Civil War II está longe de terminar, mas já começam a aparecer indicativos de para onde o universo Marvel vai caminhar depois que a mais recente guerra interna acabar. Uma delas é a revelação de que Riri Williams, personagem criada por Brian Michael Bendis, vai assumir o posto de Iron Men. Riri é uma estudante do MIT (ela se matriculou aos 15 anos) que constrói uma armadura em seu dormitório!

Em entrevista exclusiva à Time, Bendis falou sobre a criação da personagem.

Uma as coisas que ficou comigo enquanto eu trabalhava em Chicago há alguns anos […] foi a quantidade de caos e violência. E a história dessa jovem mulher brilhante, cuja vida tinha sido devastada por causa de violência de rua que podia ter acabado com a sua vida […] mas que foi para a faculdade, isso foi muito inspirador para mim. Eu pensei que essa era a versão mais moderna da história de um super-herói ou superheroína que eu já tinha escutado. E eu fiquei com ela por um tempo, até ter o momento e a personagem certa.

E nós temos devagar e, eu espero, muito organicamente adicionado todos esses novos personagens ao Universo Marvel. Me pareceu muito emocionante que esse tipo de violência ser a inspiração para uma jovem heróina se levantar e fazer alguma coisa, usando a sua perspicácia científica, suas habilidades naturais que ainda são muito cruas, mas muito além do que mesmo Tony Stark era naquela época.

Bendis também falou sobre como Riri vem a assumir o manto de Iron Man, mas vou pular essa parte já que pode gerar uma série de spoilers para quem não está acompanhando Guerra Civil II junto com os lançamentos nos EUA. Você pode ler a entrevista inteira aqui.

Mas Bendis também falou sobre tópicos interessantes que permeiam a criação de Riri. Entre eles, a dificuldade de alguns fãs em aceitarem as mudanças e a inclusão de representatividade dentro do Universo Marvel.

Alguns dos comentários online, eu acho que as pessoas não se dão conta de quão racistas eles parecem. Eu não estou dizendo que se você criticar você é racista, mas se alguém escreve “Porque nós precisamos de Rir Williams se já temos Miles?”, isso é algo estranho de dizer. Eles são indivíduos, como Capitão América e Ciclope são indivíduos. Tudo que eu posso fazer é construir o personagem, e talvez eles se deem conta com o tempo que esse pensamento não é o mais progressivo.

Mas nós vemos cada vez menos desse tipo de comentário. Assim que Miles apareceu, que Kamala Khan apareceu e assim que a Thor apareceu, tinha uma parte da audiência se arrastando no deserto por um oasis no que tocava representação e, agora que estamos aqui, você vai online e é recebido por uma onda de amor.

Acho que o mais importante é que o personagem seja criado num contexto orgânico. Nós nunca tivemos uma reunião dizendo “precisamos criar este personagem”. É inspirado pelo mundo à minha volta, e por não vê-lo representado o suficiente na cultura popular.

Eu tendo a concordar com Bendis que a situação para a representatividade hoje está muito melhor do que há alguns anos atrás, mas acho que ainda há muito caminho a ser trilhado para chegarmos ao nível de equilíbrio que o autor parece sentir.

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Uma das grandes discussões em torno das mudanças que personagens masculinos clássicos passam, como Homem-Aranha ou Thor, é se não seria melhor criar personagens novos ou novas. Eu realmente acho que criar novos personagens abre muitas portas para a representação, e ajuda a desenvolver um novo panteão de heróis que nascem por si só. Mas não consigo não ver o quão importante foi que Miles Morales tenha se tornado o Homem-Aranha, ou que Jane tenha se tornado Thor. Porque por mais incrível que novos personagens possam ser, é difícil que eles alcancem a repercussão que esses heróis clássicos possuem hoje. Pelo menos não aconteceria rápido o suficiente para que eles tivessem o impacto social que Miles, Kamala ou a Thor tiveram.

Uma das coisas que Bendis disse na entrevista, e que ficou comigo, foi que ele pode contar com quadrinistas conhecidos como Mike Deodato para criar a personagem. Deodato é ótimo – mesmo. Mas eu preferiria ter visto um nome feminino, de preferência negro, nessa criação. Eu consigo entender que nomes de peso ajudam a acalmar o fanboy mais extremista, e também ajudam a dar respaldo para uma personagem recém criada (seja ela do gênero que for). Mas seria legal que Bendis fizesse como Ava Duvarney em Queen Sugar e, ao invés de criar algo sozinho ou com a ajuda de parceiros já consagrados, tivesse aberto espaço para trabalhar também com quadrinistas e roteiristas novas.

Riri vai ter um longo caminho pela frente, um deles será como continuar se chamando, já que Homem de Ferro parece não se adequar ao seu gênero. Bendis é o criador de Jessica Jones e Miles Morales, então tenho esperança de que ele consiga fazer um trabalho interessante com a personagem. Guerra Civil começou com sérias falhas no quesito representação de personagem negros, então vamos ficar na torcida para que pelo menos após o seu fim nós tenhamos algo à celebrar.

Outros textos incríveis sobre representação negra nos quadrinhos:

Porque precisamos de outros Super-Choques, no Minas Nerds. 

Moon Girl, Representatividade e a Quebra de Uma História Única, no Preta, Nerd e Burning Hell. 

Morte preta para lágrimas brancas, no O Lado Negro da Força.

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