Com mais de uma hora de duração, a sexta temporada entregou um season finale que fez todo mundo pular, torcer, sofrer e gritar. Alianças foram estabelecidas, muitas pessoas morreram e agora realmente temos a impressão que a história de Game of Thrones está acabando.

Winds of Winter soube lidar bem com a duração do episódio, fez cenas memoráveis e resoluções interessantes. Algumas coisas não fizeram tanto sentido e pareceram soltas, mas no geral o episódio funcionou muito bem. Pessoalmente achei que esse episódio acabou esquecendo de alguns pontos deixados ao longo da temporada, mas não dá pra negar que ficamos todos sem fôlego.

O texto terá spoilers. Já que o episódio foi mais longo que os outros e também farei algumas considerações finais da temporada, essa provavelmente vai ser a maior crítica da temporada (como se elas já não fossem enormes, né?).

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Aquela primeira sequência em Porto Real foi algo que me deixou impressionada. Edição, fotografia, trilha sonora, atuação… Foi uma das melhores sequências da série até agora, você podia sentir a tensão crescendo, nós tínhamos alguma ideia de como ia acabar, mas ficamos vidrados esperando o resultado de qualquer forma. Um dos maiores acertos do episódio foram esses primeiros minutos.

Loras e Cersei estão se arrumando para seu julgamento. Como Loras ainda está preso, ele na verdade é arrastado até o septo. Lá, o Alto Pardal, no auge da sua glória e uma fotografia que ajudava a enaltecê-lo, fez o julgamento de Loras. Esse pediu perdão e jurou servir o Alto Pardal. Os irmãos começam a marcar a testa dele e vemos Margaery jogando a cena toda, segurando o pai e fingindo aprovar a situação.

Enquanto isso a tensão continua aumentando em uma sequência que alterna tanto a morte de Pycelle, quanto a caçada de Lancel. Enquanto o meistre é esfaqueado, Lancel é atraído até túneis, onde também leva uma facada de um dos pássaros de Qyburn, deixando o ex-Lannister caído no chão. Então ele percebe: fogovivo debaixo do septo, com uma vela acesa em cima. Isso não vai terminar bem.

Também vemos Cersei apenas bebendo o vinho e olhando o septo de longe, enquanto Montanha zumbi não deixa Tommen sair de seu quarto. A ausência dessas duas pessoas no julgamento faz com que Margaery se tocasse do que estava acontecendo. Sempre gostei muito da personagem, apesar de não ser tão experiente quanto Olenna (afinal, nem tem como), ela notava bem o que acontecia ao seu redor e sabia o que fazer para sobreviver. Dessa vez não foi diferente, ela se tocou de que se Cersei e Tommen não estavam ali, então todos corriam perigo.

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O problema é que o Alto Pardal, já tomado por arrogância e poder, não ouve Margaery e seus homens não deixam as pessoas saírem do septo. Essa sequência é incrível: Lancel se arrastando pelos túneis, Margaery tentando sair, Cersei olhando para o septo e a trilha sonora fez tudo muito melhor. O resultado é inevitável: o septo explode com fogovivo e todos que estão lá morrem.

Isso significa algumas coisas bem graves. Primeiro que a casa Tyrell está destruída. A menos que eles tenham outros primos que sirvam para continuar a linhagem, todos que mantinham a casa viva (Mace, Loras e Margaery) foram mortos. No livro, Mace tem outro filho em Jardim de Cima, mas como ele aparece pouco nos livros e nem foi mencionado na série, acredito que ele não exista mesmo aqui. Segundo que, numa tacada só, Cersei acabou com praticamente todos que ameaçavam seu poder. No final, depois de tudo, Cersei alcançou seu objetivo. Ela não é exatamente a melhor pessoa do mundo, mas eu senti uma satisfação enorme em ver o Alto Pardal explodir pelos ares, a expressão de Cersei foi incrível. Apesar de já imaginar a morte de Loras e Margaery nessa temporada, lamento a morte da rainha, eu gostava dela. Mas era óbvio, Cersei e Alto Pardal (incluindo aliados de ambos os lados) não podiam existir no mesmo espaço, um deles tinha que ir e Cersei ganhou.

