Depois do último episódio, era bem provável que as coisas fossem acalmar antes de mostrar ao público outra batalha emocionante. Mas Eastwatch não tomou as melhores decisões. Talvez o episódio com o ritmo mais rápido da temporada, vimos muitas revelações, algumas legais e outras que apareceram de forma que nós nem imaginávamos.

Até o momento, apenas um lado da briga estava dando tiros certeiros, mas dessa vez a coisa fica mais balanceada. Alguns reencontros acontecem, certos personagens repensam algumas decisões e voltamos a falar dos White Walkers, em como eles são uma ameaça muito mais importante do que quem vai sentar no trono de ferro.

Com dois episódios para o fim dessa temporada, dá para ver que a produção de Game of Thrones estava correndo contra o tempo para amarrar todas as pontas. Ninguém quer ver enrolação na série, mas alguns pontos poderiam ter sido melhor pensados. No entanto, Eastwatch dá a deixa para um conflito que pode ser bem perigoso no próximo episódio.

A partir de agora o texto terá spoilers.

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Bronn, funcionário do mês da casa Lannister, conseguiu salvar Jaime e nadar com ele para longe. Fiquei um pouco chateada porque eles estavam a um passo de serem capturados, cercados por dothraki e um dragão. Eu queria muito ver o Jaime ser um prisioneiro da Daenerys, se bem que acho que seria mais fácil ela queimá-lo. Bronn diz o que todos nós pensamos no episódio passado: Por que Jaime foi correndo para cima de Drogon? Ele explica que pretendia acabar com a guerra. Jaime já deu fim em outra guerra matando um Targaryen e, se todos os indícios se concretizarem, é possível que ele acabe com essa também, mas matando outra rainha.

Daenerys junta todos os soldados Lannister que sobraram e faz o discurso de sempre: Ajoelhem-se ou serão queimados. Com um dragão gigante atrás dela, não é para menos que vários resolveram se ajoelhar. Randyll Tarly se recusa, dizendo que apesar dos problemas da Cersei, ela não é uma estrangeira que viveu fora a vida toda e chegou para dominar tudo. Ele não está completamente errado, dá para entender a escolha do personagem, por mais tolo que ele tenha sido. Seu filho, Dickon, também decide que não vai se ajoelhar e os dois são queimados por Drogon.

Há algumas coisas legais de se pontuar nessa cena. Tyrion ficou bem abalado durante a luta toda. Ninguém tinha visto, até aquele dia, um dragão destruindo tudo. Uma coisa é ler histórias de Aegon com seu dragão, outra bem diferente é de fato ver a herdeira dele fazendo tudo aquilo ao vivo. Nós sempre ouvimos histórias de guerra, das pessoas que lutam pelos seus países, mas a realidade das batalhas é muito mais cruel do que qualquer livro de história pode representar. Acho que esse acaba sendo um dos aspectos que mais gosto em Game of Thrones, o fato de que, apesar de ser uma história com muita guerra, também mostra que esses meios são cruéis.

Vemos no rosto de Tyrion o quão desconfortável ele está com a situação. Ele até tenta convencer Daenerys de prender Randyll Tarly, se não outra casa chegaria ao fim. Sem fazer muito esforço, consigo pensar em outras casas que acabaram nessa guerra dos tronos (Tyrell, Martell, Bolton). Qual é a necessidade de matar mais uma? Por que executar pessoas dessa forma? Por mais que eu pessoalmente entenda o que Tyrion quer dizer, eu também vejo sentido nas atitudes de Daenerys. Não que eu ache legal, mas faz sentido que a personagem tome essas decisões. Ela está dando uma escolha, se quando as pessoas decidem morrer ela mudar de ideia, isso será visto como sinal de fraqueza. Aegon fez igual, sempre deu escolhas para seus inimigos, os que se renderam conseguiram manter suas casas. A única família que conseguiu parar o avanço Targaryen foram os Martell. Então é compreensível que Daenerys vá por esse caminho, o que não quer dizer que Tyrion não tema que ela fique igual ao pai.

