Essa semana fomos acertadas no estômago pela notícia de um estupro coletivo contra uma menina de 16 anos. Na sexta-feira chegou a notícia de que uma outra adolescente também sofreu estupro coletivo, dessa vez no Piauí, estado que já havia noticiado quatro outras vítimas no ano passado. Foram dias tentando processar toda a informação para conseguir articular um texto que seja o mais explicativo possível sobre o que é a Cultura do Estupro.

Esse é o primeiro texto de uma série que vai abordar o modo como os diversos meios de cultura pop expressam e ajudam a manter a cultura do estupro funcionando. Neste texto a intenção é fazer um apunhado geral do que é a Cultura do Estupro, alguns dos principais mantenedores dessa cultura e como a cultura pop a sustenta de maneira geral.

Estupro acontece quando alguém força uma outra pessoa à um ato sexual. Nada justifica estupro. Mulheres casadas não são obrigadas à fazer sexo com seus maridos, uma garota já ter dormido com um cara não quer dizer que ele tem direito à sexo sempre que quiser. Se uma mulher está embriagada demais para consentir, é estupro. Mesmo que uma mulher não tenha dito não, mesmo que ela tenha ficado em choque com a situação e não tenha conseguido fazer nada para tentar evitar, se ela não queria o ato sexual, é estupro.

O que é Cultura do Estupro?

Em uma cultura de dominação, todo mundo é socializado para ver violência como uma forma aceitável de controle social.

bell books.

Cultura do Estupro é um termo que serve para englobar uma série de pensamentos e comportamentos que ajudam à normalizar a violência contra a mulher e a culpar as vítimas de abusos sexuais. São ações que passam despercebidas para a grande maioria das pessoas exatamente porque as classificamos como normais. Algumas delas são, inclusive, o comportamento padrão da nossa sociedade.

Vivemos sobre a medida do “inocente até que se prove o contrário” o que pode ser muito positivo mas, num caso de estupro, isso quer dizer que a vítima é considerada mentirosa até que ela consiga provar em todos os detalhes que o estupro aconteceu. Vítimas de estupro passam por uma pressão muito maior do que as vítimas de outros crimes, espera-se de uma vítima de estupro que ela tenha uma memória fotográfica de todos os fatos. Ela não pode esquecer de absolutamente nada, precisa saber e se lembrar de tudo na hora, não tem direito à passar por um período de choque – qualquer coisa pode indicar que ela está mentindo. Essa pressão vem do fato de que, culturalmente, a mulher é vista como mentirosa, não confiável e traiçoeira, inclusive fazendo uso da sua sexualidade para enganar, seduzir e culpar homens inocentes. – Isso é cultura do estupro.

Muitas mulheres sofrem estupro dentro de suas próprias casas. São maridos, pais, irmãos, avós e tios. Mulheres que são estupradas pelos seus maridos tem uma dificuldade ainda maior de qualificar o ato como estupro porque a nossa sociedade parte do princípio de que se ela é casada qualquer sexo é consentido, isso tira da mulher o direito sobre o seu corpo. Recentemente, aqui no Brasil, um homem foi inocentado do estupro da neta porque ela foi incapaz de reagir, ficando muda e parada enquanto o estupro acontecia. O juiz identificou que se ela não tentou impedir, não foi estupro. Isso também é cultura do estupro.

Na cultura do estupro a sexualidade feminina possui duas funções: servir aos homens, ou oprimi-los. Não há espaço para uma sexualidade saudável feminina, porque a cultura do estupro não vê mulheres como seres humanos, apenas como objetos.

Culpar a Vítima

A não ser que alguém viva e ame nas trincheiras, é difícil se lembrar que a guerra contra a desumanização nunca acaba.

Audre Lorde.

São muitos os comportamentos que a Cultura do Estupro normaliza, entre eles está exatamente a culpabilização da vítima. Quando uma mulher relata um abuso sexual a primeira coisa que se questiona é se ela está falando a verdade, qual o histórico dela. Na maioria dos casos de estupro cobertos pela grande mídia (que são muito poucos) nós ficamos sabendo primeiro sobre o passado da vítima, só depois se averigua quais são os antecedentes do acusado.