Cersei também se vinga de Unella, que a torturou durante a última temporada. Ver a rainha mãe andando em volta de Unella e confessando todos os pecados foi uma cena forte e muito bem feita. Inclusive tivemos a confirmação de que seu novo guarda é de fato Montanha zumbi, nós já sabíamos, mas tudo bem. Eu não entendi qual é foi a intenção de deixar Montanha junto com Unella, seria para assustar ou ele vai torturá-la também? Confesso que não me senti confortável com a cena, pensando no que podia acontecer com Unella. Assim, a leoa completa sua vingança.

O único problema é que ela teve que abrir mão do filho para isso. Tommen se mata e eu ainda não entendi muito bem essa parte. No livro ele é uma criança, então dificilmente ele cometerá suicídio, mas na série ele é um adolescente, então até aí tudo bem. Mas sua morte pareceu repentina. Ele amava Margaery e parecia realmente estar se dedicando ao que o Alto Pardal dizia, mas será que ver essas duas coisas sendo destruídas seria o suficiente para fazer o personagem tomar esse rumo? Sinceramente não sei. Enquanto procurava uma resposta, pensei que simbolicamente o suicídio de Tommen faz mais sentido. No final, o que aquele rei era sem a influência de sua esposa e da fé, que estavam puxando as cordas de sua marionete há muito tempo? Nada, só um corpo largado no chão.

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Independente disso, fica bem óbvio que o motivo real era o desenvolvimento, ou melhor, a queda de Cersei. Ela não chora por ele como chorou por Joffrey, e não porque o amava menos, mas porque já está tão quebrada, tão fria por dentro que já parece algo distante. É triste de ver, ela acabou causando a morte do filho tentando “salvá-los dos inimigos”.

Para terminar esse núcleo, Cersei é coroada rainha dos Sete Reinos e isso é gigante. Primeiro porque, se não me engano, nunca uma rainha sentou no trono sem um rei. Segundo que, se ela chegou ali, é porque definitivamente conseguiu eliminar todos os inimigos, que era seu objetivo desde o começo. Mas e o quanto isso custou? Seus filhos e sua sanidade. Lembra um pouco o arco de Sansa e Bran de “o que você deseja pode não ser tão bom assim”. Pra finalizar, Jaime chega bem na hora de sua coroação.

Cersei oficialmente tomou o posto de Rainha Louca. Assim como Aerys, ela não toma as decisões mais lógicas sempre e resolve seus problemas queimando os inimigos. Isso é bem importante se lembrarmos da profecia de Cersei. Depois que seus três filhos morressem, o valonqar (irmão mais novo) vai matá-la. Como sabemos, ela cresceu achando que esse valonqar era Tyrion, mas eu sempre acreditei na teoria que diz que na verdade quem cumprirá esse papel é Jaime. Não só Tyrion é muito óbvio como, simbolicamente, Jaime fazer isso tem mais peso na relação dos irmãos.

De acordo com Cersei e Jaime, já que eles nasceram juntos, eles devem morrer juntos. Jaime já impediu um governante louco de queimar uma cidade, foi assim inclusive que recebeu o apelido que é um dos maiores conflitos de seu personagem. Imagina se esse conflito acontece de novo quando ele se vê na posição de defender Porto Real de outro governante louco, mas agora é sua irmã, que ele ama. Muitos acreditam que ele vai matar Cersei para salvar Porto Real e se matar logo depois.

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Na casa dos Frey eles comemoram a vitória que, como Jaime bem aponta, só foi possível porque os Lannister estavam lá, se não os Frey não teriam conseguido nada. Eles têm uma conversa interessante que nos faz pensar sobre quem são os verdadeiros vencedores da guerra dos tronos, mas não sai muito disso, porque Jaime precisa pegar o teletransporte para Porto Real.

Na próxima cena, Walder Frey é servido por uma moça que ele não conhece. Ele pergunta onde estão seus filhos e ela diz que eles estão ali. No caso eles estão na torta e logo percebemos que aquela moça é mais que alguém que trabalha no castelo dos Frey. Ela é uma assassina, mas não qualquer uma, e sim Arya Stark. Com um discurso de “você tem que ver um Stark antes de morrer”, ela mata o Frey e dá ao público uma das vinganças mais esperadas desde o Casamento Vermelho.

Agora algumas pontuações sobre Arya. O arco dela não pareceu ter muito sentido nessa temporada e em vários momentos o roteiro nesse núcleo era bem fraco. Essa cena não compensa, mas pelo menos dá uma sensação de “bom, ela pode ter voltado para o mesmo lugar, mas agora ela sabe matar”. Foi satisfatório, mas não salva um núcleo que pareceu sem lugar na série. Além do mais, ela roubou uma das máscaras dos ninguém? Dá pra fazer isso?

