim, concordo com muita coisa e discordo de algumas, pois vendo de fora o filme peca muito, mas espero que esse filme de apenas apresentação do personagem (que resume o filme pra mim) seja apenas o começo. E que no próximo tenhamos casal gay, a pansexualidade dele, a wanessa se transformando em algo maior e merecedor e uma quebra de preconceitos que deadpool tem total chance de fazer.

  • Denize Mesquita

    Oi. Gostei muito da sua análise, principalmente com relação aos personagens e roteiro. Só Gostaria de lhe sugerir uma correção. A Vanessa trabalha como prostituta, ela não é uma puta. Na verdade é justamente essa palavra que as pessoas usam para ofender mulheres que trabalham dessa maneira. E também, o fato de ela curtir sexo e ser louca na cama não faz dela uma Puta. Não vi alguém a chamando assim no filme, vi esse termo só aqui no texto, por isso estou sugerindo a correção. Brigada e abraços.

    • Collant Sem Decote

      Oi Denize! O termo Puta foi usado em contraponto com Santa, porque esse é o tropo da garota legal, ela é santa (boa namorada) e puta (curte sexo e etc). É o modo como se faz referência a esse tropo, é aquela coisa deu boa de cama e mesa, sabe? Só que usado para construir esse ideal masculino (que utiliza esse tipo de linguajar). Vou colocar um adendo para deixar mais evidente que o problema não é ela ser prostituta, mas o modo como o filme constrói o tropo. Obrigada! 🙂

  • Collant Sem Decote

    Oi Sara! Como eu disse pro moço gay que também gostou do filme, eu fico muito contente mesmo que você teve uma experiência positiva e não viu os problemas que eu destaquei. Eu tenho particularmente um problema com a cena do sexo anal porque, ao Wade reagir ao ato da maneira que ele faz, ele conecta isso com algo negativo. Como sexo anal é culturalmente relacionado à homossexualidade masculina, a cena perde a possibilidade de ser algo positivo e trabalhar a questão da pansexualidade do personagem, e liga isso à algo negativo. E a piada com a Angel além de misógina me pareceu transfóbica.
    Eu infelizmente vou fechar esse tópico por causa da chuva de chorume que o texto tem recebido, mas se você quiser continuar a discussão, eu vou ficar feliz de fazer isso através da nossa page no facebook. 🙂
    Obrigada pelo comentário!

  • Collant Sem Decote

    Pelo que eu li sobre a personagem ela já era mutante quando conhece o Deadpool, mas a questão é que mesmo que ela não fosse, teria sido interessante ver esse aspecto da personagem na tela, ao invés de ver só um interesse romântico clichê.
    Infelizmente eu vou fechar esses comentários por causa da chuva de chorume, mas se você quiser continuar a discussão na pagina do facebook, estarei por lá! 😉

  • Guilherme

    Lembrando é claro que essa é sua opinião, qualquer um pode ter uma opinião igual ou diferente da sua, e se alguém gostou das cenas mais pesadas ou dos clichês do filme, você não pode insulta-lo assim como essa pessoa não pode insulta-la se você não gostou. Até porque, essa é a sua opinião. Apenas respeitemos a opinião um dos outros.

    • Rebeca Puig

      tô aqui tentando achar onde foi que eu insultei alguém.
      não achei.

  • Desculpa, isso já pode até ter sido apontado nos comentários, mas isso: ” OU SEJA, o único momento cômico que poderia cair em cima do espectador “padrão” de Deadpool não funciona e, na minha opinião, rejeita inclusive a questão do personagem ser bissexual/pansexual” não fez o menor sentido. Orientação sexual tem a ver com gêneros, não com práticas. Tá cheio de homem gay ou bi por aí que não gosta de penetração anal e de homem hetero que gosta.

    O cara não curtir dar a bunda PRA UMA MULHER tem lhufas a ver com a atração dele por homens ou qualquer outro gênero. Um site tão legal não devia perpetuar ideias tão simplistas sobre sexualidade como “dar o cu = não ser hetero/ser viado = dar o cu”.

    • Rebeca Puig

      Oi Alguém! Olha, a intenção ao falar sobre essa cena foi exatamente destacar que o personagem originalmente não é heterossexual, e fazê-lo curtir ao invés de não gostar dessa cena teria, além de deixado uma porta aberta para o desenvolvimento dessa faceta do personagem, mexido com o cara padrão que acha um absurdo um herói (ou anti-herói) não sair da heteronormatividade, essa que condena o sexo anal do modo como o filme pretende abordar. Teria sido interessante ver a reação do público ao ver o personagem sentir prazer com um ato que é tão fortemente condenado pela heteronormatividade.
      Eu sinto muito se o que transpareceu foi que eu quis simplificar a questão, mas a verdade é que o próprio filme trata isso com esse tipo de simplicidade. Eu entendo que gostos sexuais não estão necessariamente ligados à orientação sexual, mas não existe uma discussão sobre a pansexualidade do personagem e esse momento, por mais padrão que fosse, poderia ter sido um dos momentos para se abordar esse lado tão interessante do personagem.

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