Prints de posts de facebook, fotos, twittes e todo tipo de informação que está disponível online são usados para julgar a vítima, isso não só constrói a narrativa do merecimento do estupro, como também é usado contra ela para estabelecer se ela é confiável ou não mesmo na justiça.

Toda mulher tem alguma característica que será usada contra ela caso ela seja estuprada. Se gosta de festas, é baladeira e sem controle. Se tem uma vida sexual ativa, é promíscua. Se está confortável com o seu corpo e usa as roupas que bem entender, se veste como puta – o que estabelece também que prostitutas merecem o abuso. Mulheres religiosas talvez sejam “santas do rabo quente”. Se usa drogas ou estava bêbada, mereceu e não tem como se lembrar se consentiu ou não. Se é uma mulher lésbica, aprendeu o que realmente é bom. Se é mulher trans, é para aprender a ser homem. Não tem como escapar, mesmo a mulher mais dentro dos padrões da sociedade vai ser julgada caso ela seja vítima de estupro. Basta ser mulher.

É importante notar que a cultura do estupro existe dentro da nossa sociedade patriarcal e machista que vai sempre dar o benefício da dúvida ao homem, nunca à mulher. Culpar e julgar a vítima é parte da manutenção da cultura do estupro.

Quando alguém é assaltado na rua e aponta o acusado, ninguém levanta o passado da vítima, ninguém questiona se ela não está mentindo, ninguém pergunta se ela não estava distraída – assalto é assalto e, como um crime qualquer, o acusado é quem vai ser investigado. Como a maioria das vítimas de estupro é mulher, no entanto, a investigação do abuso sexual começa sempre pela vítima: quem ela é, qual o histórico dela, se usa drogas ou não, se trabalha ou não, se é sexualmente ativa ou não, quantos parceiros, se bebe, que roupa usa. Ninguém pergunta à vítima de um assalto quantas vezes ele foi assaltado antes, se ele costuma andar de bolsa ou mochila, ninguém quer saber o porque dele estar sozinho naquela hora da noite ou do dia. Porque ele é a vítima do assalto, mas a vítima do estupro não é só uma vítima, aos olhos da sociedade e muitas vezes da própria justiça, ela é a acusada.

Romantização da agressão sexualizada masculina.

Estupros estão apenas aumentando, os reportados e os nunca reportadas. E estupro não é sexualidade agressiva, é agressão sexualizada. Como Kalamu ya Salaam, um escritor negro disse, enquanto a dominação masculina existir, estupro irá existir. Apenas mulheres se revoltando e homens se conscientizando de suas responsabilidades na luta contra o sexismo poderão acabar com o estupro.

Audre Lorde.

Quando falamos que todo homem é um risco, estamos refletindo sobre como a nossa sociedade educa os meninos, com permissividade e a noção perigosa de que eles tem direito à tudo que eles quiserem – inclusive mulheres. Isso acontece exatamente porque a nossa sociedade é machista, sem o machismo e sem a misoginia a cultura do estupro não existiria. Por mais bem educado que um garotinho seja, por mais assertiva que seja a sua criação, a sociedade vai ensinar para ele que tudo e qualquer coisa está ao seu alcance, a sociedade vai dizer para ele que mulheres são coisas, objetos e que ele tem direito sobre elas. Quando a mulher o rejeita, ele vai entender isso como uma rejeição quase primordial, já que ele aprendeu que pode ter tudo que ele quer. Isso é cultura do estupro.

