Dando continuidade à lista de mulheres diretoras de cinema publicada na semana passada, apresentamos nesta segunda parte algumas diretoras da Asia e Oceania.

ASIA

naomi kawase

Naomi Kawase

A diretora japonesa é presença constante no Festival de Cannes. Seis de seus filmes foram exibidos no Festival, onde dois deles receberam prêmios, tendo sido a diretora mais jovem a ter recebido uma premiação em Cannes. Além disso, foi também a primeira diretora japonesa a participar como Júri do Festival.

Os filmes de Naomi – que incluem “Sabor da Vida” (2015), “O Segredo das Águas” (2014), “Floresta dos Lamentos” (2007) e “Shara” (2003) a consagraram como um dos grandes nomes do cinema japonês atual – conhecido por sua indústria cinematográfica dominada por homens.

mira nair

Mira Nair

A diretora indiana se tornou famosa mundialmente por seu “Um Casamento à Indiana” (2001) no qual retratava, nas telas, um casamento arranjado. Antes, porém, já havia dirigido o bem-sucedido “Salaam Bombay!” (1998), vencedor de dois prêmios em Cannes. Nos últimos anos, Mira dirigiu filmes como os Hollywoodianos “Feira das Vaidades” (2004) e “Amelia” (2009), além de “Nome de Família” (2006) e “O Relutante Fundamentalista” (2012). Além disso, dirigiu curtas-metragens e documentários. Diretora múltipla, a cultura e identidade indiana, bem como o sentimento de ser estrangeiro e viver nos Estados Unidos, são temas constantes na maioria de suas obras.

haifaa al-mansour

Haifaa Al-Mansour

Considerada a primeira mulher diretora na Arábia Saudita, dirigiu seu primeiro filme em 2005, o documentário “Women Without Shadows”, sobre o desaparecimento de uma mulher em seu país de origem. Em 2012, dirigiu sua primeira ficção, “O Sonho de Wadjda”, sobre uma jovem garota que almeja possuir uma bicicleta. O filme conquistou mais de 22 prêmios ao redor do mundo – dentre eles, no prestigiado festival de Veneza. Sobre as jovens mulheres na Arábia Saudita, “cheias de sonhos e potencial”, Haifaa acredita que elas “podem e vão redesenhar nossa nação”. Em um país que, no ano de 2015, ainda não reconhece o direito ao voto das mulheres, Haifaa realiza filmes que buscam mostrar  a importância da persistência e luta feminina.

nadine labaki

Nadine Labaki

“Caramelo” (2007), filme que retrata a vida de cinco mulheres vivendo em Beirute, foi exibido no Festival de Cannes, ganhou distribuição mundial e colocou sua atriz e diretora, a Libanesa Nadine Labaki, em evidência. Em 2011, dirigiu o filme “E Agora, Onde Vamos?”, que foi exibido – e saiu vitorioso – no Festival de Cannes. O filme, uma livre adaptação da peça grega Lisístrata, retrata o protagonismo de um grupo de mulheres em um vilarejo isolado, quando os homens da região ameaçam entrar em guerra. Em seus filmes, afirma mostrar sua visão sobre as mulheres em seu país natal, bem como o desejo de paz para a região.

samira makhmlbaf

Samira Makhmalbaf

Diretora considerada fundamental para a “nova onda” do cinema iraniano, Samira venceu o prêmio do Juri em Cannes duas vezes, com seus filmes “O Quadro Negro” (2000), e “As Cinco da Tarde” (2003). Seu primeiro longa-metragem, “A Maçã” (1998), filmado quando a diretora tinha apenas 18 anos, é baseada na história real de duas irmãs que são mantidas em cativeiro por seus pais. Em todas as suas obras, protagonistas femininas, e a busca pela emancipação.

Iranian writer and film director Marjane Satrapi poses during the photocall of her latest film "La bande des Jotas" (Gang of the Jotas) in Rome, on November 16, 2012 during the seventh edition of the Rome film festival. AFP PHOTO / TIZIANA FABI

Marjane Satrapi

A multi-artista iraniana, autora da célebre história em quadrinhos autobiográfica “Persépolis”, adaptada para as telas pela própria Marjane em 2007, dirigiu ainda os filmes “Frango com Ameixas” (2011) e “The Voices” (2014).

