Mais uma temporada de Game of Thrones chega ao fim. Com um episódio de uma hora e meia, The Dragon and the Wolf deixa tudo preparado para o grande conflito que vai dar um ponto final na história de Westeros. Arcos foram concluídos e muitas decisões foram tomadas, nem todas da melhor forma.

O episódio no geral é divertido, a segunda metade é melhor que a primeira. Infelizmente, The Dragon and the Wolf começa de forma mais maçante e, inclusive, com algumas incoerências, mas com o tempo vai melhorando o ritmo e chegando no final. Algumas coisas de fato foram bem previsíveis, mas certos pontos da trama só tinham um caminho para ir até agora.

Por mais que Game of Thrones, como já mencionei antes, saiba fazer um show, as incoerências de roteiro ainda fazem com que certas cenas percam a força. Em alguns momentos, é como se eles tivessem medo de escolher caminhos arriscados, que é uma das grandes característica da série, que faz tanta gente gostar de assistir Game of Thrones. Entre momentos ruins e outros que nos fizeram vibrar, a série conclui sua penúltima temporada.

A partir daqui o texto terá spoilers do episódio.

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A primeira cena do episódio é bem dispensável. É legal ver que Verme Cinzento sobreviveu, mas não tinha necessidade de perder tantos minutos em um diálogo sobre pênis. Depois desse momento desnecessário entre Jaime e Bronn, vemos que o time Daenerys está chegando em Porto Real, só que sem a mãe dos dragões.

Game of Thrones é uma série em que dificilmente vemos tantos personagens importantes juntos. Até há pouco tempo, vimos a história se expandindo, cada personagem “principal” com seu próprio núcleo. Agora muitos deles se encontram, alguns pela primeira vez, o que obviamente deixa o clima tenso. Alguns diálogos aqui são bem interessantes, principalmente os de Cão com Brienne e Montanha Zumbi. Cersei se prepara para matar Daenerys e Jon caso as coisas saíam muito do controle.

Daenerys aproveita esse primeiro encontro com Cersei para mostrar seu poder. Ela chega um pouco atrasada, mas leva seus dois dragões restantes para o encontro. Quando a reunião começa, Euron interrompe Tyrion algumas vezes, o que eu honestamente ainda não entendi a necessidade. De qualquer forma, Jon faz seu discurso sobre “os mortos estão vindo” e Cão mostra o zumbi que eles pegaram na missão suicida. Mesmo Cersei, que não ficou surpresa com a presença dos dragões, ficou chocada com o que viu.

Jon fala tudo que eles sabem sobre como eliminar os White Walkers. Euron estava particularmente insuportável até o momento. Na hora que ele vê o zumbi, ele anuncia que vai pegar seus navios e ir embora para Pyke, já que os White Walkers não atravessam o mar. Eu achei bem esquisito ele desistir dessa forma e o fato de Cersei não mandar arrancarem a cabeça dele, mas depois nós entendemos porque isso aconteceu.

Cersei decide que vai ajudar com uma condição: Assim que a ameaça tiver acabado, Jon precisa ficar no Norte, sem se meter na guerra entre ela e Daenerys. Jon devia ser a menor das preocupações dala, o exército do Norte é mais fraco que o de Daenerys, então achei um pouco aleatório esse pedido. De qualquer forma, Cersei sabe que Jon é parecido com Ned, se ele der a palavra, ele de fato vai cumprir. Mas, assim como Ned, Jon é leal e ele já tinha se ajoelhado para Daenerys, então no melhor estilo Stark, Jon fala que não pode fazer isso, porque ele já é fiel à uma rainha. Pela reação das pessoas, ninguém além de Daenerys sabia disso. Então Cersei diz que não vai ajudar e se retira da reunião.

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Brienne tenta convencer Jaime de que essa ameaça é muito maior e mais importante do que a guerra dos tronos, mas Jaime continua achando que é impossível ir contra a vontade de Cersei. Isso mostra esses dois lados da personalidade de Jaime: o Lannister arrogante e que não se importa com nada além dele e sua irmã, com o cavaleiro que tentou salvar Westeros e acredita nas promessas que faz. Essa dualidade aparece desde a terceira temporada, quando ele perde a mão, mas a série tem enrolado ao deixar ele cada vez mais do lado de Cersei. Brienne está tão de saco cheio quanto a gente, mas por enquanto Jaime continua na mesma.