Parece radical, mas mesmo em adultos nós vemos diversos exemplos de como a cultura do estupro impregnada dentro de homens que são considerados legais ainda é forte. Um exemplo disso é o arquétipo do “cara legal”. Um homem que diz acreditar na igualdade de gênero, que luta pela causa LGBT, que parece ser um homem desconstruído MAS que cresceu abraçando, beijando e “chegando” em meninas de maneira agressiva e acha que está tudo bem. Ele provavelmente vê isso como o comportamento padrão. Segurar a cintura ou o braço da garota em quem tem interesse, se projetar para cima dela para tentar um beijo, insistir quando ela o rejeita. Mesmo os homens mais desconstruídos estão sujeitos à ações machistas.

Homens aprendem que não quer dizer sim, ou pelo menos que não não quer dizer que você deva parar de tentar. A mulher o rejeita uma vez, mas não é o bastante, porque ele cresceu aprendendo que ele pode ter aquilo que ele quer, basta se esforçar um pouco mais. E esse esforço pode terminar de diversas maneiras, tanto em assédio quanto em estupro. Parece um pulo distante, mas não é.

Muitas mulheres, para se livrarem de homens insistentes, mentem e dizem que tem namorados. Essa tática funciona tão bem porque os homens aprenderam que mulheres são objetos e, por isso, tem dono. Alguns homens não caem na mentira, ou simplesmente não se importam, e continuam insistindo. Alguns desistem e partem para a próxima vítima, mas outros respondem com violência, como mijar na garota que o recusou, outros partem para a agressão física e outros para a violência sexual.

Essa noção masculina de que ele tem domínio e direito ao corpo de uma mulher se expressa tanto nos exemplos mais violentos, como nos mais simples. Homens aprendem que eles podem brincar de abrir zíperes de blusas, de encostar nos seios rapidinho “para zoar”, que eles podem continuar oferecendo álcool para amiga para que ela fique “soltinha” e por isso “mais fácil”.

Quando seus comportamentos violentos chegam ao extremo, com agressão física, estupro ou mesmo assassinato, a sociedade que os educou está pronta para desculpá-los, eximí-los da culpa ou culpar a vítima.

A mídia vai dizer que ele “agiu de impulso”, que “não planejou, aconteceu”, “foi dominado pela raiva”, “tinha muito ciúmes” e até que “amava demais”. Sempre vai ter alguém para dizer que ele era um ótimo homem, pai, filho, irmão, que não teria feito isso em “circunstâncias normais”. Vão, obviamente, procurar no comportamento da vítima algo que justifique o “ataque de fúria”. Vão inclusive desumanizar o estuprador para amenizar a sua culpa.

Quando um homem estupra ele é constantemente chamado de monstro ou doente. Eu entendo que o nosso sentimento de confusão e assombro com um caso de violência é tão grande que a primeira coisa que queremos é desvencilhar-nos desse tipo de pessoa. E sim, existem estupradores que possuem problemas psiquiátricos – mas eles estão longe de ser a maioria. Estupradores comumente dividem a casa, os amigos, o trabalho e a vida com a vítima. Eles pode ser um desconhecido que a encontrou no meio da rua e decidiu que ela seria a próxima vítima. Mas mesmo esse desconhecido muito provavelmente, na sua vida social, passa como um homem “normal”. Classificar estupradores e assassinos de mulheres de doentes ou monstros é tirar deles a responsabilidade de suas ações, é dizer que há algo maior do que eles os forçando a cometer esses crimes. E esse não é o caso.

Friendzone é cultura do estupro.

Enquanto homens forem ensinados à igualar dominação violenta e abuso de mulheres com privilegio, els não vão entender o dano feito para eles e para os outros, não terão nenhuma motivação para mudar.

bell hooks.

Quando escrevi o texto no meu perfil sobre isso, vi muitas pessoas que compartilharam questionando sobre essa afirmação, um rapaz inclusive veio me perguntar no inbox sobre isso. É preciso lembrar que o termo Friendzone é amplamente utilizado do ponto de vista masculino.