Algumas pessoas levantaram a hipótese que ela vai matar Cersei, já que agora ela é uma assassina treinada e esse seria o último nome vivo na sua lista da série (eu acho que o Cão também tava, mas ela acredita que ele está morto). Eu gostaria que não fosse o caso, eu acho que a profecia do valonqar funciona muito melhor se for um irmão mais novo de Cersei. Arya até poderia se encaixar, ela é uma irmã mais nova (valiriano não define gênero) e a profecia não diz que precisa ser um irmão de Cersei, mas eu não sei se encaixaria tão bem.

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Sam e Gilly finalmente chegam na Cidadela. Os meistres não parecem muito amigáveis, mas temos alguma conclusão para esse arco que parecia um pouco fora de lugar. Sem contar que a biblioteca da Cidadela é incrível! Sam provavelmente vai encontrar alguma coisa muito importante que ninguém sabe, afinal não teria porque mandar o personagem para esse lado de Westeros se ele não fosse ter algum propósito.

Outro núcleo que não aparecia há algum tempo e voltou é Dorne. Apesar de não fazer muito sentido os Martell sumirem assim, eu sinceramente agradeço, já que é um dos núcleos mais fracos da série. Ellaria convida Olenna para uma conversa, o que a princípio me soa muito esquisito. Os Martell e os Tyrell possuem uma rivalidade muito forte, me surpreende um pouco que Olenna tenha ido para um lugar em que as pessoas possam querer matá-la, mas ela podia estar pensando que não tinha mais nada a perder, já que sua casa acabou de ser destruída.

Ellaria diz que pode oferecer o que Olenna quer, a Rainha dos Espinhos, ainda com diálogos engraçados que fazem dela essa personagem especial, diz que perdeu tudo e que Ellaria não pode fazer nada. Mas a senhora de Dorne diz que pode oferecer vingança e justiça, ou nas palavras de Varys: “fogo e sangue”. O tal lugar desconhecido que Varys precisava ir era Dorne e aparentemente ele conseguiu a aliança de Ellaria por trás das câmeras, que por mais que pareça repentino, não é tão absurdo assim.

Nos livros, Ellaria é uma personagem muito menor e muito de seu papel na série na verdade é de Arianne, a filha de Doran. Ela é rebelde e vai contra o que o pai diz, mas na última cena ele revela que ainda não entrou em guerra com os Lannister porque é fiel aos Targaryen e ele diz: “fogo e sangue”. Nos livros, pra mim essa é uma das partes mais incríveis, que muda toda a visão do leitores sobre Doran. Na série isso nunca acontece, mas a questão é, os Martell, assim com os Greyjoy, são aliados naturais dos Targaryen, então não é tão inacreditável que Ellaria tenha acreditado em Varys. Além do mais, tirando Daenerys, ela só pode ficar do lado dos Lannister ou de quem quer que tenha o Norte, e os Martell não tem amor por nenhum desses dois. Eu não esperava que Jardim de Cima fosse apoiar os Targaryen, eu acreditei que eles uniriam forças com os Lannister. Talvez isso ainda aconteça no livro, mas aqui eu fiquei empolgada em ver a Rainha dos Espinhos do lado do dragão, sem contar que ela nunca ajudaria a mulher que destruiu sua casa.

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No Norte, Davos finalmente vai tirar satisfações sobre o que aconteceu com Shireen. Eu gosto muito do Davos, então fiquei realmente triste em ver como ele estava arrasado com o que tinha acontecido. Melisandre se defende dizendo que o Senhor da Luz quis assim e Davos diz que se um Deus pede isso, então ele é mau. Jon tenta ficar no meio termo, então não mata Melisandre, mas manda ela ir embora e diz que a feiticeira não pode nunca mais voltar. Eu esperava um pouco mais dessa parte, confesso.

Depois vemos Sansa e Jon juntos, eles falam sobre a batalha e Jon diz que Sansa deveria ficar com o quarto dos pais, já que ela é a senhora de Winterfell e eles só ganharam por causa dela. Será que com Jon admitindo, os haters param de encher o saco da Sansa? Enfim, ela pede desculpas por não ter avisado Jon antes sobre os cavaleiros do Vale e ele diz que eles precisam confiar um no outro, que não podem guerrear entre si. Nesse momento eu achava que a relação deles chegaria nos 100%, como comentei na última crítica, mas quem viu o episódio sabe que essa ideia caiu por terra.