Jaime pegou o teletransporte de Westeros e chegou em Porto Real (eu vou falar melhor disso depois). Ele está completamente sem esperança de ganhar a guerra, e com razão, se Daenerys fez o estrago que fez com um dragão, imagina com três. Mas Cersei não está disposta a se render, eu acharia muito esquisito se ela estivesse. Para ela, todos os caminhos podem levar a morte, então prefere lutar e inclusive joga na cara de Jaime que ele deveria também. Eu achei curioso ela considerar se aliar com Tyrion novamente, não vejo a Cersei fazendo isso, mas acho que foi mais uma forma do roteiro de dar a chance para Jaime falar sobre Olenna. Ele conta para a irmã que na verdade foi a Rainha dos Espinhos que matou Joffrey, não Tyrion.

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Daenerys volta para Pedra do Dragão e Jon tem um momento com Drogon. Eles se encaram e ele consegue fazer carinho no dragão. Obviamente Daenerys ficou impressionada, porque não é todo mundo que consegue chegar perto dos dragões, ainda mais de Drogon, que é o mais feroz deles. Eu sei que não precisa ser um Targaryen para montar um dragão, mas isso é quase uma confirmação da própria criatura de que Daenerys não é a última de sua família.

Depois que Daenerys desce do dragão, ela aproveita para perguntar que história é essa de “levar uma facada pelo seu povo”. Jon foge do assunto, mas será que ele deveria? Eu entendo que ele vai passar por louco caso diga que voltou dos mortos, mas existem algumas testemunhas disso. Se o cara voltou dos mortos, ele não ganha alguns pontos para convencer a galera de que tem um exército de gelo vindo para Westeros? E considerando que as notícias voam em Westeros (também vou voltar nesse assunto logo), será que Daenerys não teria ouvido um boato do tipo ainda? Mas Jorah ex-machina surge para tirar Jon de uma saia justa. É fofo ver o reencontro dele com Daenerys, mas eu ainda achei fraco todo o arco de escamagris. Era uma doença muito incurável para ter a solução fácil que teve, o que só me dá muita certeza de que Jorah vai morrer em breve para se “sacrificar por Daenerys”.

Tyrion e Varys conversam sobre o que aconteceu na última luta. Ambos estão com receio do caminho que Daenerys pode tomar. Por mais que eles não estejam executando as pessoas eles mesmos, acabam se sentindo culpados também. Varys acredita que alguém precisa fazer Daenerys ouvir. Tyrion é bom nisso, mas talvez essa pessoa também passe a ser Jon em um futuro próximo, principalmente depois dele ter se dado bem com Drogon. Tyrion e Varys abrem a carta de Winterfell em que comunicam Jon sobre Atalaialeste e a chegada de Bran e Arya ao Norte.

A partir daí, eles decidem criar um esquadrão suicida para ir ao norte da Muralha e pegar “evidências” de que Jon está falando a verdade. Esse plano que eles organizam não faz muito sentido. É possível capturar um White Walker e levar até Cersei? Mesmo que seja, será que isso é o suficiente para fazê-la se aliar aos seus inimigos? Eu acho bem improvável que isso aconteça, ou que a missão suicida deles dê certo, mas pode ser que eles descubram outra coisa. Sem contar que a Muralha impede os White Walkers de atravessarem, até com alguma propriedade mágica, mas se eles forem capturados essa regra é anulada? Espero que nos próximos episódios isso seja explicado.

Tyrion decide que vai falar com Jaime, o que é bem arriscado, considerando tudo o que aconteceu, e Jon vai liderar a sua missão suicida. Daenerys não fica feliz, mas dessa vez parece que é bem mais no sentido de que ela se preocupa com ele. Tudo bem, eu me rendo, o ship vai acontecer. Eu ainda não sei se compro essa relação, talvez com o desenvolvimento dos próximos episódios, mas com essa preocupação de Daenerys e a atitude do Drogon, parece que a série vai por esse caminho mesmo. Eu tenho sentimentos mistos em relação a isso. Já falei que entendo o apelo, eles são os heróis, gelo e fogo, ambos são necessários para que as coisas em Westeros funcionem. Eu sei que as pessoas falam que o próprio Jon é a canção de gelo e fogo, mas eu acredito que sejam ambos trabalhando juntos, porque mesmo sendo filho de Rhaegar, ele representa o gelo. Sem contar que seria bem mais ou menos eles construírem uma personagem como a Daenerys para ficar na sombra de Jon. Ambos fizeram coisas incríveis e impossíveis. Só que nada até o episódio passado me deu um motivo para acreditar que os dois poderiam se apaixonar. E não digo isso pela história em si, nesse sentido eu vejo vários indícios, como acabei de comentar, mas quero dizer na atitude dos personagens. O momento entre Drogon e Jon foi o começo disso, mas acho que senti falta de mais alguma coisa, algum diálogo que fizesse Daenerys olhar Jon de outra forma, não só como um possível aliado.