Apesar de apreciar o que Jon fez, Daenerys diz que ele devia ter concordado com os termos de Cersei, se não tudo aquilo foi por nada. Tyrion até diz que ele deveria ter mentido, mas Jon é o Stark que mais se parece com Ned. Isso me incomoda um pouco. Eu entendo que Jon tem toda essa questão de ser nobre e leal, mas Game of Thrones já nos mostrou inúmeras vezes que ser assim pode levar a morte. Ned e Robb foram derrotados por isso, o próprio Jon já sofreu dessa forma. Eu esperava que, depois de morrer uma vez, Jon voltasse menos como Stark e mais esperto, mas pelo menos na série parece que a morte só serviu para uma tensão momentânea, porque ele está do mesmo jeito e dificultando a vida dos outros.

Tyrion decide que ele mesmo vai tentar falar com Cersei, o que pode ser uma péssima ideia. Essa cena é bem legal porque os diálogos e as atuações mostram muito de como os dois irmãos estão se sentindo. Por mais que se odeiem, eles se conhecem melhor do que a maioria. Cersei ainda culpa tudo de ruim que aconteceu com os Lannister no Tyrion, o que não surpreende ninguém, porque ela está cada vez mais longe de ver as coisas racionalmente. No final, Tyrion descobre que ela está grávida e quando vemos Cersei de novo, ela volta para a reunião e diz para Daenerys e Jon que vai ajudá-los, mas que eles devem se lembrar disso quando a luta terminar.

Eu não acho que Tyrion viu o bebê e resolveu trair Daenerys, que Cersei concordar no final foi uma armadilha que os irmãos Lannister fizeram. Tyrion detesta Cersei, não acho que eles estão armando contra a Daenerys. Li uma teoria dizendo que Tyrion pode ter prometido para Cersei que seu filho reinaria Westeros independente de qualquer coisa. A questão da sucessão apareceu em vários momentos nessa temporada, Daenerys falou muitas vezes que não pode ter filhos, então talvez pensando nisso, Tyrion poderia ter prometido, mesmo que pretendesse não cumprir depois, que mesmo que Daenerys governe Westeros, é o filho de Cersei que ficaria no trono… Isso explicaria porque a cena cortou bem no momento em que ele descobre que Cersei está grávida, mas também não vejo porque Tyrion acharia isso uma boa ideia ou como essa sucessão poderia funcionar, então acho improvável.

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Mais tarde, vemos que Cersei estava armando para cima de todos. Ela mandou Euron fazer aquele teatro todo para ir buscar a Companhia Dourada pelas costas de todo mundo. Cersei também admite para Jaime que não pretende cumprir sua palavra, um dos dois lados terá sido destruído até o final da guerra e ela tem esperanças de derrotar quem sobreviver depois. Isso não é tão inteligente, mas pode ser que Cersei ainda não tenha se tocado do tamanho do exército do Rei da Noite. Caso eles vençam, os Lannister não tem qualquer chance, e se Daenerys vencer e perceber que foi traída, Drogon vai botar foto em muita coisa.

O mais legal aqui é que Jaime finalmente vai embora de Porto Real. Ele percebeu que as coisas podem dar muito errado e sua ligação com Cersei pode ser perigosa. Fiquei realmente tensa quando o Montanha zumbi pegou sua espada, mas Jaime não morreu dessa vez. É interessante ver também que Cersei ainda não está completamente na loucura, porque os sentimentos que ela tem por Jaime a impediram de executá-lo como faria com qualquer outro traidor. Eles provavelmente ainda vão se encontrar na próxima temporada.

Em Pedra do Dragão, Jon decide que vai levar Daenerys para Winterfell. Os homens do Norte podem confiar em Daenerys caso vejam o quanto Jon confia nela, o que pode dar muito certo ou muito errado. A Sansa ganhou muitos pontos com o Norte nesse episódio, então se ela ficar do lado de Jon, o que eu acho provável, a presença de Daenerys lá não será um problema. Theon vai conversar com Jon, falando de todos os erros que cometeu, inclusive trair a família Stark. Jon fala que mesmo Theon sendo um Greyjoy, ele também é um Stark, já que foi criado em Winterfell. Vamos ver se Jon manterá sua visão quando descobrir a verdade sobre o próprio pai.

Theon resolve que vai pegar os homens de ferro que sobraram e ir atrás de Yara. No começo, nenhum deles escuta Theon, porque ele fugiu da batalha da última vez, mas depois de uma cena bem mais ou menos de luta, Theon prova que ele ainda sabe brigar. Como os Greyjoy gostam dessas demonstrações de força, os homens das ilhas de ferro decidem acompanhar Theon nessa quase missão suicida.