O termo friendzone estabelece que há uma área no relacionamento entre um homem e uma mulher em que ela o coloca, mesmo que ele nunca tenha falado sobre seus sentimentos. A friendzone parte do princípio de que um garoto dá atenção, presentes, cuidados e carinho à uma mulher na espera de uma recompensa que, na grande parte das vezes, é de cunho sexual. A mulher, dentro desse universo, não tem direito de não estar interessada em nada além de uma amizade e, quando ela não reciproca os sentimentos do rapaz, ela a está colocando na friendzone. Isso cria uma sensação de injustiça com o rapaz que fez tudo para a garota que não o quis. Ou seja, a garota não tem a opção de não querer o garoto, ela não pode querer só uma amizade, porque na mente desse rapaz ele merece ela, ele tem direito sobre o seu corpo e sobre os seus sentimentos, e se ela não o corresponder então ela é considerada uma cretina.

A lógica falha por detrás da Friendzone funciona exatamente porque nós vivemos com a cultura do estupro: o homem tem direito e merecimento ao corpo da mulher. Quando ela o rejeita, ele se senti injustiçado.

Como a cultura pop sustenta a Cultura do Estupro.

Miss Marvel foi sequestrada, estuprada e os Vingadores não fizeram nada. Anos mais tarde a história foi recontada para afirmar que sim, ela foi uma vítima.

Carol Danvers, então Miss Marvel, foi sequestrada, estuprada e os Vingadores não fizeram nada. Anos mais tarde a história foi recontada para afirmar que sim, ela foi uma vítima. Neste quadrinho o seu algoz lhe diz como ele a convenceu a se deixar ser estuprada.

Nós crescemos consumindo todo tipo de produto que a cultura pop nos oferece. Quadrinhos, livros, games, filmes, séries de televisão e jogos de mesa. Nós crescemos absorvendo a narrativa que ela nos fornece e, muitas vezes, o que absorvemos ajuda a moldar a pessoa adulta que nos tornamos – isso pode ser positivo e negativo. Achar que nós vivemos dentro de uma bolha, em que nada que a cultura pop nos alimenta fica conosco, é ignorar inclusive que costumamos nos estabelecer dentro de nichos dentro da cultura pop. Ou estamos mais ligados à quadrinhos, ou à cinema, literatura, séries, RPGs – são gostos criados de acordo com o material que consumimos e mais nos identificamos ao longo do tempo.

Esses comportamentos que a cultura do estupro sustenta estão, constantemente, presentes nos produtos que nós consumidos desde crianças e, por isso ajudam a normalizá-los. Como meninas nós assistimos filmes, desenhos e lê-mos livros e quadrinhos  que quando um garoto gosta de você, ele te bate, é agressivo ou te xinga. Nós aprendemos que é normal um príncipe te beijar desacordada, que é romântico quando um desconhecido te observa dormir. Aprendemos que é normal um homem dizer o que acha sobre o seu corpo enquanto você caminha na rua, aprendemos que determinados comportamentos vão causar um desequilíbrio no homem e que ele não vai conseguir controlar.

Garotos crescem aprendendo que sentimentos são coisa de menina e, muitas vezes, não sabendo como reagir à eles são agressivos. Como a sociedade o parabeniza pelo comportamento, inclusive através de personagens que são apresentados como heróis, o padrão se mantém.

Reed Richards foi agressivo com Sue durante boa parte das suas primeiras histórias,  o Homem-Formiga possui duas histórias clássicas e uma mais recente de violência contra a Vespa. Todo o arco de Crise de Identidade, da DC, tem início com o estupro seguido de morte da esposa de um dos heróis. Charles Bronson quase estupra Cláudia Cardinale para “ensinar uma lição” em Era uma Vez no Oeste, Han Solo passa boa parte da primeira trilogia sem saber lidar com os seus sentimentos. Romantizamos até hoje o assassinato Nancy Spungen por Sid Vicious.

O próprio ato do estupro feminino é utilizado constantemente apenas para mover o plot do personagem masculino, humanizar uma personagem feminina (porque de qual outra maneira ela seria humana?), dar um ar sombrio à história sendo contada – tudo isso sem a intenção de realmente questionar ou discutir estupro de verdade. Muitas vezes, inclusive, o criador do conteúdo nem se dá conta de que está escrevendo uma cena de estupro, exatamente porque a cultura do estupro normaliza qualquer padrão de violência sexual contra a mulher.