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Jon pouco se importa se Daenerys deu permissão para ele ir embora ou não. Até porque agora que ele sabe que Bran está de volta, há uma nova opção de herdeiro para Winterfell. Jon fala sobre a confiança que depositou em Daenerys, sobre ir na cara e na coragem para uma rainha dragão pedir ajuda, correndo o risco de morrer, e esse é outro elemento que pode ajudar na relação entre os dois. Daenerys admira aqueles que são corajosos, então ela pode ter se tocado aqui de que Jon fez uma aposta muito grande aparecendo lá daquela forma.

Em Winterfell, Bran entrou em vários corvos para descobrir a localização dos White Walkers, é assim que ele consegue informar Jon sobre Atalaialeste. Ao que tudo indica, o Rei da Noite consegue perceber a presença de Bran, que pode ser porque ele é muito poderoso ou porque eles já se viram em umas das visões do corvo.

Sansa está tentando manter todas as casas felizes enquanto Arya apenas observa. Mais tarde, ela vai questionar Sansa sobre gostar de coisas chiques, e de como ela na verdade gosta de governar no lugar do Jon, que pensa em como seria caso ele não voltasse. Eu entendo essa cena em parte, mas não gostei muito. Primeiro eu queria saber quando foi que a Arya aprendeu a ler mentes. “Ah, mas é o treinamento de ninguém!” sim, eu sei que ela consegue ler certas coisas nas pessoas, mas Arya não tem o mesmo tempo de assassina que os outros tinham em Bravos, e mesmo que tivesse, eles ensinaram muita coisa, mas poder de X-Men não foi uma delas. Pode ser que ela estivesse botando medo na Sansa, mas por que Arya sentiria tanto essa necessidade de alfinetar a irmã? Ela já aprendeu a ser silenciosa, se ela realmente acha que Sansa está armando alguma, esfregar esse conhecimento na cara dela não é lá muito inteligente.

E além do mais, Sansa não está errada nessa história. É óbvio que ela não pode xingar todo mundo como Arya gostaria, se não perderia as alianças. Lembrando que se não fosse por aqueles nobres, e a aliança que Sansa fez com o Vale, Winterfell ainda estaria com os Bolton. Eu não espero que Arya entenda isso, o método de lutar dela é muito diferente do de Sansa, e é mais do que normal que elas briguem sobre isso, ainda mais considerando que nunca se deram bem. Mas o jeito que Arya falou parece que ela estava tentando ser mais maldosa do que o necessário de propósito, o que não me parece ser a melhor maneira de agir. Pode ser que Arya esteja subestimando as pessoas em Winterfell, agora que é uma assassina sem rosto, pode acreditar que está acima dos outros, mas a gente já vê nesse episódio que ela está errada.

Arya começa a perseguir Mindinho até encontrar uma carta que ele está escondendo. Era uma das cartas que Sansa mandou na época em que estava em Porto Real, pedindo para que Robb fosse ao sul e jurasse lealdade ao rei, que na época era Joffrey. Quando Arya sai dali, vemos que Mindinho estava armando para cima dela. Eu quero que ele exploda e que a Arya e a Sansa se toquem do quão babaca esse cara é, mas faz sentido que em um primeiro momento ele tenha a vantagem. Mindinho está há anos manipulando pessoas, por mais treinamento que Arya tenha, ela tem menos experiência no jogo dos tronos. Ela também não estava por perto na época em que a carta foi escrita, então não tem como saber que Sansa estava fazendo aquilo por estar sendo forçada, além de que era uma forma de tentar salvar o irmão. É, talvez Joffrey mandasse matar Robb, mas era uma chance dele não morrer em campo de batalha.