Depois de alguns episódios com o Norte tendo cenas bem fracas, esse núcleo foi um dos melhores do episódio. Primeiro vemos Mindinho tentando manipular Sansa mais uma vez, convencendo-a a sempre pensar o pior dos outros, assim estará preparada para o que pode vir. Eles fazem um brainstorm e a conclusão final é que Arya está fazendo tudo aquilo porque quer pegar o lugar de Sansa como Senhora de Winterfell. Qualquer pessoa que conhece a Arya sabe que essa é a última coisa que ela ia querer, se eu fosse Sansa, teria percebido a armação de Mindinho naquela hora.

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Não sei bem quando ela percebeu, o episódio falha em não nos dizer quando os irmãos Stark se uniram para derrubar Mindinho, mas finalmente acontece. No começo, a cena tenta enganar a audiência, parecendo que Sansa vai julgar os crimes de Arya, mas as acusações são para Petyr Baelish. Sansa sabia de alguns crimes, mas a maioria provavelmente veio do conhecimento de Bran como corvo de três olhos. Mindinho tenta apelar, pede para ser levado até o Vale, implora para que Sansa não faça aquilo, afinal ele amou tanto ela quanto Catelyn. Mas Sansa aprendeu sua lição, ela condena Mindinho por trair a casa Stark e Arya o mata. Finalmente esse momento chegou, não só o personagem já tinha perdido o rumo, como só atrapalhava a vida dos Stark desde o primeiro dia.

Eu gosto que os Stark não tenham se dado bem de primeira, faz sentido que Arya e Sansa briguem, mas como eu venho falando nas últimas críticas, as coisas parecem confusas e forçadas. Pode ser que tudo o que aconteceu tenha sido um plano das duas para enganar Mindinho, mas o último episódio não se deu ao trabalho de dizer quando foi que elas perceberam isso. Não era preciso muito, naquela última cena que mostra as duas conversando, elas poderiam ter falado sobre isso, mas de qualquer forma foi uma das melhores partes do episódio.

Sam chega em Winterfell e vai conversar com Bran, que está bem diferente do que ele se lembra. Eles começam a falar sobre Jon, Bran diz que ele precisa saber que não é um bastardo de Ned Stark, mas sim de Lyanna Stark com o príncipe Rhaegar Targaryen, que nós já sabíamos há algum tempo. Apesar das teorias serem muito populares, nós não tínhamos certeza se Rhaegar e Lyanna estavam apaixonados ou se ela tinha sido sequestrada. Também não sabíamos que Jon era um filho legítimo. Quando Bran fala que Jon é Sand e não Snow, os sobrenomes dados aos bastardos de acordo com o lugar de Westeros em que nasceram, Sam fala que descobriu que na verdade Rhaegar anulou seu casamento com Elia para se casar com Lyanna, tornando Jon o próximo herdeiro de Westeros.

Bran usa o seu poder para ir até o momento do passado em que Rhaegar e Lyanna se casaram e vê a verdade, estabelecendo como a rebelião de Robert foi baseada em uma mentira. Enquanto isso, vemos também Jon e Daenerys ficando juntos pela primeira vez, o que é muito esquisito se você pensar que a série acabou de dizer que eles são tia e sobrinho, não que a gente já não soubesse, mas foi uma escolha curiosa de edição. Talvez eles tenham colocado dessa forma para mostrar que agora estão apaixonados, mas os dois eventualmente podem brigar pelo trono, já que são os últimos Targaryen. Essa disputa pode ser facilmente resolvida com um casamento. Tyrion percebe o que está acontecendo e, pela sua expressão, parece que ele está prevendo um possível problema. Eu não acho que isso seja sinal de que ele traiu Daenerys, muito menos de que está apaixonado. Ele está vendo duas pessoas em posições políticas complicadas que estão se apaixonando, e infelizmente amar alguém em Game of Thrones nem sempre termina bem. Essa cena dá uma nova dimensão para o nome The Dragon and the Wolf, porque por mais que Jon seja Targaryen, a simbologia dos Stark é a mais forte nele.

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Muitas pessoas reclamaram do Bran não saber dessa informação que Sam fala, e essas críticas fazem todo o sentido. Nos livros, sempre tive a impressão de que, mesmo o Bran tendo acesso a todo o conhecimento da linha do tempo de Westeros, ele precisava saber o que procurava para poder ver o acontecimento. Com essa regra, faria sentido que Sam descobrisse antes dele, o problema é que a série não se deu ao trabalho de estabelecer como o poder de Bran funciona direito. Dá a entender que ele sabe tudo, então não faz sentido ele ser pego de surpresa dessa forma.