Antes de continuar aqui, também queria apontar o diálogo em que Sansa diz que o inverno chegou. Isso dá uma sensação muito grande de que Game of Thrones está na reta final. Como Jon lembrou, Ned falava “O inverno está chegando” sempre, é uma das frases marcantes da história, mas agora o inverno está aqui.

Mindinho vai atrás de Sansa para ser creepy de novo, a única coisa que ele disse que não me fez querer sumir foi quando Sansa diz que era idiota e ele diz “você era uma criança”. Acho que essa fala tinha que ser dita para os fãs, não Sansa, já que muitos insistem em continuar xingando Sansa por erros que ela cometeu na adolescência. Tá, depois disso Mindinho diz que quer o trono de ferro e Sansa ao seu lado. Muitas pessoas chutaram que o Mindinho estivesse tentando subir até esse ponto, mas me parece muito improvável que ele chegue lá. Tudo bem que é um sonho dele, mas será que ele não sabe que tem vários outros nobres na frente que não vão dar o trono do nada?

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Sansa dessa vez afasta Mindinho, ainda bem, mas ele precisa plantar a semente da discórdia, então ele diz que ela deve governar o Norte, afinal é a filha legítima de Ned Stark. Sansa já disse em outro diálogo que para ela Jon é tão Stark quanto qualquer um dos irmãos, mas na expressão em seu rosto a gente vê que Sansa talvez tenha ouvido Mindinho um pouco mais do que a gente gostaria.

Na última cena de Winterfell, Jon e Sansa estão fazendo uma reunião, decidindo o que será feito e as casas do Norte ainda não parecem muito do lado de Jon. Nesse momento Lady Mormont mostra que não está pra brincadeiras e faz um discurso sobre apoiar os Stark, que aqueles que reclamavam do novo perigo nem estavam do lado deles na batalha. Quem não ama Lady Mormont? Os outros senhores percebem que ela tá coberta de razão e nomeiam Jon como Rei do Norte, agora finalmente sendo aceito como Stark. Eu tenho sentimentos mistos em relação a isso.

Por um lado eu gosto, uma das grandes questões de Jon é não ser “um Stark de verdade”, apenas um bastardo. De menino que nem sentava na mesa do banquete (mas como Melisandre disse, ao menos ele tinha banquete), ele virou o senhor de Winterfell. Ele e Robb tinham alguns paralelos interessantes, eram ligados de certa forma, e essa é mais uma conexão entre os dois personagens. Além do mais, essa cena acontece logo depois da revelação de que Lyanna Stark é de fato mãe de Jon.

Mas por outro lado me incomoda, tanto o que aconteceu como o possível rumo da série. Os senhores do Norte preferem ver um bastardo no trono do que uma mulher, e nenhum dos dois deve ser menosprezado por isso, mas são coisas que Westeros menospreza. Ainda mais porque, como o próprio Jon disse, foi Sansa que ganhou a guerra. Com o diálogo deles antes dessa cena, me surpreende que, depois do discurso de Lady Mormont, ele mesmo não tenha dito que a Sansa é a senhora de Winterfell. É injusto, Sansa fez eles vencerem, Sansa sofreu na mão de muitos exatamente por ser Stark e ainda será julgada como “vaca” por se sentir injustiçada.

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Além do mais, aquele olhar entre ela e Mindinho mostra que Sansa realmente não está satisfeita com aquilo, mesmo que ela tenha sido a pessoa que insistiu para todos que Jon era um Stark como ela. O problema não é ela querer ser senhora de Winterfell, mas ela ouvir Mindinho e essa mudança repentina. Quando ele não está, vemos as atitudes que combinam com a Sansa atual: ela não confia em Mindinho e evita prestar atenção no que ele diz. Mas quando é uma cena dos dois, parece que voltamos para a quarta temporada. Sansa já está num nível de personagem que, apesar de talvez não jogar tão bem quanto Mindinho, ela já não ouve tanto esse tipo de coisa. Isso me pareceu muito mais os produtores querendo forçar um ponto de conflito, até suspeito um pouco que queiram começar a pintar Sansa um pouco como vilã e isso seria ruim de muitas formas.