O que me deixa um pouco chateada com toda essa situação é que é fácil de resolver. Assim como na vida, se as pessoas nessa série, principalmente os Stark, parassem e conversassem, vários mal entendidos seriam resolvidos. Sansa e Arya provavelmente vão entrar em conflito por causa de Mindinho, mas se qualquer uma delas tivesse aproveitado aqueles momentos do episódio anterior, de entendimento, para falar sobre os últimos anos, Mindinho teria que ralar mais para criar uma guerra interna entre os Stark. Não é que eu não ache que deva haver conflito no Norte, isso deixa o núcleo mais interessante, porém as soluções para resolver essas questões são simples.

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Na Cidadela, os meistres têm uma reunião sobre a chegada dos White Walkers, achando que pode ser uma tentativa de afastar a atenção das pessoas da guerra que está acontecendo em Westeros. Sam tenta convencê-los de novo, mas sem sucesso. Mais tarde, Sam e Gilly estão lendo alguns documentos da Cidadela e ele desabafa sua frustração, resolvendo pegar suas coisas e sair de lá com Gilly. Mas acho que o mais importante dessa cena toda foi um detalhe. Sam interrompe Gilly enquanto ela lia um dos documentos, só que justamente o que ela estava lendo era a prova de que Jon Snow não é um bastardo, já que Rhaegar pediu para que seu casamento com Elia Martell fosse anulado, assim ele poderia casar com Lyanna Stark, tornando Jon um filho legítimo. Eu entendo que muita gente ficou animada, os fãs gostam do Jon, mas há algumas coisas nessas cena que não fazem muito sentido.

Veja bem, esse momento está estabelecendo que Jon teria um direito maior ao trono do que Daenerys. Um bastardo sempre vai ficar atrás da família legítima, mas se Jon não é bastardo, ele tem a preferência. Basta lembrar da briga entre Joffrey e Stannis. Oficialmente, por ser filho do rei Robert, Joffrey estava na frente dos seus tios, mas Stannis sabia que ele não era Baratheon, portanto ele era o próximo a assumir o trono. Isso é gigante, porque muda não só a questão política, mas também a possível relação entre Daenerys e Jon. E sendo uma informação desse porte, vocês juram que a melhor maneira de revelar isso era enquanto Gilly lia sobre janelas?! E ainda quando é interrompida?! A série tem um personagem que vê absolutamente tudo em qualquer momento da linha do tempo, mas é nesse detalhe que descobrimos essa informação?! Não é um problema isso estar na Cidadela, aliás era provável, mas isso é muito grande para surgir dessa forma.

E calma que as reclamações sobre isso não acabaram. Baseado nas regras do universo de Game of Thrones, um casamento assim só pode ser anulado se não for consumado, por isso que Sansa pode casar com Ramsay mesmo com Tyrion vivo. Rhaegar teve dois filhos com Elia, aquela união definitivamente tinha sido consumada, então como raios ele conseguiu anular tudo para ficar com Lyanna? Ainda há chances da série voltar nesse assunto, dizer que, sei lá, o meistre que fez isso abriu uma exceção porque, afinal de contas, Rhaegar era um príncipe, mas deixar esse fato jogado não faz sentido.

Voltando para Porto Real, Davos leva Tyrion para a capital para que ele possa conversar com Jaime. Particularmente, achei que os atores mandaram bem aqui, porque deu para ver como Jaime estava em conflito, assim como Tyrion queria muito que o irmão o escutasse, já que quase o viu morrer no último episódio. Por mais que Jaime tenha raiva de Tyrion por vários motivos, ele não o levou até Cersei. Faz sentido, eles se davam relativamente bem e Jaime acabou de descobrir que Tyrion não matou Joffrey. Depois dessa reunião, Jaime vai falar com Cersei. Eles ficam sabendo que Daenerys concordaria com uma trégua, provavelmente depois de toda a missão que vai provar que os White Walkers existem. É um pouco esquisito, considerando que na última batalha Daenerys mostrou que pode ganhar se usar seus dragões, mas esse pode ser o voto de confiança que ela está dando para Jon.

Nessa mesma conversa, a gente também descobre que Cersei está grávida. E aí eu me pergunto: Por que a série fez isso? O roteiro quer fazer Cersei perder mais um filho? Porque essa criança vai morrer, é fato, a profecia diz que ela só teria três filhos e acho bem improvável isso mudar de repente. Parece um artifício de roteiro para manter Cersei viva por mais um tempo, mas não é um muito interessante. Ela diz que não vai mais mentir sobre quem é o pai e isso pode vir a ser um problema no futuro.

