Ontem eu assisti Guardiões da Galáxia pela  milésima vigésima vez e uma personagem me chamou mais atenção do que das outras vezes, a Carina.

Um dos pontos mais legais do filme, na minha opinião, é o modo com que ele consegue mexer com as emoções do espectador de maneira a fazer com que você sinta verdadeiramente a morte de todos aqueles pilotos da Nova Prime, por exemplo. São essas preocupações com personagens periféricos que, ao meu ver, tornam a experiência de filmes tão épicos como Guardiões mais prazeirosas e profundos.

Mas quem diabos é Carina?

Carina é a escrava do Colecionador que morre ao tocar a Jóia do Infinito. O Colecionador, apesar de ser um personagem que acaba sendo retratado pelo filme como alguém razoavelmente ok, mantém escravas e criaturas vivas presas dentro de caixas de vidro. Não tem muito como defender um cara desses.

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Quando encontramos Carina pela primeira vez em Guardiões (ela fez uma participação ainda menor nas cenas pós-crédito de Thor: Mundo Sombrio) ela está de joelhos ao lada da caixa de exibição de um Elfo Negro. O Colecionador pergunta se a raça de Carina tem cotovelos ou se ela quer acabar como sua predecessora – parte da sua coleção. Carina rapidamente volta a esfregar o vidro, obviamente com medo.

Assim como os guardiões, quando Carina decide encostar na jóia, ela tinha acabado de assistir o Colecionador mostrar aos seus convidados o que acontece caso uma pessoa normal encoste numa das jóias do infinito. A personagem existe única e exclusivamente para servir como exemplo do que acontecerá caso um dos Guardiões toque na jóia, além de causar a explosão que dará início a segunda grande cena de ação do filme. Mas o que fica de verdade é a decisão que a personagem toma ao pegar a jóia em suas mãos.
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E cara, isso é uma bad muito grande. Eu não acho que o filme faz um trabalho bom o suficiente em mostrar o Colecionador como o homem escroto que ele é, mas como o universo inteiro do filme caminha numa área cinza de moralidade, faz sentido que ele não seja retratado de maneira muito vilanesca.

A morte de Carina, no entanto, atenta para o quão verdadeiramente ruim o Colecionador é, sempre que o filme mostra o Colecionador através dos olhos da personagem é que conseguimos ver de verdade quem ele é. Um beat (momento) de personagem, a escolha de Carina por morrer ao invés de continuar escrava do Colecionador, que pode passar despercebido, mas que ainda assim pode ser tão tocante. São detalhes como esse que fazem Guardiões da Galáxia o tipo de filme que dá gosto assistir de novo, e de novo e de novo.

Então fica aqui, uma pequena lembrança à Carina.

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Observação: Nos quadrinhos Carina é o nome da filha do Colecionador, obviamente não é a mesma personagem.

  • A atriz é muito parecida com a brasileira Fernanda de Freitas!

  • Nossa! Não tinha prestado atenção neste detalhe!

  • ABEL PEDRO FERREIRA GONCALVES

    A Carina dos quadrinhos, até onde eu sei, é a esposa do Adam Warlock, não?

  • Felipe Vinha

    Ela é filha do Colecionador mesmo. E tem uma importância muito maior que a do filme. Leia A Saga de Korvac, obrigatória pra entender não apenas o Colecionador, mas a Carina também. E sim, é a mesma personagem. Só resolveram adaptar ela de forma diferente no longa-metragem.

  • Diana S.

    Engraçado que quando eu assisti eu fiquei com dó da personagem, pensando a que ponto ela chegou por não suportar mais a vida de escrava. Aliás, o fato dele aprisionar criaturas ali já incomodava bastante. E é como você falou no seu (ótimo) texto: são detalhes assim que faz com que Guardiões da Galáxia seja um filme tão maravilhoso de se assistir: nos importamos com o que acontece com os personagens, incluindo aqueles que são quase figurantes.

  • David Gomes de Souza

    Nossa, eu já estava a muito tempo esperando alguém falar sobre essa personagem, na primeira vez que vi eu realmente no notei ela, piadinhas, músicas legais, distraíram bastante, mas agora toda a vez que assisto parece que eu morro junto com ela, poxa, aquele cara é extremamente cruel. Além dela própria se libertar, liberta outras criaturas com ela, seja matando-as, ou não, por exemplo a cachorra, que imagino, seja um paralelo com a cachorra russa que foi mandada para o espaço, sai andando lá de dentro ilesa.
    Extremamente triste e muito pensativa essa passagem do filme, eu queria que mais gente tivesse pensado sobre ela. :/

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