Hoje a gente trás mais um Catarse puro amor pra você correr lá e ajudar a revista a ser financiada, tô cada vez achando mais lindo essa quantidade de mulheres por trás e como protagonistas nos quadrinhos brasileiros o/

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O que me chamou atenção logo que eu vi o projeto pela primeira vez foi o título A Samurai, acho sempre muito legal quando vejo palavras que estão normalmente associadas ao masculino serem utilizadas no feminino. E a história da revista promete ser uma jornada empoderadora e libertadora para a protagonista.

Criaação do estúdio Manjericcão, e escrita por Mylle Silva, A Samurai conta a história de Michiko, uma Gueixa tornada Samurai que sonha em reencontrar sua família. Além do talento de Yoshi, a revista vai contar também com a participação de oito artistas diferentes, dentre eles a incrível Mika Takahashi e a Bianca Pinheiro, criadora do fofíssimo Bear.

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O estúdio Majericção é formado por Yoshi Itice e Myle Silva. Yoshi e Mylle fizeram parte do estúdio LoboLimão, onde Yoshi manteve um site de webcomics e publicou quatro livros através de financiamento coletivo – eles sabem o que estão fazendo. 😉 Mylle também publicou um livro através do Catarse, o A Sala de Banho, que ela mesma encadernou e eu ainda estou tentando mesurar o trabalho sem fim que isso deve ter dado. O.O A idéia de escrever quadrinhos surgiu durante a CCXP, enquanto Mylle caminhava pelo Artists Alley (eu super entendo, aquele lugar estava puro amor).

A Mylle foi super querida e respondeu algumas perguntinhas pro Collant!

Eu fiquei bem animada quando vi o projeto a primeira vez! É muito legal ver uma personagem feminina invertendo os padrões de gênero. Como a ideia para a HQ surgiu?

Mylle: Então, sempre fui apaixonada por personagens fortes, verdadeiras guerreiras, como a Xena. Vi a série quando era pequena e a revi inteira recentemente enquanto estava disponível no Netflix. Num dia qualquer pensei como seria legal criar uma personagem guerreira, lutadora, destemida e, principalmente, sem ser sensualizada. Juntei isso ao fato de que gosto muito de cultura japonesa e decidi que a personagem seria uma Samurai. Pronto, já tinha a primeira semente, só adubei um pouco com pesquisa, contextualização e comecei a escrever.

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O título (que é muito legal, aliás) é A Samurai, por isso fiquei me perguntando se o roteiro tem inspiração no modo de contar história japonês. Tem uma pegada mangá, ou é mais ocidentalizado? Quais foram as influências para a construção da história?

Mylle: Como eu disse, sempre gostei muito de cultura japonesa – tanto que fiz um intercâmbio e morei em Tóquio alguns meses. Sendo assim, sou bastante influenciada pela literatura japonesa, principalmente pelos escritores Haruki Murakami e Yassunari Kawabata – além de mangás no geral. A intenção não é fazer um mangá, mas a história em si, tendo tanta influência da cultura e pensamento japoneses, se aproxima um pouco do que lemos nos mangás – força de vontade, ambientes fantasiosos, relações mais frias entre homens e mulheres e final em aberto são alguns aspectos muito presentes em quaisquer histórias japonesas.

Vocês têm vários artistas, com estilos bem diferentes, trabalhando no projeto, o que é uma ideia muito legal. O que a gente pode esperar do visual do projeto, da maneira como isso vai influenciar o roteiro?

Mylle: Olhando o trabalho de cada um dos artistas, vi o que cada um poderia oferecer, em como cada um poderia passar a mensagem que espero. Se é um capítulo de batalha, preciso de um traço mais fluído, se são memórias, preciso de desenhos mais delicados. A minha expectativa é que o leitor se encante durante a leitura, que cada novo capítulo seja uma nova experiência dentro da compreensão da história. O objetivo é fazer uma HQ envolvente, forte e encantadora.

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Eu fiquei bem interessada em quem a personagem é! Vocês podem falar mais sobre ela, e talvez um pouquinho da história dela? Sem grandes spoilers, claro!

Mylle: Michiko foi vendida ainda muito pequena para o okiya (a casa das gueixas) e foi treinada para se tornar uma delas. No período Edo (de 1603 a1868) era comum vender as meninas para esses locais. Elas não podiam sair de lá e eram treinadas para serem mulheres refinadas e habilidosas artistas que sabiam muito bem conduzir uma conversa sobre qualquer assunto. Mas Michiko tem um sonho: conhecer a própria família. Guiada por ele, ela quebra todos os paradigmas e decide se tornar uma guerreira, mesmo que para isso ela tenha que largar a vida de luxos que possui. Uma samurai que não deixa que a vida faça escolhas por ela, uma mulher que é dona do próprio destino.

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Se você ainda não se convenceu, corre lá no Catarse e assiste o vídeo que eles prepararam. As recompensas, sempre tão importantes nos projetos, também estão incríveis e você pode, inclusive, levar o quadrinho encadernado pela autora *_*.

Muito obrigada ao Yoshi e à Mylle pela participação aqui – e boa sorte!

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