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Davos anda por Porto Real e encontra Gendry trabalhando. Sim, o bastardo de Robert que sumiu há muito tempo. Davos brinca, falando que achava que Gendry ainda estava remando e eu só consegui pensar “Eu também”. Davos não precisa fazer muito esforço para convencer Gendry a ir com ele. O personagem voltou para a história do nada, e por mais que eu não goste de pontas aleatórias soltas, como era o caso de Gendry, eu prefiro que elas voltem com algum sentido. Pode ser que o motivo da volta de Gendry seja explicado nos próximos episódios. Quando eles estão voltando para o barco, dois guardas abordam Davos e Gendry. É bem divertido ver como Davos tenta despistar os dois, mas quando Tyrion aparece do nada, Gendry é forçado a usar seu martelo, que faz referência à arma que Robert usava.

O esquadrão suicida se une quando Jon chega em Atalaialeste com Jorah e Gendry. Lá, eles encontram Tormund, o Cão de Caça e a Irmandade sem Bandeiras. Os personagens começam a brigar entre si, afinal não estiveram sempre do mesmo lado, mas no final Jon lembra todos eles que há um inimigo mais perigoso vindo aí, então eles saem da fortaleza para tentar concluir o plano que muito provavelmente vai matar algumas pessoas no próximo episódio.

Já mencionei antes que esse plano não faz muito sentido, mas provavelmente a existência dele vai resultar em alguma coisa que é crucial para que a história continue andando, e acho que esse é o meu principal problema com esse episódio. É óbvio que quando criamos uma história, nós colocamos os acontecimentos para que as coisas andem para frente, é normal e esperado, mas esses pontos precisam ser bem encaixados com o contexto, para que acreditemos que esse é o fluxo natural das coisas. Eastwatchtem vários momentos que são muito convenientes, mesmo que não se encaixem com o resto ou com o que já foi estabelecido em Westeros antes.

Outra coisa que já me incomoda há algum tempo, mas que apareceu mais nesse episódio, é a linha do tempo. Não, eu não quero que cada viagem até um lugar diferente de Westeros leve três episódios, é normal que o “teletransporte” aconteça, porque se fica chado. Mas ela precisa, pelo menos, fazer sentido dentro do que é estipulado no mundo de Game of Thrones. Já tinha falado antes que não fazia sentido Bran demorar mais para chegar na Muralha do que Jon em Pedra do Dragão, mas aqui temos novos exemplos. Jaime chegou em Porto Real, Tyrion foi e voltou para Pedra do Dragão em um episódio só, Jon fez toda uma viagem para o Norte… Tudo isso no mesmo episódio. Eu nem vou entrar no mérito de no próprio episódio isso ficar muito acelerado. Enquanto todas essas viagens acontecem, onde estão os White Walker? Tudo bem, eles são zumbis, demoram para chegar na Muralha, mas jura mesmo que eles não chegaram depois de todo esse tempo que está passando na série? Porque por mais que as viagens da Daenerys sejam rápidas mesmo, afinal ela usa o Drogon, só as de Jon demoram bastante.

Isso também vale para a questão das mensagens dos corvos. Por que não avisaram Jon sobre Bran antes? Ou esse corvo se perdeu? Ou eles adivinharam que a Arya ia chegar, então resolveram economizar papel? E se o corvo demora algum tempo, por que a Cidadela ficou sabendo tão rápido do que aconteceu com os Tarly? E como essas fofocas de corvos nunca fizeram Daenerys descobrir que Jon morreu? Veja, eu não me importo deles saberem as coisas dessa forma. Eu também não ligo que todos esses assuntos que dependem da localização dos lugares sejam completamente realistas, é uma série de fantasia, tudo bem, o problema é que essa linha do tempo poderia ser arrumada com uma edição um pouco mais atenta. Quando reclamamos desses pontos, não queremos realismo, queremos que as coisas façam sentido dentro do universo criado, ao menos na maioria das vezes. Sim, eu nem vou falar que precisa ser em todo detalhe (apesar de que seria melhor), mas que ao menos não seja algo tão descarado que nos faça questionar o que raios os White Walkers estão fazendo para demorar tanto.

Eastwatch anda com a história, tem momentos bons, mas acaba deixando muita coisa de lado pela conveniência do roteiro. Espero que no próximo episódio eles possam ao menos consertar alguns desses pontos.

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