O próprio Jon falou que com o inverno já ali, eles não podiam brigar entre si pelo poder, sem contar que o episódio todo estabeleceu governantes sem grandes rivais por perto, então por que no Norte foi diferente? Por que colocar mais essa, em um núcleo que na próxima temporada vai estar mais preocupado com os zumbis de gelo do que qualquer outra coisa? Porque ao que tudo indicava, apesar de pessoalmente preferir Sansa governando, a personagem queria que Jon controlasse o Norte. Mas tudo bem né, vamos colocar ela ouvindo Mindinho, por mais que ela mesma diga que não se pode fazer isso, pra criar ainda mais conflito. Talvez isso não aconteça, mas essa resolução, apesar de ter me dado uma satisfação pelos Stark governarem o Norte de novo, não me pareceu das melhores.

Vemos pouco do Bran, mas o suficiente para ele fazer a grande revelação da série. Benjen deixa Bran e Meera em segurança e o jovem Stark começa a ver a última visão da temporada. Aliás, caso ainda haja dúvidas, o próprio Bran diz que ele é sim o próximo Corvo.

Voltamos para a Torre da Alegria. Lyanna está sangrando muito na cama, todos sabemos que ela acabou de ter um filho, mas a cena ainda segura até o último momento, até porque eles fecham com os olhos do bebê, que viram os de Jon na última cena de Winterfell. O que eu achei mais curioso aqui é não ouvirmos o que Lyanna diz. Sabemos que o filho não é de Robert, afinal ele mataria Jon se Ned não o protegesse, mas por que esconder a identidade do pai? Tudo indica que é Rhaegar, só pode ser ele, mas talvez a série queira guardar a revelação oficial de “Jon é Targaryen também” para outro momento. Mas né, nós fãs já sabemos, R + L = J finalmente foi confirmado.

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No terceiro episódio eu fiquei um pouco decepcionada pela visão ter sido cortada no meio, mas agora achei melhor mesmo Bran esperar até o último episódio para visitar aquela memória de novo, até porque casa bem com a cena de Jon sendo coroado no Norte.

Pra terminar, últimos momentos em Meereen. Daenerys diz que Daario não pode ir com ela para Westeros, afinal não pegaria bem. Daario não fica muito feliz, mas Daenerys tomou uma decisão. A relação deles parece muito distante aqui, não só porque faz tempo que não temos muitas cenas deles juntos, como pelas expressões de Daenerys mesmo. Antes ela sempre parecia mais apaixonada, agora é como se ela tivesse superado o crush.

Inclusive a própria Daenerys fala disso com Tyrion, dizendo que não sentiu nada por Daario. Acontece, pessoas deixam de gostar umas das outras, mas isso é um indício da frieza de Daenerys aumentando, dela deixando a moça para trás e abraçando seu lado conquistador ainda mais, ela tem um objetivo e vai trabalhar para alcançá-lo. Tyrion fala sobre como o jogo grande é assustador e eles precisam estar preparados para isso. Aliás, gostei do nome baía dos dragões.

Apesar de parecer repentino a confiança deles um no outro, eu achei que a cena funcionou. Gostaria que fosse mais perceptível o momento em que Tyrion passou a confiar mesmo na Daenerys, mas o discurso dele é bonito mesmo assim. Também é tocante ver Daenerys o nomeando oficialmente como mão da rainha. Tyrion não está acostumado a ter pessoas confiando nele, a ter pessoas que realmente o aceitam por perto, que não o menosprezem por ser um anão. Por mais que a relação de confiança deles tenha sido apressada, os dois funcionam bem juntos. Para dois personagens que se sentem solitários (Daenerys por ser a última Targaryen, Tyrion por ser anão), ver eles confiando um no outro é bonito.

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A última cena, que também é incrível, mostra Daenerys com seu exército todo e seus dragões indo para Westeros. Pra mim não há dúvidas de que ela é a mais forte dos governantes que se estabeleceram no final dessa temporada. Ela tem Dothraki, Imaculados, Greyjoy, Tyrell, Martell e dragões. Talvez todo o Norte unido possa bater de frente com os números dela, mas os dragões certamente acabam fazendo ela a governante mais intimidadora da série atualmente. Além de que ver Daenerys de fato indo para Westeros é mais uma cena que dá a sensação de que realmente estamos chegando no final, esse era o grande objetivo da rainha dragão até agora, só por isso ela passou por tudo o que passou em Essos.

Então esse episódio nos deus três pilares de poder em Westeros. Cersei é o mais fraco deles, não só por conseguir seu lugar por explodir outras pessoas, mas também por não ter outras casas como apoio. Ela só tem quem está em Porto Real, que pode ser tomado sem muita dificuldade, considerando os outros dois pilares.