Outro ponto que vale mencionar é o nome de Jon Snow. Finalmente temos a confirmação de que ele se chama Aegon Targaryen, o que confundiu algumas pessoas. Quem leu os livros sabe que Aegon era o segundo filho de Rhaegar com Elia Martell. Por que ele teria dois filhos com o mesmo nome?! Inclusive nos livros há toda uma história sobre Aegon ter sobrevivido, já comentei sobre isso algumas vezes, inclusive as inúmeras teorias sobre ele ser um falso Targaryen. Acho que o fato do nome do Jon ser Aegon é uma forma da série de confirmar que nos livros esse personagem de fato é falso.

Então há algumas possibilidades que explicam essa cena. A mais provável é que a série tenha esquecido e colocado o nome de Aegon em Jon, já que é o nome do primeiro conquistador Targaryen, e combinaria com toda a história de Jon poder ser Azor Ahai. Eles até poderiam alegar que nunca mencionaram o nome do segundo filho de Rhaegar na série, mas Beric já tinha falado numa das primeiras temporadas que os filhos dele eram Rhaenys e Aegon. A outra possibilidade é que Lyanna tenha colocado depois que soube que o primeiro Aegon morreu, talvez como homenagem ou para manter o sonho de Rhaegar vivo. Ele amava profecias, se na série eles de fato estavam apaixonados, Rhaegar pode ter falado sobre essas profecias para Lyanna e ela pode ter acreditado.

Para terminar, vemos o Rei da Noite montando Viserion zumbi e destruindo a parte da muralha em Atalaialeste. Tormund e Beric provavelmente morreram, porque o dragão destruiu toda aquela região com seu gelo/fogo azul. Os mortos finalmente atravessaram a muralha e o primeiro alvo é muito provavelmente Winterfell.

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A segunda parte do episódio funciona melhor que a primeira, que por mais que junte boa parte do elenco, acaba ficando arrastada. Como eu venho falando, há vários momentos legais, mas que sofrem de furos no roteiro nessa temporada. A tendência é ficar até pior, considerando que a oitava temporada terá seis episódios, mas também se pensarmos que há poucos conflitos pela frente, pode ser que as coisas fiquem mais fáceis narrativamente falando. Há muitas reclamações da série estar previsível, em parte eu concordo, mas há coisas que estão há anos caminhando para esse lado, então não é tão absurdo que nós adivinhemos certos acontecimentos.

Uma das coisas que mais me incomodou na temporada foi a falta de coragem. Como já falei no texto do sexto episódio, Game of Thrones nunca teve medo de matar personagens amados. Derrapar no jogo dos tronos significa a morte, como Cersei falou naquela famosa frase da primeira temporada. Isso não acontece mais. Todos os personagens que foram colocados em situações terríveis conseguiram se safar de todas as formas, isso faz com que nos importemos cada vez menos com essas situações. O ritmo dos acontecimentos não teria me incomodado tanto se os furos no roteiro não fossem tão gritantes.

Na próxima temporada Daenerys e Jon ainda terão que lidar com Cersei, afinal ela não cumprirá sua parte do trato, mas já que Jaime foi embora de Porto Real, ele pode se unir à Tyrion e contar a verdade sobre os planos da irmã. Theon provavelmente vai morrer tentando fazer algo nobre e as batalhas com os White Walkers serão mais frequentes. Também é bem possível que Daenerys engravide, Jon mesmo fala para ela que uma bruxa que matou Drogo não é a fonte mais confiável sobre ela ser estéril, se isso não é a série falando que ela vai ter filho, eu não sei o que é. Mas espero que, mesmo assim, ela se lembre da promessa de quebrar a roda.

Espero que a oitava temporada aprenda com os erros da sétima. Nos 45 do segundo tempo, só nos resta esperar para ver a resolução da história de Westeros. Para quem não sabe o que fazer até lá, eu sugiro que, caso tenham paciência, leiam os livros. Há muitas coisas diferentes lá, inclusive muitos personagens ainda vivos. É bem possível que os livros terminem de formas bem diferentes, então é uma outra visão que eu acredito que vale a pena para quem gosta desse universo de George Martin. Nossa vigília começa de novo, até a próxima temporada!

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