Eu adoro os filmes da década de 80 quanto qualquer pessoa, mas em Gatinhas e Gatões dois rapazes trocam a calcinha da protagonista pelo “direito” sobre uma outra menina. O rapaz que quer a calcinha e que, por consequência, “cede” a outra menina, é o interesse romântico da protagonista. Em “A Vingança dos Nerds”, a vingança dos nerds contra os seus bullys envolve aterrorizar parte das namoradas dos inimigos, instalar câmeras pela casa, capturar imagens nuas delas e depois disseminá-las pela faculdade. O IMDB considera A Vingaça dos Nerds “Um clássico instantâneo para o underdog em cada um de nós” – um clássico que se baseia em vitimar mulheres para vingar-se de homens. Mas não precisamos ir muito longe, American Pie mostra uma garota tendo a sua intimidade exposta para a escola inteira, perdendo o visto de estudante e sendo deportada de volta para o seu país de origem – mas a principal vítima dessa história é o nerd que não conseguiu perder a virgindade. Tudo isso é cultura do estupro.

Precisamos continuar conversando.

Mesmo dentro das mulheres como um grupo há aquelas que são vítimas maiores da cultura do estupro. Mulheres negras, por exemplo, são sexualizadas ainda mais e ainda mais cedo do que mulheres brancas. Nós vendemos ao exterior as “mulatas”, vendendo a imagem de que a mulher brasileira é fácil e sempre disponível, de que a mulher negra é personificação do sexo, dando toques de racismo à cultura do estupro. Mulheres indígenas, asiáticas e de outras etnias são comumente vistas como exóticas, atribuindo à elas um misticismo racista e misógino que resulta na sexualização ainda maior. Mulheres orientais são constantemente infantilizadas e vistas como bibelôs sexuais. Mulheres bissexuais e lésbicas são sexualizadas e vistas como promíscuas, mulheres trans muitas vezes sofrem com uma exotificação objetificadora. Isso tudo é cultura do estupro.

Nos próximos dias vamos trazer diversos textos falando mais a fundo sobre o modo como a Cultura do Estupro existe dentro da cultura pop. Assim que os textos forem saindo vou linkado cada um deles aqui em baixo.

Não é fácil olhar para algo que gostamos e ver algo ruim, não é mesmo. Mas se queremos melhor e continuar evoluindo como sociedade e como fandom é preciso sim olhar com olhos críticos aquilo que consumimos e o efeito que isso tem em nós e ao nosso redor.

Quando um estuprador coloca imagens de um estupro na internet, seja em redes sociais ou whatsapp, ele o faz porque nós achamos normal. A sociedade ensina que não há nada de errado em vitimar mulheres, que muitas vezes há uma recompensa para isso. A impunidade masculina quando se trata da violência contra a mulher é tão grande e tão normalizada que muitas pessoas não vêem o machismo e a misoginia que nos cercam o dia todo. Piadas sobre estupro são vistas como normais, assédio sexual, fiu-fiu e outros comportamentos menos “violentos” são considerados comuns, parte do comportamento masculino. Homens não conseguem se segurar, eles dizem. É parte do instinto. Novamente eu repito: homem consegue não cagar nas calcas, mas não consegue ficar calado ou segurar a mão assediadora.

Cultura do Estupro existe, ela funciona dentro da nossa sociedade como algo comum, como algo normal e ajuda a manter um perfil predatório masculino normalizado, sempre vitimando e oprimindo principalmente mulheres. Ignorar que ela está presente é se recusar a ver o modo como nós, mulheres, somos tratadas e retratadas na nossa sociedade. A nossa liberdade só é nossa até que não ultrapasse o desejo masculino, seja ele o político, o pessoal, o religioso ou o sexual. Já passou da hora de mudarmos isso. Chega de cultura do estupro.

 

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