Em Winterfell Jon se torna rei do Norte. Ele tem essa área toda para apoiá-lo, o Vale, as descobertas que Sam fará na Cidadela e as habilidades de Bran e Arya, que apesar de não estarem oficialmente do lado dele, provavelmente ficarão com ele no futuro. Talvez eles tenham que lidar com um conflito político entre Sansa e Jon o que, como já mencionei antes, não gosto da ideia.

E pelo sul Daenerys está chegando com um poder de fogo que parece superior ao dos outros. Minha aposta é que, enquanto Jon enfrentará o inverno pelo norte, Daenerys vá avançar para Porto Real. Cersei não tem como combater o exército dela e talvez queira repetir a técnica do rei louco de salvar tudo, que vai resultar naquele final que eu já mencionei.

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Agora algumas considerações finais da temporada: Essa foi com certeza melhor que a quinta temporada, sem a menor dúvida, mas ainda falhou em alguns aspectos. Antes de falar deles, eu queria mencionar algo que merece um texto só para isso: vi muitos dizendo que agora Game of Thrones era uma série feminista e… Calma, gente. Eu concordo que a série deu passos certos e melhorou em vários pontos, mas não dá pra apagar os acontecimentos passados, não dá pra fingir que a série só chegou onde chegou em vários pontos baseados em núcleos machistas. Sansa só teve esse desenvolvimento na série por causa de uma das premissas mais machistas na ficção: a mulher que fica forte depois do estupro. Sem contar que ela não ficou com o Norte. Talvez ainda fique quando Bran falar que Jon é um Targaryen.

E eu sei o que você vai me dizer, você vai dizer que Westeros é machista e portanto faz sentido. Eu sei porque perdi a conta de quantas vezes li os piores comentários por “não entender isso”. Como já falei algumas vezes, há formas de fazer Westeros machista sem a mensagem da série em si ser, ou sem diminuir suas personagens mulheres, basta pensar um pouco além do que a gente tá acostumado.

Outro ponto que não fez muito sentido foi o teletransporte dessa temporada. Não, sério mesmo, por que Sam demorou quase a temporada toda pra chegar na Cidadela enquanto Varys foi e voltou de Dorne em um episódio? É engraçado, mas essa do Varys chegou num ponto em que fica difícil de ignorar.

Não entendi ainda porque trouxeram o Cão de novo, ainda mais considerando que o maior fanservice do livro não aconteceu. Se ele não ia ter maiores utilidades para a série em geral, por que trazer um personagem que já estava morto? Ainda mais se ele continua a mesma coisa? Assim como a Irmandade sem Bandeiras, pra que exatamente ela voltou?

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Falando em pessoas que voltam, vamos falar de Jon. Eu achei a volta dele fraca, pensei que talvez eles estivessem segurando alguma revelação para o último episódio, mas Jon voltou sem nenhuma diferença. Eu sei o que vocês vão dizer, de novo, que um personagem não precisa voltar diferente. Primeiramente é bem estabelecido no universo de Game of Thrones que sim, quem volta vai voltar diferente. Segundo é que, se o personagem vai voltar igual, por que matar ele pra começo de conversa? Só pra chocar? Porque na série é isso que pareceu.

Não podemos esquecer também da Melisandre, que praticamente sumiu depois de trazer Jon de volta. Se ela não teria uma relevância maior, por que mostrar que na verdade ela é muito velha? Eu vou dar o benefício da dúvida pra esse ponto, Melisandre foi embora e talvez ainda vejamos dela e a revelação não tenha sido por nada, mas nessa temporada me pareceu que usaram a personagem dela mal.

Apesar dessas e outras falhas, a sexta temporada talvez tenha ouvido as reclamações dos fãs, com certeza tivemos um ritmo melhor, alguns núcleos que estavam parados pareciam voltar a funcionar. A sexta temporada entregou um season finale que agradou muita gente. Como já disse, estamos na reta final de uma vez por todas, agora é o jogo grande mesmo, em que os últimos que sobraram vão lutar e terão que encarar o inverno que já está aí.

Queria agradecer todo mundo que acompanhou as críticas desse ano, apesar de receber muita patada nos comentários, recebo também mensagens de apoio. Como não terminei essa temporada desiludida como a última, é bem provável que estaremos aqui de novo ano que vem. E quem sabe o sexto livro não sai também? Provavelmente não, mas posso sonhar.

Originalmente postado em Ideias em Roxo.

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