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Keren Yedaya

A diretora israelense, responsável pelas obras “Or” (2004), Jaffa (2009) e “Harcheck mi Heandro”(2014) – as três, exibidas no Festival de Cannes – aborda em seus filmes temáticas de abuso da mulher. Sobre a indústria de cinema– em sua maioria, ainda dominada por homens – Keren afirma que “não se reconhece na maioria dos filmes dirigidos por homens”, e que vê a necessidade de mais personagens e realizadoras mulheres.

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Byun Young-Joo

Uma das fundadoras do “Bariteo”, coletivo feminista de cineastas sul-coreanas, Byun se tornou conhecida pela trilogia “Comfort Women”, que documentava a história de mulheres que eram sequestradas e obrigadas a servir sexualmente o exército japonês durante a segunda guerra mundial. “Murmuring” (1995), o primeiro documentário da trilogia, é até hoje considerado um marco no documentário sul-coreano. Recentemente, dirigiu “Hoa Cha” (2012), ficção sobre uma jovem que desaparece pouco antes de seu casamento, sucesso de bilheteria em seu país.

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Ann Hui

“Tou Ze” (2011), que retrata a relação entre um produtor de cinema e uma funcionária mais velha que adoece, é o mais recente sucesso da diretora chinesa. Considerada essencial para a Nova Onda do cinema de Hong Kong, sua filmografia contém cerca de trinta títulos, dentre os quais o primeiro, “Fung Gip”, data de 1979. Seu thriller “Zodiac Killers” (1991), plot envolvia um estudante chinês que se envolvia com a Yakuza, foi um grande sucesso comercial.

Destaque também para: AnneMarie Jacir, primeira mulher palestina a dirigir um filme. Raja Amari, cineasta da Tunísia, de “Satin Rouge” (2002). De Israel, destaque para as diretoras Talya Lavie, de “Zero Motivation” (2014) Tali Shalom Ezer, diretora de “Princess” (2014), vencedor de Sundance. Vale citar a diretora russa Ana Melikyan, de “Rusalka” (2007), premiado no Festival de Berlim. Sharmeen Obaid Chinoy, paquistanesa vencedora do Oscar por seu documentário “Saving Face” (2012). Clara Law, chinesa, de “A Deusa de 1967” (2000).

 

OCEANIA

jane campion

Jane Campion

Sem dúvida, a diretora mais conhecida da Oceania é a neo-zelandesa Jane Campion. Responsável por filmes como “O Piano” (1990), vencedor de três Oscars, “O Brilho de uma Paixão” (2009) e a direção da série “Top of The Lake” (2013 – 2016), foi a primeira mulher a receber uma Palma De Ouro em Cannes e a segunda a ser nominada à categoria de melhor direção no Oscar (ambos, por “O Piano”). Sobre a clara minoria de mulheres à frente da direção de filmes, Jane afirma que “nas escolas de cinema, o balanço de gêneros é de 50/50. As mulheres se saem bastante bem nos festivais de curtas-metragens. Mas, quando negócios, comércio e arte se unem, de alguma forma, homens confiam mais nos homens”. Para ela, é mais do que hora disto mudar.

jocelyn moorhouse

Jocelyn Moorhouse

A australiana responsável por “Colcha de Retalhos” (1995) e “Terras Perdidas” (1997), voltou à direção após um gap de quase vinte anos, e realizou o ainda inédito no Brasil “The Dressmaker” (2015). No meio-tempo, produziu e escreveu filmes em Hollywood, mas decidiu voltar à seu país natal com sua família e se aventurar, uma vez mais, na direção.

christine jeffs

Christine Jeffs

Neo-zelandesa, Christine dirigiu “Rain” (2001), exibido em Cannes, “Sylvia: Paixão além das palavras” (2003), sobre a escritora Sylvia Plath e “Trabalho Sujo” (2008), exibido no Festival de Sundance.

niki caro

Niki Caro

A neo-zelandesa é responsável pelo sucesso “Caçadora de Baleias”, exibido e premiado em diversos festivais ao redor do mundo, bem como “Terra Fria” (2005) e, mais recentemente, “MacFarland dos EUA” (2015). A diretora intercala trabalhos em seu país natal, com a direção de filmes em Hollywood.

Vale conhecer ainda Julia Leigh, australiana diretora do filme “Bela Adormecida” (2011), que participou de importantes festivais ao redor do mundo e Livi Zheng, primeira mulher indonésia a dirigir um filme em Hollywood (“Brush with Danger”, 2014).

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