Semana passada eu comentei sobre como Bruce Timm errou feio a mão com a Arlequina no primeiro curta pré-lançamento de Liga da Justiça: Deuses e Monstros. Hoje tô aqui pra dizer que os erros com Arlequina continuam, mas que o último curta, estrelado pela Mulher Maravilha, é bem diferente.

A gente sempre discute aqui no collant que um dos principais problemas com a sexualização dos uniformes de super-heroínas está no fato de que a sexualidade das personagens nunca são trabalhadas a favor delas, e sim a favor do olhar masculino, diminuindo a personagem à uma idealização sexualizada.

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Muitas das personagens femininas oriundas dos quadrinhos de super heróis passam por esse problema. A Mulher-Maravilha é uma das poucas a ter a sua sexualidade atrelada à ela desde a sua criação, já que em sua origem ela foi criada exatamente para discutir sexualidade e gênero, tendo inclusive simbolismos de BDSM no seu uniforme clássico. Infelizmente, como acontece tanto no mundo dos quadrinhos, ao longo dos anos a personagem foi perdendo essa força de discussão e passou muito tempo sendo desenhada e transformada em mais uma personagem feminina em que a sexualidade não lhe pertence, mas sim ao leitor/espectador. Mas Bruce Timm parece ter acertado no que tantos (inclusive ele) erraram.

No curta, MM está bem evidentemente em controle de sua sexualidade, o que é muito legal e ajuda o quesito “sexy” da roupa dela fazer sentido. Eu continuo achando o design feio e continuo tendo certeza de que tomara que caias com decotes até o umbigo estão infinitamente longe de serem a escolha certa quando você desenha uma super-heroína. A roupa da Arlequina, no entanto, continua não fazendo o menor sentido. E hey, a Mulher-Gato de Timm tá aí para provar que sexy não quer dizer partes do corpo à mostra.

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Eu devo dizer que eu ainda estou com o pé atrás, no entanto. Por mais que eu tenha gostado do curta da Mulher Maravilha, tanto o do Batman quanto o do Super-Homem mostram versões realmente mais sombrias dos heróis, enquanto no caso da MM o sombrio fica por conta da sexualidade dela. Mulheres ainda sofrem muitos estigmas com o que diz respeito à sua sexualidade, sendo constantemente reduzidas a isso, por isso me incomoda um pouco que os personagens masculinos tenham tido uma mudança de personalidade para o sombrio, então o que aconteceu com a MM me parece ter sido uma volta às origens acima de tudo. MAS isso tudo falando sobre os curtas. Vamos esperar o filme para ver como isso vai ser trabalhado.

Além disso tudo, vale dizer que a atriz que dubla a voz da Mulher Maravilha é Tamara Taylor, atriz negra que me deixou querendo ainda mais que tivesse mudado a etnia da personagem para esses filmes. A Tamara está no ar em Bones, como a cientista chefe da equipe do seriado. Teria sido uma mudança muito bem vinda se, assim como com o Superman, a gente tivesse visto uma mudança de origem e etnia na Mulher Maravilha.

  • Fabio Marques Santana

    “A gente sempre discute aqui no collant que um dos principais problemas com a sexualização dos uniformes de super-heroínas está no fato de que a sexualidade das personagens nunca são trabalhadas a favor delas, e sim a favor do olhar masculino, diminuindo a personagem à uma idealização sexualizada” não vou argumentar contra isso, pois não há argumentos contra isso.
    Mas pergunto isso: Poderiam me dar exemplos dos quais eu poderia seguir em que a sexualidade das personagens é trabalhada em favor delas e não a favor do olhar masculino?

    • Fabio, é sempre muito difícil achar uma personagem que possui bem refletida o seu domínio sobre a sua sexualidade. A Emma Frost de X-men, com todos os seus problemas, tem uma fase legal. A própria Batwoman também. Há quem diga que a Poderosa é uma personagem em controle da sua sexualidade, como não acompanho ela não posso te dizer com certeza. A real é que por mais que uma personagem de quadrinhos seja legal, ela muito provavelmente foi/é muito sexualizada e possui apenas fases em que é bem trabalhada.

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